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Judeus e “marranos” na construção do Brasil


Foi revelado recentemente um capítulo escondido da história do Brasil, mantido em sigilo por séculos. Estamos falando da fatídica história da Inquisição portuguesa, que transferiu para a colônia a perseguição aos judeus.

Discriminação, racismo, mortes. Esta é a grande revelação que traz o livro "Os judeus que construíram o Brasil" - fontes inéditas para uma nova visão da história. Resultado de pesquisas realizadas em todo o mundo e, em especial, no até então secreto arquivo do Santo Ofício da Inquisição, esta obra mostra como os judeus e os cristãos novos foram perseguidos nos séculos XVI, XVII e XVIII. A Inquisição contra os judeus foi autorizada pelo Papa e começou em 1478 na Espanha e em 1536 em Portugal. Mas só no final do século XVI, em 1591, os portugueses mandaram quadros para o Brasil a fim de vigiar e perseguir os judeus. Distante da Europa, o país foi o destino de muitos convertidos, os cristãos-novos. Neste livro, as historiadoras Anita Novinsky, Daniela Levy, Eneide Ribeiro e Lina Gorenstein contam como a Inquisição prendeu mais de mil pessoas, sendo que 29 morreram, além de provocar o desaparecimento de outras mil e de arruinar com famílias em todo o país.

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Confira a seguir a matéria de O Globo



Os judeus que construíram o Brasil investiga os 'marranos'


POR RONALD VILLARDO
07/03/2016 O GLOBO

Tenho duas confissões.

A primeira é que só consegui concluir a leitura do primeiro livro de 2016 neste fim de semana. É uma vergonha, eu admito. O meu exemplar de "Os judeus que construíram o Brasil", da pesquisadora paulista Anita Novinsky, me despertou curiosidade com combustível suficiente para passar direto para o topo da minha pilha de livros. E não me arrependi.

A segunda confissão é ainda mais grave: até a leitura deste estudo da doutora Anita, eu poderia facilmente ter integrado a lista dos ignorantes acerca do forte sotaque judaico na formação da sociedade brasileira. Imperdoável.

A autora é uma historiadora que dedica sua vida ao estudo dos ben-anussim ou marranos, como eram chamados os judeus que baixaram por aqui fugindo da Santa Inquisição, na Europa.

Só que em terras brasílis os judeus também foram alvo de perseguição. Para muitos deles, a solução era criar um véu que encobrisse suas origens para fugir da fogueira. Adotaram sobrenomes fictícios - há indícios que boa parte dos brasileiros que têm sobrenomes de árvores frutíferas podem ser descendentes de judeus - fingiam adotar as liturgias cristãs, mas ainda assim muitos deles foram "identificados" e queimados, em nome da santa igreja católica.

Alguns cristãos também entraram na rota da morte apenas por defenderem a liberdade de culto dos judeus.

O livro conta esta história embasado em milhares de documentos reunidos pela professora e pelas também historiadoras Daniela Levy, Eneida Ribeiro, Lina Gorenstein.

A reunião dessa papelada rendeu à doutora Anita uma biblioteca espetacular. E ela já avisou que o material será todo doado para a USP depois de sua morte, que ainda demorará muito para acontecer. Enquanto isso, pesquisa de uma vida inteira, devidamente catalogada, pode ser conferida neste livro.

A leitura é leve, direta e, ainda assim, assume um caráter reflexivo sobre a intolerância praticada pelo ser humano.

Em tempos de linchamento online, nada como verificar, por meio deste estudo, que a injustificada agressividade ideológica de pouco serve. Para qualquer povo.
Recomendo fortemente.





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