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Existe lugar para a Mulher na Igreja?






Marcelo Lemos



Amigos, recentemente houve uma votação histórica na Igreja da Inglaterra, na qual se decidiu sobre a aceitação das nossas irmãs no Episcopado. Uma mulher pode vir a ser Bispa da Igreja? A resposta da Igreja da Inglaterra foi “não”, e o grande peso sobre a decisão se deu por meio do voto da Câmara dos Leigos.

Bem, nós da Igreja Anglicana Reformada do Brasil não fazemos parte da Comunhão Anglicana, da qual faz parte a Igreja da Inglaterra, ainda que sejamos uma igreja irmã da Free Church of England, que mantém relacionamento muito próximo e positivo com a igreja oficial do Estado Inglês. Então, que importância pode haver em tal votação para nós?


Em primeiro lugar, é mais uma prova de que o Anglicanismo não é sinônimo de liberalismo teológico, imagem comum cultivada por tantos. Não estou dizendo que todos que aceitam a Ordenação Feminina sejam liberais, no entanto, a não aceitação dela definitivamente significa alguma coisa. Significa que, por exemplo, ao contrário da imagem comumente divulgada, o anglicanismo ainda é uma tradição reformada.

Em segundo lugar, mas não menos importante, parece ser um indicativo que a inclusão de homossexuais no Ministério Ordenado é uma aberração, mesmo dentro da tradição anglicana. Não é absurdo pensar que a mesma Igreja que ficou com a imagem de aceitar homossexuais como Ministros, se recuse a aceitar mulheres? Isto, claro, na visão generalista, que desconhece ou simplesmente ignora a autonomia das igrejas nacionais, e os movimentos dentro destas. Mas, voltemos ao contraste: praticar o ato homossexual é algo condenado nas Escritura, enquanto ser mulher é uma dádiva de Deus. Como a mesma Igreja acusada de ordenar homossexuais pode virar notícia em todo o mundo ao se recusar a ordenar mulheres?

Aqui reside a chave para o mistério: o anglicanismo jamais aceitou a ordenação de homossexuais, e existe até uma decisão oficial da Comunhão a este respeito, no entanto, um grande potentado liberal dentro da Comunhão, passando por cima da vontade majoritária dos anglicanos, resolveu rasgar as Escrituras, em nome de uma tal inclusividade.

Quanto a nós, estamos completamente de acordo com essa decisão tomada pela Igreja da Inglaterra, apesar de conhecer quem pense diferente dentro da nossa Anglicana Reformada. Mas, acredito que certamente existe lugar para a mulher no trabalho cristão, desde que este não seja Ordenado.

Febe, por exemplo é chamada de “diaconisa” em Romanos 16.1-7, e Teodoreto de Ciro (393 – 466 d.C.), nos conta que ela foi uma pregadora itinerante do Evangelho, conhecida em muitos lugares do mundo. No texto Bíblico, o apóstolo S. Paulo diz que ela “foi de grande auxílio para muita gente, inclusive para mim”. Mas, não existe nenhuma prova de que ela tenha sido ordenada. Logo, servir a Cristo na Igreja não implica obrigatoriamente em Ordenação. Tal ideia é completamente estranha ao pensamento do Novo Testamento. Não há qualquer recomendação a respeito à ordenação de mulheres, nem mesmo quando ele dá instruções a Timóteo sobre a ordenação de presbíteros. Além disso, nas qualificações exigidas dos candidatos as Sagradas Ordens, I Timóteo 3. 1-7 e Tito 1. 5-9, constata-se que as regras visavam apenas os homens qualificados. Interessante que quando estes fatos são mencionados, os 'igualitários' argumentam que tudo isso se deve a mentalidade patriarcal da época, numa contradição quase infantil de sua própria argumentação anterior...

Mas, o que dizer do termo “protatis”, usado para descrever o ministério da nossa irmã Febe? Na maioria das traduções o termo é traduzido como “auxilio”, o que leva à interpretação tradicionalmente adotada pela Igreja, que tem em Febe uma “ajudante” dos Apóstolos. No entanto, há quem discorde, alegando que o termo também significa “padroeira ou protetora, uma mulher colocada acima dos outros”. Isso é verdade, mas não prova que Febe tenha sido ordenada, e nem que esse seja o sentido pretendido pelo apóstolo. Devemos sempre nos lembrar que toda interpretação da Escritura deve se conectar ao ensino geral das Escrituras, o que nos leva de volta a total ausência de recomendações sobre ordenação feminina. E se vamos levar a sério os léxicos, vamos lembrar que eles também nos trás a seguinte definição “que cuida dos interesses dos outros prestando auxílio com seus recursos”. Qual significado se encaixa melhor no contexto das Escrituras, e no próprio texto de Paulo?

Outro recurso interessante utilizado pelos 'igualitários' é listar todas as vezes que o verbo “protatis” é utilizado no Novo Testamento. Um total de 8 vezes. O argumento diz que em todos os outros casos o termo foi traduzido como 'governar', ou coisa do tipo, o que provaria que Febe certamente foi ordenada ao Ministério Cristão. Mas o que se prova com tal listagem é que não é preciso ser ordenado para que o termo “protatis” lhe seja aplicado, como se vê Tito 3:8 e 3:14, onde se traduz sua raiz – “proisteimi” – como praticar boas obras, para auxiliar aqueles que necessitam. Qual significado se encaixa melhor no contexto das Escrituras, e no próprio texto de Paulo?

Agora, se alguém ainda quer fazer briga a respeito de etimologias, recomendo que traduzam o texto como é de sua preferencia. Dizer que as traduções estão erradas é parte fácil da coisa, fazer melhor que elas é outra história. Como ficaria a tradução 'melhor'? Algumas sugestões: “Recomendo-lhes nossa irmã Febe... que tem sido líder sobre muita gente, inclusive sobre mim”, ou “... que tem sido governante sobre muita gente, inclusive sobre mim”. Faz sentido colocar Febe numa posição de liderança acima de Paulo? Pelo que se sabe, mesmo quando preso, Paulo permaneceu líder e apostolo sobre a igreja gentílica, e respondia apenas à Igreja de Jerusalém, como se deu no Primeiro Concílio da Igreja, em Atos 15.

Tirando os argumentos exegéticos, e há outros além do caso Febe, restam apenas argumentos subjetivos, como os quais nem vale a pena perder muito tempo. Se costuma argumentar, por exemplo, que as mulheres têm provado sua capacidade de liderar tanto quanto os homens. Não duvido disso, mas não invalidade o ensino bíblico. Será que devemos ordenar os homossexuais, e sendo provada sua capacidade de liderança, rasgar as Escrituras? E se um ateu conseguir liderar? E um apóstata? Dizer que pode ser ordenado pois tem capacidade de liderar é argumento meramente subjetivo. A Igreja precisa de fundamentos muito mais fortes, e estes estão exclusivamente nas Escrituras.

Por fim, muito significativo que a decisão tomada pela Igreja da Inglaterra tenha sido decidia pelo voto dos leigos. Com tanta liderança autoritária nas comunidades cristãs, alegra-nos saber que ainda existe quem respeite o sacerdócio universal dos crentes, uma doutrina muito cara à Teologia Reformada. Não conheço o que se passa em outros países, mas sei que no Brasil ainda precisamos aprender que Igreja não tem “dono”, tem servos que lideram, sob autoridade de Cristo, em favor do povo.

"Em relação a questão de mulheres como oficiais, não há dúvidas entre aqueles que acreditam na Bíblia. Qualquer um que se recusa a reconhecer este ensino, não acredita na Bíblia. Pode servir como um critério para testar se uma Igreja tem compromisso com a Bíblia. Igrejas que ordenam mulheres para posições de autoridade eclesiástica, para Ministras do Evangelho [pastoras] estão em rebelião aberta e flagrante contra Deus". - Gary North, "Unconditional Surrender".





Enviado por Marcelo Lemos, do blog Olhar Reformado









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