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Confissões de um Pastor: Relatórios e Primeiro trabalho


Relatórios

Quando uma igreja pequena é subsidiada por uma igreja matriz a pressão pelos números são grandes. É preciso apresentar resultados, frequência nas reuniões, número de pessoas batizadas e obviamente resultados financeiros. Isto não significa que as pessoas estejam interessadas em resultados financeiros para lucro pessoal, mas as igrejas matrizes querem o quanto antes cortar as ligações financeiras com novos trabalhos, o que traz sobre o pastor da igreja subsidiada um grande peso e tensão. O mesmo ocorre com missionários enviados por suas igrejas para outros países.

Tive amigos que não aguentaram esta pressão e acabaram por serem dispensados das suas funções, um outro resolveu assumir a autonomia da sua igreja, com um salário minúsculo, com filhos para criar, com uma comunidade que exigia uma atuação exemplar do pastor mesmo diante das dificuldades. Não demorou muito para que este pastor jovem, em bom estado físico, num dia inesperado sofresse um enfarto fulminante deixando para trás mulher e filhos.

Um Pastor


Primeiro trabalho

Meu primeiro trabalho foi numa comunidade bem longe de onde meus pais viviam. Uma comunidade pequena com recursos limitados e na ocasião eu recebia de salário uma quantia que equivalia na época à um pouco menos que salário mínimo. Isto sem qualquer ajuda de custo, ou seja, transporte e qualquer outra despesa ministerial deveria ser paga do meu próprio bolso.

Na ocasião, ainda solteiro, falar em férias era algo do outro mundo e para rever a família precisava economizar migalhas ao longo de vários meses para poder custear a viagem. A igreja matriz nunca enviou-me dinheiro para férias, natal ou qualquer outra coisa. Embora na matriz esta prática de beneficiar o pastor presidente e os seus mais próximos fosse comum.

A solidão, o sentimento de abandono, o esquecimento eram espinhos com os quais nos feríamos na estrada sem ninguém para nos confortar. Da igreja matriz chegavam sempre as cobranças de relatórios, cobranças por resultados sem nenhum benefício em troca.

Quando voltava a matriz por algum motivo e por alguns dias, havia sempre aqueles que batiam nos meus ombros e prometiam ajuda, amizade, um telefonema, coisas que nunca aconteciam. Era o velho ditado que não é visto não é lembrado. E infelizmente é assim mesmo no ministério pastoral.

Entretanto, não trabalhava com amargura ou tristeza, mas com alegria e contava com o pouco apoio daqueles que colocavam-se ao meu lado. Neste trabalho permaneci durante quatro anos.

Um Pastor



Confissões de um Pastor é um blog coletivo contando experiências peculiares da vida pastoral. A opção dos autores pelo anonimato visa preservar as almas envolvidas. Importam os casos que podem ajudar outros pastores a encontrar encorajamento e as ovelhas a compreenderem melhor as alegrias e os percalços rotineiros da caminhada pastoral. Genizah está publicando alguns textos. Outros podem ser vistos no original AQUI.  



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