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Crise da Igreja Cristã Maranata se aprofunda. Ex-membro e colunista do Genizah comenta os novos fatos.



Como pode ser verificado nas reportagens “linkadas” ao final desta matéria e no vídeo do ES TV, o escândalo na Maranata já ganha amplitude nacional. A denominação está sofrendo divisões sérias e, a cada dia, novas pessoas são implicadas no caso.

Nos últimos 10 dias, cinco movimentos importantes:

ABAFA- Nas redes sociais, membros e ex-membros da Maranata levantam suspeitas seríssimas de diversas tentativas de “abafa” por parte da cúpula da igreja. Fala-se de compra de milhares de jornais feitas por indivíduos suspeitos, esvaziando bancas, em especial em localidades próximas a templos da igreja. Pastores também estariam ameaçando com o fogo do inferno quem levanta suspeitas ou passa informação à imprensa.

Gedelti Gueiros, presidente da Maranata.
BIG BROTHER CONVOCADO - Foi noticiado que o próprio líder supremo, ditador em exercício,  da Igreja Cristã Maranata – Gedelti Victalino Gueiros seria o primeiro a depor no inquérito aberto na Delegacia de Defraudações, em Vitória. Contudo, após a troca do advogado da Maranata, obteve-se um adiamento deste depoimento e, ato contínuo, a Gazeta de Vitória já noticia que o inquérito deverá correr em segredo de justiça. O novo advogado assumindo a defesa da Igreja Cristã Maranata é Homero Mafra – presidente da Ordem dos Advogados (OAB) no Estado do Espírito Santo.

NOTAS FRIAS - Na imprensa do Espirito Santo pululam reportagens indicando empresas locais como participantes no esquema de desvio de dinheiro da Maranata, que envolvia a compra de mercadorias e serviços com notas superfaturadas em até 500%. Destaque para uma uma pequena papelaria local que teria sido uma das empresas que forneceram notas frias para o desvio de recursos do dízimo doado por fiéis. A Papelaria União vendeu à igreja R$ 941 mil em materiais que nunca foram entregues. A afirmação está no texto da ação movida pela Maranata, que corre em segredo de Justiça na 8ª Vara Cível de Vitória. “Nos exames que fizemos dos livros de entradas de 2009 e 2010, não se verifica a entrada dos produtos. Podemos concluir tratar-se de notas fiscais fraudulentas”, diz um trecho da ação. Uma das pessoas que prestaram depoimento na investigação da igreja foi Elionay Lopes Scabelo, filho do dono da papelaria, José Eloy Scabelo. Ele diz que as notas fiscais eram emitidas a pedido de Antônio Ângelo Pereira dos Santos, vice-presidente afastado da igreja. O argumento era de ajudar aos “irmãos” no exterior e custear viagens a outros países.  

O que ninguém explicou foi a necessidade de tal irregularidade para investir em missões, visto que o dinheiro, tendo origem nos dízimos de fiéis da Maranata, tem destinação legal (e até esperada!) para este tipo de emprego, não carecendo de qualquer artificio para justificar tal fim, seja fiscal ou de qualquer outra natureza, ao contrário, o emprego deste tipo de esquema seria justamente prova cabal da malversação dos gestores, empenhados em desviar tais recursos para usos obscuros e, provavelmente,  para o benefício pessoal.









SOBRINHO DO PRESIDENTE - Entre os prováveis esquemas, um chama a atenção e envolve o sobrinho do próprio presidente da igreja (?!). Segundo apuração de Letícia Cardoso e Vilmara Fernandes da Rede Gazeta, seria Hélvio Gueiros o dono da Work Sistemas e Equipamentos, responsável pela sonorização dos templos. Pelos serviços prestados nos últimos seis anos a micro empresa recebeu R$ 23,7 milhões, o que dá uma média de quase R$ 4 milhões ao ano. Por intermédio de nota, a Maranata informou que “Gedelti Gueiros não tem qualquer tipo de ingerência na gestão administrativa da instituição”. A contratação de fornecedores para construção e aparelhamento da igreja, acrescenta a nota, segue o critério de cotação de preços. Estranhamente, no processo não há relatos dos proprietários da Work. Documentos obtidos pela Rádio CBN e A GAZETA mostram que, entre as empresas, cujos proprietários foram ouvidos pela comissão que fez a investigação da igreja, todas têm faturamento bem inferior ao da Work. A maior delas recebeu no mesmo período – 2005 a 2011 – R$ 4 milhões.

Homero Mafra, presidente da OAB (ES) e advogado da Maranta
DINHEIRO PÚBLICO - Além de recursos públicos estaduais, a Maranata também recebeu verbas públicas federais. Juntas elas totalizam R$ 2,1 milhões. O deputado federal Carlos Manato (PDT), também utilizou a cota de emendas parlamentares, de 2008, para doar R$ 300 mil à Fundação Manoel dos Passos Barros, que pertence à Maranata. Ele é membro da igreja. Na quinta-feira, a RÁDIO CBN e o jornal A GAZETA informaram que parlamentares estaduais haviam doado R$ 1,8 milhão à fundação, entre 2005 e 2011. Manato afirma que o dinheiro serviu para atender a um programa de tratamento de câncer. Em 2006, o parlamentar chegou a indicar a destinação de R$ 250 mil, que acabou não sendo autorizada pelo Ministério da Saúde porque a fundação não apresentou a documentação necessária. Nesta semana, Manato utilizou a tribuna da Câmara dos Deputados para defender a igreja. “Não podemos nos deixar contaminar por três ou quatro pessoas que cometeram delitos. A igreja teve uma atitude exemplar e já tomou todas as providências”, disse.


Colunista do Genizah foi membro da Maranata e comenta o caso.


Thiago Lima Barros


Como já havia dito na minha apresentação ao blog, congreguei na Igreja Cristã Maranata até 2009. E é com tristeza que eu endosso as notícias que têm sido postadas aqui na última semana. As bases doutrinárias da denominação sempre dependeram de interpretações particularíssimas das Escrituras e do voluntarismo dos fundadores, tudo isso chancelado por um autoritarismo pastoral persecutório de fazer corar até mesmo Renê Terra Nova, com todo tipo de ameaça de cunho espiritual, além das ofensas aos dissidentes (“caídos” é o termo mais bonito que lhes distingue) e das histórias escabrosas a respeito do “fim terrível” que se abateu do Céu (do Céu?) contra quem ousou contestar o sistema.

No entanto, os líderes sempre fizeram questão de se apresentarem como pessoas de conduta ilibadíssima, enquanto destacavam a Obra (nome que, apesar das negativas, é utilizado pela liderança para designar a ICM) como a salvação da lavoura, desprezando até mesmo grupos ortodoxos como pentecostais clássicos, reformados, batistas etc. Nas palavras do líder supremo, “Obra é Obra, o resto é sobra”. Tudo isso somado às relações estreitas que sempre tiveram com a parte mais atrasada da elite capixaba e à freqüência assídua em colunas sociais locais.

Mas de Deus não se zomba (Gl 6:7-8): depois de quatro décadas, o Senhor está cobrando a fatura da manipulação espiritual (e financeira) do modo mais escancarado possível. Como dizia um velho pastor da ICM, já com o Pai, ordenado ainda na IPB, com quem tive o prazer de conviver brevemente, “a ferida está supurando”. Um outro ex-pastor de lá resumiu a história toda em seis palavras: “líder gera líder. Manipulador gera seguidores”. Já o meu pastor, que também aceitou a Cristo lá, e de lá também saiu por não mais suportar o desvio diuturno dos santos preceitos da Palavra de Deus, assim se expressou:

Hoje, entendo que não saí da Igreja Cristã Maranata, mas foi o próprio Senhor, que por sua infinita misericórdia, me tirou de lá com Sua mão forte e poderosa.

Espero escrever algo mais alentado sobre o que vi, ouvi e vivi na ICM, mas disponho de pouco tempo. De mais a mais, tenho uma irmã e amigos lá, pessoas que são cristãs acima de tudo, e que, mesmo permanecendo ali, não concordam com este estado de coisas, e eu não gostaria que eles sofressem retaliações por minha causa. Estou em oração a respeito.

Diante de todo esse quadro, só me resta clamar aos céus: Maranata! Vem, Senhor Jesus! 





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