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Entrevista com um pastor honesto



Abaixo segue-se uma entrevista com um pastor honesto:

1. Tendo em conta o número de igrejas que surgem em todos os lados, é assim tão fácil tornar-se pastor?

Resposta: Bem, isto depende de denominação para denominação e de igreja para igreja. No meu caso foram necessários oito anos desde o seminário, tempo de aspirante na igreja e a consagração. 


2. Durante este tempo de seminário e aspirante o candidato recebe algum salário?


Resposta: Geralmente não, com boa vontade da igreja as vezes recebe-se alguma oferta ou a igreja paga os custos do estudo no seminário. 


3. Se não é assim tão fácil como aparecem tantos pastores?


Resposta: Acredito que a maioria são pastores sem qualquer tipo de preparação formal e outros são autodenominados pastores.


4. Qual a consequência deste surgimento desenfreado de pastores?


Resposta: Heresias nas igrejas, doenças psicológicas em membros da igreja, vergonha ao evangelho, oportunistas e enganadores. Entretanto, há pastores que nunca fizeram um curso formal e são excelentes pastores, mas a norma é que surjam pastores ruins.


5. Uma vez pastor, ganha-se bem?


Resposta: Mais uma vez isto depende da igreja. Geralmente nas igrejas históricas os pastores recebem um determinado salário conforme as condições da igreja. Mas dificilmente ultrapassará a média de oito a dez salários mínimos. Eu recebo um pouco mais de três salários mínimos. Nestas igrejas neopentecostais geralmente o dinheiro do pastor e o da igreja é o mesmo, de maneira que não há limites. 


6. Este crescimento no número de igrejas é benéfico?


Resposta: Se o crescimento fosse organizado, visando alcançar lugares onde não existem igrejas, sim, seria de certa forma benéfico. Mas não é isto que acontece. Conheço o caso de várias igrejas que estão justamente do lado de outra igreja, separados por uma parede ou por uma laje. Num determinado local da minha cidade num perímetro de 100m2 estão quatro igrejas. Não é possível que seja uma obra de Deus levar tantas igrejas para um único local.


7. E a sua igreja, encontra-se numa condição semelhante?


Resposta: Mais ou menos, no entanto a igreja a que pertenço foi estabelecida naquele local há quase quarenta anos, quando lá não havia igreja alguma, hoje há várias.


8. Como o pastor honesto de uma igreja como a sua sente-se em meio a isto?


Resposta: Sinto-me numa competição desleal, onde estas igrejas e pastores trabalham de forma antiética, quando utilizam-se de práticas desleais para roubar membros de outras igrejas oferecendo um cristianismo mais fácil, uma liturgia que está centrada nas aspirações humanas, presumem possuir mais poder. Jogam baixo mesmo!


9. Qual a sua perspectiva de futuro para a igreja evangélica?


Resposta: Se continuarmos como estamos, o futuro será desastroso. Um pandemónio de heresias, de competições, de empobrecimento do verdadeiro evangelho. 


10. Qual a sua perspectiva pessoal?


Resposta: Luto todos os dias comigo mesmo para continuar como pastor. Ser pastor não é fácil, digo ser pastor de verdade. Se puder num futuro próximo ter outra forma de manter minha família, penso em deixar de servir a igreja como pastor e procurar viver a fé cristã longe desta confusão toda. 




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