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Carta Aberta aos pais que levam seus bebês chorões e crianças pequenas às Igrejas




Queridos pais levam crianças pequenas às Igrejas,

Vocês estão fazendo algo realmente, realmente muito importante. Eu sei que não é fácil. Eu vejo vocês com os braços assoberbados e sei que vocês vieram para a igreja já muito cansados. Criar filhos pequenos é trabalhoso. Muito cansativo mesmo.

Eu os vejo rodopiar, sacolejar e balançar incansavelmente tentando manter seus bebês quietos. Assisto todo o esforço necessário para encontrar um lugar para se sentar na igreja: Os malabarismos com o carrinho e o equilibrismo com as sacolas de fraldas e todas as dezenas de bugigangas do arsenal móvel de cada bebê.

Eu vejo vocês se sacudirem quando seus filhos choram e assisto solidária toda agitação e ansiedade com que vocês abrem os seus sacos de mágica, catando os truques que podem ajudar a acalmar os seus filhotes.

E eu vejo vocês com as suas crianças pequenas, as que dão os primeiros passos e as de três, quatro e cinco aninhos. E vejo como vocês se irritam quando seus meninos fazem uma pergunta inocente, num tom que era para ser um sussurro, mas sai como de um megafone, ouvido em claro e bom som lá no fundo da igreja, risos.

E percebo o desespero na voz de vocês, quando pedem pela décima vez que seus filhos se sentem e fiquem quietos. E vejo os seus semblantes envergonhados, como quem imagina que todos na igreja estão olhando para vocês. Sabemos que nem todos estão, mas vocês pensam que sim.

Papais e mamães, eu sei o que vocês estão pensando: Será que isso tudo vale a pena? Por que se preocupar? Todo este trabalho e desgaste. Eu sei que muitas vezes vocês deixam a igreja muito mais exaustos do que gratificados. Mas saibam: o que vocês estão fazendo é muito importante.

Quando vocês estão aqui, a igreja está inundada com um ruído de pura alegria. Quando vocês estão aqui, o Corpo de Cristo é mais plenamente presente. Quando vocês estão aqui, somos lembrados de que este evento que chamamos de culto não é sobre estudo bíblico ou sobre uma contemplação pessoal e tranquila. Mas nos reunimos para adorar como uma comunidade onde todos são bem-vindos. Prostramo-nos junto, como Corpo, diante de Deus e compartilhamos da Palavra e do Sacramento juntos.

Queridos pais que levam seus filhos pequenos à Igreja: Quando vocês estão aqui, vivo mais fortemente a esperança de que estes bancos não estarão vazios em 10 anos quando seus filhos já tiverem idade suficiente para se sentarem calmamente e se comportarem durante a adoração. Eu sei que agora eles estão aprendendo o como e o porquê da nossa adoração. E o fazem antes que seja tarde demais . Eles estão aprendendo que a adoração é importante.

Vejo-os a aprender. No meio dos gritos, balbucios e risos. Assisto maravilhada o seu aprendizado, entre o chiadinho dos sacos de bolacha se abrindo e a pilha crescente de migalhas. Eu vejo a menina indócil que insiste em pular dois bancos para compartilhar a "Graça e Paz do Senhor" com alguém que ela nunca conheceu. Ouço o menino sugando (num assobio bem alto) até a última gota de seu vinho da comunhão, determinadíssimo a não perder uma gota sequer de Jesus.

Eu vejo uma criança excitada colorir uma cruz no programa do culto. Eu me delicio com os tantos ecos de "améns" infantis que pipocam alguns segundos depois que o resto da comunidade disse-o junta. Eu vejo um menino que mal aprendeu a ler tentar encontrar o Hino 672 do livro de cantos e me lembro dos meus meninos aprendendo a fazer o mesmo.

Queridos, eu sei o quão difícil é fazer o que vocês estão fazendo, mas eu quero que vocês saibam que isto é muito importante. Isso importa para mim. É importante para os meus filhos, para que eles nunca fiquem sozinhos nos bancos. É importante para a congregação saber que as famílias se preocupam com a fé dos jovens, em estar com os mais  jovens ... E mesmo naquelas semanas, quando você não puder perceber estes pequenos momentos do Amor de Deus, tudo isto será  sempre e eternamente importante para as  almas de seus filhos.

É importante que eles aprendam que adoração é o que fazemos como uma comunidade de fé. Que na Igreja toda a gente é bem-vinda e que a adoração de cada um é importante.

Quando ensinamos as nossas crianças que a sua adoração é importante, os estamos ensinando que a sua presença aqui é plena e suficiente como a de qualquer outra pessoa entre os membros e visitantes da nossa comunidade de fé. Eles não precisam esperar até que eles possam entender, acreditar, orar ou adorar de uma certa "maneira “correta” para serem bem-vindos. Na liturgia de Cristo, eles sempre foram chamados a estar à frente. “Deixai vir a mim as criancinhas". Eu sei, e você também sabe, que até mesmo na sua igreja há muitos adultos que não possuem todas as credenciais lembradas acima e, ainda assim, estão nos bancos.

O importante é que as crianças aprendam que eles são parte integrante desta igreja, que suas orações, suas canções, e até mesmo o seu choro (se bem contidos, para alguns, risos) são sinais de júbilo recebidos por Deus e testemunham a todos que: Sim, eles estão entre nós.

Eu sei que é difícil, mas obrigado pelo que vocês fazem quando trazem seus filhos para a igreja. Por favor, saibam que a sua família - com todo o seu ruído, peleja, comoção, alvoroço e alegria - não são simplesmente tolerados, vocês são parte vital desta comunidade quando ela se reúne para a adoração.



Originalmente publicado em “I am totally *that* mom.”
Tradução livre, paráfrase e adaptação de Danilo Fernandes.


Comentários do Editor


Rev. Davi Charles Gomes com as crianças. Na foto no topo da artigo, o Rev. Alderi Matos.
Sou muito grato a Deus por participar de uma comunidade que não só entende o que foi dito neste artigo, mas ainda dá um passo adiante.

Na Igreja Presbiteriana Paulistana, antes do início da mensagem à igreja, o pastor chama todas as crianças à frente, inclusive os mais pequeninos, senta-se ao chão com elas e faz um resumo da mensagem que será exposta aos pais e a todos os demais. 

O pastor conversa com  as crianças e estas perguntam e dizem o que entenderam. São 15 minutos preciosos para todos nós presentes como Corpo. Neste momento,  a importância da presença das crianças é reconhecida e valorizada. Neste momento, o ser UM ganha um contorno mais forte. Somos Corpo, no culto ao Senhor.

Confesso a vocês que já vi muitos adultos serem mais tocados pelo Espirito de Deus nestes momentos do que durante a exposição tradicional. Comigo já aconteceu. Acredito que, para além do bem enorme aos próprios pequeninos e suas famílias, a pureza da resposta das crianças, reafirma a Esperança e nos transporta espiritualmente a um estado melhor. Um estado em que percebemos os nossos próprios corações de criança -aquele que se escondeu devido a dureza da vida. Não duvide, leitor, é com este coração de criança que veremos a Deus. Reconecte-se com este coração.

Que o Espírito de Deus possa nos manter conectados com o nosso coração de estudante.
 Nosso coração infantil. 
O coração do nosso primeiro amor.
 Amém!

Danilo Fernandes






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