
Hermes Fernandes é também culpado do que se faz aqui no Genizah

Muita gente imagina que Abraão creu tanto, tinha tanta confiança em Deus, que sabia que, no final da história, não precisaria entregar o filho que amava em sacrifício.
Não é isso o que podemos ver na narrativa de Gênesis. O cara engoliu seco, imagino eu, que matou o filho vezes sem conta nos três dias em que se dirigiu a Moriá. A cada passo, o filme devia correr pela sua mente... e o sangue a gelar nas veias.
Deu tempo para se assustar, apavorar, ser tentado a dar meia volta, discutir, argumentar com Deus, ...fazer cambalachos do tipo que fazemos quando Deus nos pede algo que nos é precioso: deixa por menos, Senhor! Eu faço outra coisa, duas, mil coisas...
Mas abraão foi. Até ao fim. De um "Eis-me aqui Senhor!", quando recebeu a ordem, a um "Eis-me aqui, Senhor!" quando tinha o filho já imobilizado (não uma criança, mas um adolescente feito) sobre o altar.
Como fazemos as vezes todas em que a direção de Deus não caminha no sentido das nossas conveniências, tenho sempre a tendência de me lembrar de Abraão depois da tragédia toda, quando Deus troca o filho querido por um animal para o holocausto.
Mas a história não foi assim...
Acho que o segredo todo, não está no fato de Deus nos livrar na hora "h", mas no conhecimento que se pode ter do Seu amor que, de um jeito ou de outro, há de nos amparar no cumprimento da Sua vontade.
Tenho repetido isso à minha alma nesses últimos dias todos!
Rubinho Pirola é mais um membro da quadrilha do Genizah e que também tem uma inclinação terrível para evitar todo tipo de sacrifício...

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