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Deixados para trás fail 1

Deixados para trás fail 1


Marcelo Lemos

A demência escatológica nunca dá sossego. É só uma questão de tempo, e o “lado negro da força” sempre implementa novo ataque. Não importa quantos predisseram o retorno de Cristo, e falharam vergonhosamente, sempre tem mais alguém disposto a ser “deixado para trás”. Vamos conhecer um pouquinho mais dessa inglória saga de 'fé'.

Episódio de Hoje: “Santa Vó Rosa”

Você já ouviu falar na Igreja Apóstolica Santa Vó Rosa? Trata-se de uma igreja 'pentecostal' que tem atuado no coração da Capital Paulista, e que, hoje, acredita que sua fundadora, já morta, Vó Rosa, seja o prometido “Consolador”.

Se não ouviu falar deles, nada perde; se já ouviu falar, perguntou de onde surgiu tamanha insanidade? Acredite-me: de um exemplo clássico de demência escatológica.

Demência escatológica unida a uma boa dose de legalismo religioso (grande novidade!). Anselmo, ex-membro da seita, numa entrevista ao CACP, afirma: “'Vó Rosa' era muito autoritária, até mais exigente que a missionária Odete e o esposo, Eurico, que era considerado bispo pelos adeptos. Rosa tinha o costume de vigiar a vida alheia e literalmente carregava uma fita métrica para medir as saias das irmãs. Se alguma irmã usasse uma saia com menos de dois dedos abaixo da 'batata-da-perna', ela punia. Ela se mostrava desequilibrada e exigia que as pessoas ao redor pensassem como ela. Realmente, sua morte foi um alívio para muita gente, pois muitos não mais suportavam sua atitude mesquinha”.

E a ideia de que a velhinha seria, na verdade, o Espírito Consolador (de saia, e bem cumprida, risos)? Muito simples, e 'lógico': Vó Rosa não era apenas 'pastora-fariseu', era também 'profetiza', e das bem ousadas. Ousou tanto que profetizava participar de vários arrebatamentos aos céus, dos quais sempre trazia novo 'regulamento' para a vida dos fiéis. Tanta ousadia impactou profundamente o imaginário de seus discípulos, e parece terem concluído que sua líder não morreria...

Tanta imaginação alimentou uma 'esperança' irracional. Em 26 de Outubro de 1970, a 'irmã' Vó Rosa morreu vitima de uma atropelamento, na cidade de Poá, quando já tinha 76 anos de idade. Mas, ao invés de enterrarem sua querida senhora, preferiram embalsamar seu corpo, e o deixar exposto por uma semana no Templo da Igreja.

Durante sete dias, os fiéis da Igreja oraram pedindo a ressurreição de Vó Rosa, o que, evidentemente(!), não aconteceu... O que não significa que tenham dado o braço a torcer. Muito pelo contrário, passaram a interpretar sua morte como sendo, na verdade, um “arrebatamento”, e que em tal ocasião, ela teria sido agraciada por Deus com o privilégio de ser “o outro Consolador”.

Com um currículo assim, tão cheio de poder e do sobrenatural, não se estranha manterem, até hoje, doutrinas megalomaníacas. Seus pontos centrais de fé, afirmam:

Aos 60 anos de idade a santa Avó Rosa recebeu uma revelação especial de Jesus para fundar a Igreja Apostólicas

•A santa Avó Rosa não morreu, mas foi arrebatada aos céus

•Todo o conhecimento da doutrina e a organização da igreja, Jesus nos deu através da santa Avó Rosa

Mediunidade – A santa Avó Rosa não fala através de mais ninguém a não ser pelo seu sucessor, Aldo Bertoni

•A Igreja Apostólica é a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo, e fora dela não há salvação.



E, para coroar tanta unção escatológica, para o Arrebatamento da Igreja, ainda futuro, ensinam que “Jesus e a Santa Vó Rosa podem vir de um momento para o outro arrebatar a sua Igreja, a mais perfeita garantia para a entrada segura no céu” (Fonte: O Espírito Santo de Deus Consolador, Bispo Eurico Mattos Coutinho e Missionária Odete Corrêa Coutinho, 2a. Edição, 1985, página 65, 66).

Não deixem de conferir nosso próximo episódio, com mais um arrebatamento fail, neste mesmo horário, e neste mesmo blog subversivo.

Marcelo Lemos, editor do Olhar Reformado, pós-milenarista convicto, ex-demente escatológico, e colaborador do Genizah.
Escatologia 7304558333807373095

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