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A SAGA DOS BANDEIRANTES JUDEUS. Como assim? Os bandeirantes mais famosos eram judeus?


POR Henrique Veltman

Sempre que eu tenho oportunidade e comento a saga dos bandeirantes, faço questão de declarar que o meu herói, nesse período colonial, é Antônio Raposo Tavares (1598-1658), um dos mitológicos aventureiros dessa época.

Sim, é verdade, o historiador Afonso Taunay trata Raposo Tavares como o “bandeirante magno, vulto formidável”. Outros tratam-no como assassino, herege e matador de padres.

Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno.

Raposo Tavares tinha todos os motivos para queimar igrejas: sua madrasta, Maria da Costa, foi presa pela Inquisição em 1618 sob a acusação de judaísmo e só saiu do cárcere seis anos depois. Isto, além de toda uma longa série de perseguições e preconceitos.

Raposo Tavares foi criado até os 18 anos na casa da madrasta, “uma judia fervorosa”, há registros históricos dignos de confiança. Ah, sim, claro, a mãe biológica de Raposo Tavares também era judia, travestida de cristã nova, era o jeito de escapar das maldades criadas pela Igreja e pelos reis de Portugal, pela Inquisição, enfim.

Ou seja, Raposo Tavares, como todos os demais bandeirantes, tinha todos os motivos e razões ideológicas na fúria contra a Santa Madre Igreja.

A Igreja, ontem como até recentemente, representava o antissemitismo, a força que tinha destruído as vidas de judeus e, no caso dos bandeirantes, confiscado seus bens em Portugal e Espanha.

Especialmente meu herói, Raposo Tavares. Ele matou jesuítas porque eles eram comissários da Inquisição na América. Não, não estou torcendo a História a meu bel prazer. Há poucos anos, no simpósio “O Legado dos Judeus para a Cidade de São Paulo”, na nossa Hebraica, o assunto foi amplamente discutido e documentado pelo Laboratório de Estudos sobre a Intolerância, da USP.

Nesse e em diversos outros cenários acadêmicos, vimos que Raposo Tavares e os demais bandeirantes que atacavam igrejas e padres podem ser vistos como subversivos, gente que desafiava a hegemonia católica.

Sim, dona Rachel, estou falando de gente nossa (e brava), além de Raposo Tavares, Fernão Dias Paes, Brás Leme, Manuel Preto, os Fernandes povoadores (esses, eu conheço bem, “somos” todos filhos de Parnaíba) Baltazar Fernandes – um dos Fernandes, fundador de Sorocaba, matou com um tiro na cabeça o padre Diogo de Alfaro, que tinha sido enviado pela Inquisição para investigar os judeus paulistas.

Eu defendo, desde há muito, a necessidade de se criar, pelo menos nas escolas da Comunidade, o estudo permanente da História Judaica do Brasil. E aí, a história dos bandeirantes merece ser muito estudada e, a identidade judaica dessa gente, resgatada e honrada.

Há alguns anos, por iniciativa do rabino Mendel Begun, um curso extra-curricular aconteceu na escola Talmud Torá, no Bom Retiro, apoiado pelo advogado Beno Suchodolski. Chamava-se A presença de cinco séculos de judeus na História do Brasil (Sec.XVI – XIX).

Mas foi pouco, isso precisa ser ampliado, e esses estudos devem integrar, definitivamente, o cardápio que é oferecido à nossa juventude. Não apenas a saga dos bandeirantes, mas toda a história colonial e dos anos que se seguiram, até os nossos dias.

Agora, no dia 21 de junho passado, o presidente da Conib, Fernando Lottenberg, esteve em Brasília para encontros com Aloysio Nunes Ferreira, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e líder do governo na Casa; General Sergio Etchegoyen, ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional; e Maria Helena de Castro, secretária executiva do Ministério da Educação. Em todas as visitas, Lottenberg foi acompanhado por Floriano Pesaro, deputado federal licenciado e secretário de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo.

Na reunião no MEC, o presidente da Conib propôs a Maria Helena de Castro a inclusão de temas como a Inquisição e o Holocausto na Base Nacional Comum Curricular. “Muita gente acha que os judeus chegaram ao Brasil há pouco tempo, refugiados da Segunda Guerra. É necessário contar nossa história desde que aqui chegamos em 1500. Temos orgulho disso”, afirmou Lottenberg. Castro considerou a proposta pertinente.

Vamos ver o que acontece, a partir daí.

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A história do Brasil está cheia de celebres personagens que poucos sabem serem judeus. Em se tratando do tempo do Brasil colonial, muitos heróis tidos como brasileiros ou portugueses eram, de fato, judeus. A maioria "convertidos" na marra pela Inquisição Portuguesa.

Vamos publicar neste Genizah alguns artigos nesta direção, de variados autores. Quem quiser conhecer mais sobre estes assuntos, recomendo dois grupos de bibliografias de excelente qualidade:


1) Sobre a história do povo judeu (incluindo a sua saga nas Américas): CLIQUE AQUI

2) Os efeitos da Inquisição Portuguesa e a perseguição dos judeus para a nossa história: CLIQUE AQUI








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