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Genizah entrevista o pastor e ativista Antônio Carlos Costa. Em pauta: O novo livro sobre Martin Lloyd-Jones e os enganos da teologia liberal.


O pastor presbiteriano Antônio Carlos Costa está relançando pela editora Primicias a sua obra  As Dimensões da Espiritualidade Reformada - Martyn Lloyd-Jones. O livro é uma adaptação da tese de mestrado do autor e é considerado um marco no estudo da obra de Lloyd-Jones, um dos mais profícuos escritores reformados do século 20, com uma obra vastíssima na defesa da teologia reformada. 


Como grande herdeiro e admirador de uma das correntes mais vigorosas e influentes dentro do calvinismo - o movimento puritano - Lloyd-Jones mostrou, à luz das Escrituras, que a vida espiritual do cristão deve possuir três dimensões que se complementam: doutrinária, experimental e prática. O livro tem muitas virtudes, das quais certamente resultarão preciosos benefícios para os leitores. É uma análise abrangente, que aborda praticamente tudo o que há de mais relevante com respeito à biografia e ao pensamento do personagem. Quem ler o texto de modo atento, terá uma boa noção de quem foi foi esse homem extraordinário e compreenderá porque as suas ênfases são tão necessárias a igreja contemporânea. Além disso, o autor procura situar Lloyd-Jones claramente no seu contexto histórico, religioso e intelectual.

Entre as muitas recomendações, a do missionário e tradutor de Bíblias Ronaldo Lidório:  Este é um livro que o levará a temer a Deus, amar intensamente a Sua Palavra e zelar pelo resgate da espiritualidade reformada. Um livro para ler com o coração humilde pedindo ao Espírito Santo que nos fale e guie como o fez com Martyn Lloyd-Jones.
Antônio Carlos Costa é um dos teólogos mais brilhantes de sua geração, escritor, pastor da Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro e presidente da ONG Rio de Paz. A seguir a entrevista concedida a Danilo Fernandes para o Genizah:




1)   Antônio, Qual é a importância do Dr. Martin Lloyd-Jones para a teologia reformada do século 20?


Martyn Lloyd-Jones não foi um pregador, num certo sentido, que fez a teologia avançar. Não inovou. Seu ministério foi caracterizado por resgate e preservação. O que quero dizer com isso? Sua grande contribuição foi reapresentar com coragem, sabedoria, clareza e simplicidade a tradição calvinista de espiritualidade através de exposições bíblicas verso por verso de livros inteiros da Palavra de Deus.
Sua contribuição, portanto, foi resistir a quatro grandes pressões exercidas sobre os púlpitos do século XX: o pentecostalismo, o ecumenismo, o liberalismo teológico e a ortodoxia morta dos calvinistas. Como o fez? Pregando expositivamente. Sempre. Seu legado é de valor inestimável. Junto com John Stott e J.I. Packer foi uma âncora do cristianismo reformado no mundo.
2)      O obra de Lloyd-Jones é vastíssima. Tanto homilética, quanto exegética. No seu livro, em um esforço respeitável, você apresenta a obra do Doutor em três dimensões. Pode nos apresentar resumidamente a proposta do livro?
O cristianismo, obviamente, não cabe nem no calvinismo nem na tradição puritana, à qual Martyn Lloyd-Jones fazia questão de dizer pertencer. Essa tradição de espiritualidade, contudo, como nenhuma outra, soube harmonizar três elementos centrais da verdadeira vida cristã, que raramente as igrejas conseguem manter em equilíbrio: doutrina, experiência e prática.
A espiritualidade calvinista procura ser fiel à Bíblia. Percebe-se isso nos seus padrões confessionais (Cânones de Dort, Catecismo de Heidelberg, Confissão de Westminster) e testemunho de seus luminares, tais como: Calvino, Jonathan Edwards, Charles Spurgeon, Herman Bavinck, Charles Hodge, Abraham Kuyper, Francis Schaeffer, John Stott, John Gerstner etc.;  e mais recentemente, R.C. Sproul, Tim Keller, entre outros. Trata-se de um cristianismo, acima de tudo, doutrinário, que vê o papel essencial da doutrina tanto para a prática quanto para o lado experimental da fé.
Podemos conhecer doutrina e não conhecer a Deus. Por isso, sempre houve ênfase -neste modelo de cristianismo que tanto lutou pela obra missionária, quanto exerceu influência na arte, na política e na cultura-, na necessidade imperiosa dos cristãos buscarem experiência com Deus e praticarem o que dizem crer no poder do Espírito Santo. Essas três dimensões trazem beleza e consistência à vida da igreja. Atingem o homem por inteiro: mente, coração e vontade.
3) Para muitos Lloyd-Jones foi dos mais importantes faróis da ortodoxia em um século em que a Europa foi solapada pela teologia liberal resultando no deserto espiritual que vemos hoje. Qual foi o centro da defesa de Lloyd-Jones a este ataque?
Primeiro, ele defendeu a inspiração das Sagradas Escrituras. Não negociou um milímetro sequer da verdade em nome da popularidade ou adequação ao espírito do tempo. Mostrou-se radicalmente contra o ecumenismo, chamando de falsa unidade àquela que não se baseia na verdade. Por fim, não caiu no erro grosseiro da teologia liberal, igualmente presente na teologia da libertação. Ambas se esqueceram que os homens não são apenas escravos de sistemas políticos e econômicos que os impedem de viver com dignidade e se realizarem como cidadãos, mas, antes de tudo, escravos de si mesmos, imersos num egoísmo que os faz viver em maldade e indiferença, cuja cura só pode ser alcançada pelo evangelho do Senhor Jesus Cristo, recebido no coração com arrependimento e fé. Em suma, ele pregou sobre a doutrina da justificação pela graça mediante a fé. Artigo doutrinário, conforme dizia Lutero, mediante o qual uma igreja permanece de pé ou cai.
4) O que diria Lloyd-Jones sobre o crescimento da teologia da prosperidade nas Américas e África? Podemos esperar um resultado final semelhante (esfriamento) como consequência da disseminação desta doutrina?
Ele diria que essas pessoas estão correndo atrás do vento. O crente verdadeiro é um ser profundamente ambicioso, em busca de glória, honra e incorruptibilidade (Romanos 2:7). Fazer-lhe promessas preferencialmente para esta vida frustra-lhe as expectativas do amor por um reino que não é deste mundo. Como herdeiro da tradição calvinista, contudo, ele veria a prosperidade do que trabalha duro como possível corolário da vida cristã autêntica. Pode acontecer de Deus decretar riqueza para o crente que exerce sua atividade profissional com excelência. Contam que se um puritano tivesse que construir uma ratoeira para vender, ele construiria a melhor e a venderia pelo preço mais justo. Muitos deles enriqueceram extraordinariamente.
Essa riqueza, entretanto, em vez de ser vista como sinal seguro da predestinação divina, deve ser olhada como meio para o socorro aos pobres por via de obras de misericórdia. Sem isso, o rico estará deixando de dar a principal evidência de que nasceu de novo, a ampla generosidade em amor.
5)      Há um aspecto curioso e, talvez, inesperado, na teologia reformada de Lloyd-Jones: a questão do “selo” do espírito. Tanto mais quando é sabido que ao mesmo tempo em que Jones oferecia combate a teologia liberal, ao cristianismo frio, também opunha resistência a muitos aspectos da nascente convicção pentecostal. O Dr. Martin Lloyd-Jones era carismático?
Martyn Lloyd-Jones nunca foi carismático. Não há vestígio de pentecostalismo na sua teologia e pregação. O que ele fez foi mostrar que na tradição de espiritualidade calvinista não há unanimidade quanto à questão do selo ou batismo com o Espírito Santo. A discussão tem que ser travada no campo da exegese bíblica e não única e simplesmente no apelo à tradição.
Muitos criam na segunda benção, a buscavam, pregavam sobre ela e diziam tê-la experimentando. Esses testemunhos fazem parte de alguns dos registros mais belos da história da igreja. Porque tratava-se de gente culta, com altíssimo nível de conhecimento teológico, não dada a emocionalismo barato carente de reflexão, ao mesmo tempo experimentando aquele arrebatamento de amor por Cristo seguido de certeza da sua participação na salvação graciosa trazida pelo evangelho. 
Aqui vai meu testemunho pessoal. Essa é a fé que abracei e com muita imperfeição tenho procurado viver. Sou calvinista. 




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