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Bíblia está errada, aponta estudo sobre camelos divulgado pelo New York Times

Trechos do Antigo Testamento citam uso de camelos para transporte; Segundo estudo, animais não eram domesticados naquele período



Um novo estudo científico da Universidade de Tel Aviv, em Israel, acredita que os camelos provavelmente têm pouca ou nenhuma chance de terem sido realmente domesticados nos tempos dos patriarcas da Bíblia, tais como Abraão, Jacó e José, que teriam vivido durante o segundo milênio antes de Cristo. A pesquisa foi divulgada pelo jornal New York Times, primeiramente publicada no jornal de Tel Aviv.

Apesar da conclusão de arqueólogos contemporâneos, há várias passagens no Antigo Testamento em que as personagens bíblicas transportam cargas e pessoas em camelos domesticados, o livro de Gênesis (cap. 24), por exemplo, diz que um servo de Abraão viajou a camelo para encontrar uma mulher para Isaac. 

Para os cientistas, tais anacronismos poderiam provar que a Bíblia teria sido escrita ou editada muito tempo depois do que se acredita ou suas passagens não são sempre confiáveis. O estudioso da Bíblia judia e professor de cultura hebraica na Universidade de Tel Aviv, Noam Mizrahi, afirma que o transporte de pessoas em camelos naquele período é equivalente a falar que  “as pessoas usavam trailers para transportar coisas durante a Idade Média”.

Para os arqueólogos Erez Bem-Yosef e Lidar Sapir-Hen, autores da pesquisa da Universidade de Tel Aviv, o possível anacronismo motivou as escavações de ossos de camelo no Vale de Aravah, em Israel, e em Wadi Finan, na Jordânia. Eles usaram radiocarbono para datar os ossos dos animais e constatar quando os camelos começaram a ser domesticados na região – e chegaram à conclusão de que teria sido somente séculos depois dos patriarcas da Bíblia e décadas depois do Rei Davi.

Os cientistas identificaram animais domesticados por sinais nos ossos das pernas que provam que carregaram cargas pesadas – e que a domesticação de camelos começou na Península Arábica. Antes disso, as pessoas usavam mulas e burros para se locomover e transportar cargas.

O professor Mizrahi não faz parte da equipe responsável por esta pesquisa, mas disse ao New York Times que as conclusões dos arqueólogos não podem negar o valor histórico das histórias bíblicas. 


Atualização:


O leitor do Genizah, Danilo Moraes - Professor de Teologia, Mestre em A.T. e que escreve no ótimo antigotestamento-shemaisrael.blogspot.com.br 
comenta:

Há um crescente corpo de estudiosos que acreditam que a domesticação do camelo deve ter ocorrido antes do século XII a.C. e que as narrativas patriarcais refletem exatamente isso (ver, por exemplo, O. Borowski, Every Living Thing: DailyUse of Animals in Ancient Israel [Walnut Creek, Califórnia: Altamira, 1998], 112-18). Da mesma forma, R.W. Younker, que coletou dados sobre a domesticação antiga de camelos por anos, recentemente descobertos e publicados um breve estudo de alguns petroglifos de camelo localizados no Nasib Wadi, para o qual ele propõe uma data de cerca de 1500 a.C. ("Late Bronze Age CamelPetroglyphs no Wadi Nasib, Sinai, "NEASB 42 [1997]: 47-54). 

E AINDA OUTRA POSSIBILIDADE 

Por outras palavras, os patriarcas não eram pintados como nômades em cima de um camelo, mas como nômades que viajavam de burro e restringiam suas andanças dentro de uma terra povoada e de suas fronteiras. As únicas referências a camelo (per exemplo, Gn 12, 16;24) parece que não passam de toques anacrônicos introduzidos para tornar as narrativas mais vivas para os futuros ouvintes[11]; nômades verdadeiros com camelos não aparecem nas narrações do Gênesis. E assim é que deveria ser. Embora os camelos fossem conhecidos de longa data, desde os tempos mais primitivos, e os casos isolados de sua domesticação poderia, portanto, ter ocorrido em qualquer período (é provável que os nômades tenham mantido rebanhos de camelos em estado semi-selvagem, para lhes dar o leite, o couro e as peles), parece que a domesticação real do animal, como animal de carga e meio de transporte, se deu entre o décimo quinto século e o décimo terceiro, no interior da Arábia.




Com informações Terra/Globo





 

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