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Igrejas Evangélicas Históricas fazem pronunciamento sobre eleições



Denominações evangélicas históricas fazem pronunciamento conjunto sobre as eleições gerais. 


Como é de conhecimento da maioria, este é um evento raríssimo. Na ausência de um organismo oficial reunindo denominações evangélicas protestantes, esta é a segunda vez na história que um grupo de igrejas protestantes emite um pronunciamento conjunto e a primeira vez com tão ampla adesão. O primeiro documento do tipo foi divulgado em 2012 e tratava da preocupação das lideranças com o estado de corrupção no governo.

Genizah conversou com os juristas que produziram a versão final do documento e apurou que este é uma resposta à preocupação das lideranças das igrejas diante da conjuntura política do país. A representatividade das adesões ao pronunciamento é um reflexo da importância que as lideranças atribuem ao momento politico da nação e a gravidade atribuída a diversos aspectos do processo eleitoral brasileiro.

O documento é duro com a corrupção e as práticas da chamada 'velha política"e surpreende em diversos aspectos, especialmente, porque pontua criticas não apenas ao sistema politico nacional, o qual, tem incentivado o fisiologismo, as alianças espúrias não programáticas e os escândalos originados no financiamento de campanhas, mas também menciona vícios pontuais do jogo eleitoral no ambiente interno das igrejas, entre estes o voto de cabresto, ou voto de cajado na sua versão religiosa.

O documento expressa que o evangélico não deve conceder o seu voto simplesmente por que o candidato diz expressar a fé evangélica, antes, verificar se o seu trabalho e comportamento são compatíveis com o que se espera de um verdadeiro cristão - com deve-se recordar que “a fé, se não tiver obras, por si só estará morta” (Tg 2.1). Em compensação, o pronunciamento recomenda que o crente não vote em candidatos e partidos que defendam em seus programas posições que se oponham a valores cristãos tais como: justiça e paz; integridade da vida e da criação; preservação da família; honestidade e respeito ao bem público.

O pronunciamento tem sido muito bem recebido por lideranças evangélicas de todos as tendências e é, sem duvida, uma manifestação oportuna para o cenário atual em que a questão religiosa assume um grau de protagonismo inédito no processo eleitoral.






PRONUNCIAMENTO DAS IGREJAS EVANGÉLICAS HISTÓRICAS SOBRE AS ELEIÇÕES GERAIS DO BRASIL - 2014


As igrejas evangélicas históricas do Brasil, em virtude da realização das eleições gerais em 5 de outubro (1o turno) e em 26 de outubro (2o turno) e considerando o papel de seus membros no exercício pleno da cidadania, bem como o comprometimento dessas igrejas com o Estado democrático de direito e o seu reconhecimento e apoio às instituições democráticas, expressas nos Poderes constituídos da República, vêm junto a seus membros e à sociedade brasileira em geral fazer o seguinte
PRONUNCIAMENTO:


1. Nenhum sistema ideológico de interpretação da realidade social, inclusive em termos políticos, pode ser aceito como infalível ou final nem é capaz de interpretar os conceitos bíblicos da história e do reino de Deus, no entanto, cremos que Deus, Senhor da história, realiza a Sua vontade de várias maneiras, inclusive por meio da ação política;

2. As eleições são parte do processo de busca permanente de equidade social,  de garantia dos direitos fundamentais à pessoa humana, de vivência ética e comunitária, às quais estimulamos o protagonismo de homens e mulheres cristãos, comprometidos com os valores do Evangelho de Cristo;

3. A democracia é um valor universal, bem como o governo representativo dela decorrente e a sociedade democrática pressupõe pluralidade de ideias e a livre expressão do pensamento político, alternância do poder, em forma republicana de participação popular;

4. Os chamados mensalões, julgados e ainda não julgados pelo STF, expuseram, na esfera partidária, a dualidade de forças políticas de matizes ideológicas distintas, que se digladiam eleitoralmente, visando o acesso ao poder, mas revelam a fragilidade dos partidos majoritários na elaboração de suas amplas alianças partidárias que, em muitos casos, não são de natureza político-ideológica, mas se constituem em verdadeiro fisiologismo;

5. O sistema de financiamento de campanhas admitido no Brasil é perverso, indutor e retroalimentador da corrupção e termina por eleger, majoritariamente, verdadeiros representantes do poder econômico e não dos interesses da maioria da população;

6. O atual sistema político reflete partidos políticos que não têm identidade e realizam alianças que não fidelizam ideais, mas denunciam conveniências e interesses corporativistas. De igual modo, o modelo presidencialista de coalizão compromete a ética e a democracia cujos pressupostos são a fiscalização e a alternância no poder;

7. Candidatos/as frutos de estratégias de marketing e alianças comprometedoras não são dignos de voto;

8. Ninguém deve receber voto simplesmente por expressar a fé evangélica, antes, deve-se recordar que “a fé, se não tiver obras, por si só estará morta” (Tg 2.1). Entretanto candidatos e partidos que defendem em seus programas posições que se oponham a valores cristãos tais como justiça e paz; integridade da vida e da criação; preservação da família; honestidade e respeito ao bem público não podem merecer nosso voto.

9. O processo político não se esgota com as eleições e os valores da cidadania, marcados por gestões públicas transparentes e probas, têm correspondência na vida de integridade cotidiana de cada cidadão e cidadã brasileira, na participação, nas reivindicações e na projeção de ações que visem o bem comum. 

10. Repudiamos o “voto de cabresto”; o chamado “curral eleitoral”, bem como a troca do voto por favores sejam pessoais ou coletivos, exortando seus integrantes a exercerem o direito do voto de maneira consciente e bem fundamentado cientes da delegação de poder que o sufrágio nas urnas confere aos eleitos.

Conclamamos o povo de Deus que se reúne em nossas igrejas à participação na escolha das futuras lideranças: Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais e, para isso, também o convocamos à oração e à reflexão, que possam nos orientar para que nossas escolhas se traduzam no bem comum de todos os brasileiros e brasileiras.







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