Um conto de fadas


Digão

Há um novo seriado na TV fechada (e através de downloads) muito bom, chamado Once upon a time – em português, Era uma vez. Apesar de parecer bobinho à primeira vista, torna-se cativante à medida que sua mitologia interna se desenrola: nas histórias de contos de fada, Branca de Neve está para dar à luz a uma menina, e esta criança salvaria todo o reino mágico de uma maldição lançada pela Rainha Má. 

Esta maldição se concretiza ao trazer todos aqueles personagens – Branca de Neve, Príncipe Encantado, os Sete Anões, Cinderela, etc. – até nossa realidade sem nenhuma magia. Além disso, eles vivem entre nós completamente desmemoriados, com uma vida simples e comum – Branca de Neve é professora de crianças, o Caçador é o xerife, o Grilo Falante é o psicólogo local, e por aí vai. 

Acontece que o que faz a série ser cativante é a complexidade dos personagens, nunca antes vista: o Espelho Mágico seria, antes, um gênio da lâmpada que se apaixonou perdidamente pela Rainha Má, e foi aprisionado no espelho como punição; a Rainha Má também sofre com suas maldades, que são fruto parcial de uma falha de caráter da Branca de Neve; o Príncipe Encantado é, na verdade, um impostor; e nem vou falar quem é verdadeiramente o Lobo Mau para não estragar a surpresa.
Quando lemos a Bíblia, ela nos revela que os personagens históricos ali retratados eram tudo, menos seres unidimensionais: o rei Davi, homem segundo o coração de Deus, era péssimo pai, péssimo marido e péssimo governante, mas ainda assim arrependia-se de seus pecados; o profeta Jeremias, chamado por Deus para anunciar Sua Palavra ao povo, sofria crises existenciais e de fé terríveis no cumprimento do dever; Jonas, chamado a pregar em uma cidade estrangeira, decidiu fugir para não ter que cumprir sua vocação, que foi, relutantemente, cumprida após a experiência com o peixe; Paulo, apóstolo enviado aos gentios, tinha um passado assassino que não fazia questão de esconder, amparando-se, contudo, não na própria experiência, mas na Graça; Marcos, posterior discípulo de Pedro e um dos evangelistas, foi, no passado, um “boyzinho” e o motivo da cisão entre Paulo e Barnabé; Pedro, o primeiro líder da igreja, comportou-se de maneira reprovável na igreja da Galácia; Jesus, nosso Senhor e Deus, sofreu fome, sede, teve crise depressiva e ficou muito bravo com o mercantilismo religioso de Seu tempo.
A igreja evangélica brasileira, que hoje em dia é qualquer coisa menosverdadeiramente evangélica, tem reduzido a multidimensionalidade humana a uma triste unidimensionalidade. Qualquer traço de diversidade de dimensões e experiências é logo rechaçado. Segundo a mensagem pagã que infesta os palcos das performances dominicais e infecta a alma do povo, qualquer outro destino que não seja a vitória, o sucesso e a vida regalada deve ser negado, a não ser que, numa mistura de epicurismo com hedonismo, o sofrimento pode ser permitido se trouxer um prazer (material) enorme ao seu fim. A mensagem pagã propagada nos hospícios que já se chamaram igrejas nada fala sobre real adoração a Deus, mudança de caráter, pecado ou arrependimento; em vez disso, transforma seus ouvintes em meros participantes de um festejo a Baal, que era o deus fenício da prosperidade, ou Baco, seu equivalente romano. Como os cultos a Deus, que prezam pela santidade e reverência ao Seu nome, foram trocados por verdadeiros bacanais palatáveis à classe média, pode-se fazer tudo, desde “trenzinhos” até mesmo surtos catárticos.
Jesus se tornou gente para que pudéssemos viver nossa humanidade para Sua glória. Mas Baal, o deus deste século e de grande parte da igreja evangélica, quer retirar a humanidade de circulação de nossas vidas, uma vez que ela reflete a obra de Deus. Tornando-nos personagens de contos de fadas, onde o final feliz é garantido no fim, glorificamos, mesmo, é apenas ao nosso ego doente. E ao próprio Baal.





A bíblia do matuto I











 

Do matuto, Rayan Rodrigues





 




Whoopi gospel, o profeteiro pop


Isto é uma cruza de Whoopi Goldberg com Benny Hinn e mais uma pitada de Michael Jackson dos últimos dias... 

Este é bão! Pula, dá gritinho, canta balada, Rock e rumba, solta profetada direto, derruba com sopro, provoca ataque epilético ungido, cura espinhela caída e prisão de ventre. Só está precisndo prática "as lingua". Tá fraco. 

Em compensação, lá pelos 8 minutos o profeteiro nos conta uma grande novidade. Coisa que nenhum cristão sabia, direto do trono... Coidilouco!

Sai da frente satanás!

Já está nas igrejas de brasileiros em Boston, Estados Unidos, dai pra aparecer no Gideões de Camboriú é um pulo, um cai-cai e um grita 'grória'!


Quanto mais eu rezo mais exu gospi me aparece!















Dica do Francisco Jr.




 




O Evangelho é Jesus

Ronaldo Lidório
 
Uma das principais barreiras para a evangelização não é o ambiente, muitas vezes árido para a comunicação da mensagem, mas o entendimento, por parte da própria Igreja, quanto ao Evangelho.

Devido a uma influência secularista, liberal e reducionista na missiologia das últimas décadas, houve uma humanização de conceitos que necessitam de revisão bíblica. Talvez o principal seja o próprio Evangelho. Não é incomum lermos que “o Evangelho está sendo atacado no Egito” ou que “o Evangelho está entrando nos lugares distantes da Amazônia”. O que se quer dizer é que a Igreja está sendo atacada e entrando na Amazônia, manifestando que, em nossos dias, passamos a crer que a Igreja é o Evangelho. Essa equivocada compreensão cristã que iguala o Evangelho à Igreja - a nós mesmos - é ampla e popular, mas tem suas raízes em distorções bíblicas e teológicas que podem nos levar a caminhos erráticos na vida e prática cristã.

Paulo escreve aos Romanos no capítulo 1 sobre o “Evangelho de Deus” (v.1) que Deus havia prometido “pelos seus profetas nas Sagradas Escrituras” (v.2), o qual, quanto ao conteúdo, é “acerca do Seu Filho” (v.3), que é “declarado Filho de Deus em poder... Jesus Cristo, nosso Senhor” (v.4). Portanto fica claro: Jesus é o Evangelho.

Assim, se nos envergonharmos do Evangelho, estamos nos envergonhando de Jesus. Se deixarmos de pregar o Evangelho, deixamos de pregar Jesus. Se não crermos no Evangelho, não cremos em Jesus. Se passarmos a questionar o Evangelho, seus efeitos perante outras culturas e sua relevância hoje, nós não estamos questionando uma doutrina, um movimento ou a Igreja, estamos questionando Jesus.

O que Paulo expressa nesse primeiro capítulo é que, apesar do pecado, do diabo, da carne e do mundo, não estamos perdidos no universo. Há um plano de redenção e Ele se chama Jesus. O poder de Deus se convergiu nEle e Ele está entre nós.
 
Quando compreendemos mal o Evangelho, e o igualamos à Igreja, corremos o risco de proclamarmos denominações, igrejas locais, logomarcas e pregadores, pensando que com isso estamos evangelizando. Não há verdadeira evangelização sem a apresentação de Jesus Cristo, Sua vida, morte, ressurreição e paixão por nos salvar.

Um dos textos que mais sintética e profundamente expõe o Evangelho foi escrito por Paulo quando afirmou: “Pois não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”. (Rm 1.16).

Em primeiro lugar, esta afirmação deixa bem claro que o Evangelho jamais será derrotado, pois o Evangelho é Cristo. Sofrerá oposição e seus pregadores serão perseguidos. Será questionado e deixarão de crer nEle. Porém, nunca será vencido, pois o Evangelho vivo, que é Cristo, é o poder de Deus.

Em segundo lugar, o Evangelho não é o plano da Igreja para a salvação do mundo, mas o plano de Deus para a salvação da Igreja. O que valida a Igreja é o Evangelho, não o contrário. Se a Igreja deixa de seguir o Evangelho, de seguir a Cristo, deixa de ser Igreja, ou Igreja de Cristo.

Em terceiro lugar, o Evangelho não deve ser apenas compreendido e vivido. Ele se manifestou entre nós para ser pregado pelo povo de Deus. Paulo usa essa expressão diversas vezes. Aos Romanos, ele diz que se esforça para pregar o Evangelho (Rm 15.20). Aos Coríntios, ele diz que não foi chamado para batizar, mas para pregar o Evangelho (1 Co 1.17). Diz também que pregar o Evangelho é sua obrigação (1 Co 9.16).

Devemos proclamar o Evangelho – lançar as sementes – a tempo e fora de tempo. Provérbios 11 nos encoraja a lançar todas as nossas sementes, “... pela manhã, e ainda à tarde não repouses a sua mão”. Essa expressão de intensidade e constância nos ensina que devemos trabalhar logo cedinho – quando animados e dispostos – e quando a noite se aproximar, o cansaço e as limitações chegarem, ainda assim não deixar de semear. Fala-nos sobre a perseverança na caminhada e no serviço. É preciso obedecer mesmo quando o sol se põe.

Jim Elliot, missionário entre os Auca do Equador na década de 50, afirmou que “ao chegar o dia da nossa morte, nada mais devemos ter a fazer, a não ser morrer”.  Observemos nossa vida e lancemos a semente, cumprindo a missão.

Não importa mais o que façamos em nossas iniciativas missionárias, é preciso pregar o Evangelho. A pregação abundante do Evangelho, portanto, não é apenas o cumprimento de uma ordem ou uma estratégia missionária, mas o reconhecimento do poder de Deus.

Somos lembrados por Paulo a jamais nos envergonharmos do Evangelho que um dia no abraçou, pois não é uma ideia ou um movimento, mas uma Pessoa, o Evangelho é Jesus. 
 
 
 





 




Capacitar 2012

 







 




Bullying cybernético e diagnósticos psiquiátricos amadores



Ser eficiente e bem sucedida em alguma atividade incomoda; E que tristeza! Afinal seria motivo de alegria poder ver alguem produzindo com competência, fazendo a diferença. Mas não! Quem produz algo de construtivo na internet corre o risco de ser ofendido.


Fico impressionada com a quantidade de gente que se propõe a diagnosticar a saúde mental alheia, sem avaliação qualificada ou mesmo sem formação profissional para tal.

 Rotular alguém como portador de uma doença psiquiátrica,  sem qualquer base diagnóstica, tão somente por intolerância à inteligência e a produtividade do outro é coisa de enlouquecer (sem literalidade, bem-dito! rss).


Mas eu conheço gente assim. Observadores abalizados de internet. PhDs do diagnóstico psiquiátrico em redes sociais.

E o pior é que usam doenças sérias. Ofendem verdadeiros portadores e banalizam o magistério de psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da saúde psíquica que a partir de exames sérios,  fazem análises e prescrevem tratamentos.


Não banalizem as doenças psiquátricas e nem tão pouco minimizem o papel desses profissionais usando de forma inadequada estados da existência para ofender pessoas, esteriotipando gente que sofre de doenças sérias.


É muito sério chamar alguém de psicopata na rede. É coisa para para processo e passível de danos morais.


O silêncio diante do bullying cybernético tem servido de esconderijo para pessoas envoltas no mal. Em um país de impunidade, com tanto crime no mundo real, é preciso ser uma atriz de TV para garantir algum vislumbre de 'justiça digital'.


É triste constatar que há tanto a se fazer de sério pela educação neste país e a internet oferece um meio tão promissor e, no entanto, o que se vê é a preferência de muitos no mal uso desta grande ferramenta:   ócio, a arruaça, bullying, pornografia,  perversão de menores, etc.



A tristeza que bate é imensa.

E sobre o preconceito, a febre rotulatória dos psicólogos infantis e a agressão aos portadores reais de dificuldades psiquiátricas, este vídeo resume tudo brilhantemente. Vale a pena assistir: