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A irrelevância teológica de Ariovaldo Ramos e Cia. para o Brasil de hoje




Não sou twitto-maníaca, mas gosto de “ler” as conversas e discussões no twitter e às vezes fazer perguntas a proponentes de ideias contrárias, com intenção de ouvir algum argumento lúcido. Infelizmente o interlóquio na maioria das vezes faz água, ou seja descamba em xingamentos e agressões da parte do perguntado.

Tanto na feed do twitter quanto no facebook e blogs podemos verificar que os irmãos da Missão Integral estão desapontadíssimos e até desesperados com o impeachment. Muitos aproveitam para proclamar a sua versão do apocalipse. Pobres serão massacrados, benefícios serão perdidos, a fome vai grassar os grotões nordestinos, os políticos no poder bloquearão a Lava-Jato (?), o povo brasileiro em geral ficará mais pobre, a classe média vai se apropriar do poder e assim oprimir a todos sendo que esta é sua ética essencial, ódio aos diferentes e opressão aos pobres, e por aí vai. O arsenal de idiotices catastróficas não tem fim.

Mas o que me espanta não é nem isto. É a convicção moral ferrenha que comanda estes irmãos a quem chamo de ideo-teólogos, porque casam a ideologia política que abraçaram com a teologia que se propõem a ensinar. Para eles, não parece haver a menor dúvida da legitimidade moral do PT, ou da virtude inerente que a esquerda incorpora. Não há debate possível, a não ser para vilipendiar o outro lado. Não há conversação em que se admita os fatos que nos levaram à crise atual, nem os mais óbvios como os bilhões desviados dos cofres públicos pelo PT.

Como é possível tal convicção? Como um teólogo inteligente, capaz, biblicamente fundamento como Ariovaldo Ramos se enrosca neste engano ideológico? Permitam-me sugerir que ele e seus colegas sofrem da Síndrome de Eutífero. Eutífero era um rapaz imbuído de um senso de justiça ferrenho, que aparece num dos diálogos de Platão. Eutífero se apresentava à corte em Atenas para entregar seu pai por um crime que este havia cometido. Como Sócrates era o sujeito que não sabia nada, estava sempre à procura dos que pensavam que sabiam. A certeza moral de Eutífero, que o levou a tomar a decisão de denunciar o próprio pai, o torna o interlocutor ideal para Sócrates. E aí começa o diálogo descrito por Platão que nos oferece o dilema que até hoje é razão para profundos debates sobre a natureza do bem moral. Deste diálogo se extrai o dilema do comando divino. As coisas boas são boas, porque Deus as comanda, ou Deus as comanda porque são boas? Eutífero crê que, o que quer que seja, que tenha sido comandado pelos deuses é bom. Virtude, portanto, é obedecer aos deuses.

Sócrates prossegue perguntando, a coisa vista se torna a coisa vista porque é vista, ou é vista porque é a coisa vista? E explica ao jovem que a ordem dos fatores nesta proposição sim altera o produto. Ou seja o adjetivo não necessariamente implica o verbo, mas o verbo implica o adjetivo. O mesmo com a coisa amada. O que amo é amado porque amo, não amo porque é amado.
Parece conversa de bêbado em botequim, mas o problema é sério. Quando falamos da essência moral das coisas, podemos dizer que o bem é o bem só porque eu (ou deus) o chama de bem? Porque uma força maior a que chamo de deus considera aquele bem um bem, ele necessariamente se torna um bem? Ou o bem tem que necessariamente ser bom para que eu (ou deus) possa chama-lo de bem?
Me parece que Ari, Ed René, Gondim e muitos outros renomados figurões, não sabem esta diferença. Não são capazes de diferenciar o bem social, político e econômico factual para o Brasil do “bem” proposto pelos “deuses” que governam sua ideologia política e consequentemente o partido a quem prestaram voto de fidelidade. Como Eutífero, preferem pensar que tudo que seus deuses comandam é bom porque comandado por eles.

Sua cegueira deriva da fidelidade ideológica que precede a sua capacidade de ser racional. O marxismo não é outra coisa senão uma religião. Propõe a fé num estado justo que concertará de uma vez por todas através de seu poder coercivo todos os males da humanidade. Seus acólitos atribuem aos pressupostos ideológicos de Marx valor dogmático e lhes prestam lealdade cega. O mérito destes dogmas ou axiomas não deve e não pode ser questionado. A narrativa histórica não se desenrola diante de nossos olhos e toma as cores do dia. Ela já vem pré-mastigada, digerida. O PT no poder era a concretização social do sonho virtuoso de todo irmão de fé. Portanto qualquer tentativa de destronar o PT é na verdade um efeito da “luta de classes”, o “establishment” o bourgeoisie cruel reagindo à ascensão virtuosa da classe proletária.

Mesmo que os fatos nos mostrem o retrato claro da classe política formada pelo PT como sendo uma nova versão desta mesma oligarquia bourgeoisie, tosca, feia, arrogante, prepotente, corrupta desde o porão até a cobertura.

Proponho a estes irmãos que andem pelos grotões do Brasil e testem sua teoria. O “pobre” a pedra filosofal metafórica destes senhores, está melhor no meio desta terrível crise econômica? Se a terrível e odiada classe média há muito já baixou suas expectativas de consumo, mudou de hábitos, diminui a qualidade de vida, o que dizer do pobre? Que novidades ou benefícios ao Brasil se pode esperar de uma política sócio econômica que levou o país ao fracasso retumbante? Que virtude se pode esperar de um partido que até agora só roubou, se apropriando indevidamente do poder em todas as áreas do governo e mentiu construindo uma falsa narrativa pública a seu próprio respeito? É só analisar estatísticas econômicas e sociais sobre o brasileiro hoje e compará-las com os dados de 5 ou 6 anos atrás. Os números vão gritar na sua cara. ESTAMOS TODOS MAIS POBRES!!! A balela: A riqueza dos ricos é a pobreza dos pobres, não se sustenta estatisticamente. A verdade é que a pobreza das classes mais altas é a pobreza de todos. Não só a pobreza, mas a infelicidade, a violência, a impotência de todos.

Idólatras da ideologia nossos maiores teólogos são cegos para a verdade. Lamento profundamente a morte da sua relevância para o Brasil de hoje.



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