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John MacArthur. Xenófobo arrogante, ou só mais um etnocêntrico ignorante?




Não resta duvida, John MacArthur é um dos ministros evangélicos mais influentes de seu país. Sempre em grande evidencia midiática, convidado a participar de programas jornalísticos por todo os Estados Unidos a fim de oferecer a cosmovisão protestante sobre temas e fatos do noticiário.

MacArthur é autor profícuo com mais de 150 obras publicadas nos Estados Unidos. Antes mesmo de eu ter tido acesso a seus livros editados no Brasil (De memória, lançados pela CPAD, Cultura Cristã e Thomas Nelson), sempre tive este pregador na mais alta conta. Seja por sua extraordinária aptidão homilética, seja por suas declarações conservadoras firmes, precisão bíblica e o seu entusiasmo na defesa da pregação expositiva. 

Desde 2006, assino os seus podcasts publicados na Apple Store, o “Grace to You”, homônimo do seu famoso programa de rádio, que vai ao ar em diversas praças dos Estados Unidos a partir da Califórnia, ao qual, escutava com muito entusiamo quando morei naquele país.

Teologicamente, John MacArthur é um batista conservador, mas com fortes influencias calvinistas e um dispensacionalista convicto (uma evidencia de grande brecha na sua muralha teológica, risos.)

MacArthur não é dado a meias palavras, tanto que já comprou brigas homéricas com os pentecostais do mundo inteiro, razão pela qual estranhei muito ver um livro de sua autoria no catálogo da CPAD . Coisas do absurdário editorial cristão brasileiro.

Pentecostalismo é heresia


O ministro MacArthur sempre foi muito crítico dos moveres pentecostais, apesar de encontrar seus desafetos “cheios do espirito” no dispensacionalismo. Em 2013, causou comoção no meio cristão pentecostal ao realizar em sua comunidade (Grace Community Church en Sun Valley, California) a conferência “Strange Fire” (“Fogo Estranho”), e que rendeu livro, DVDs e muita polemica entre os pentecostais. Alguns meses depois afirmou, sem meias palavras, que o pentecostalismo é pura heresia. Imaginem a balbúrdia que causou! Sabemos que muitos protestantes históricos pensam a mesmíssima coisa, mas é raro encontrar alguém com mais evidência e influencia que tenha coragem de dizer o que pensa em alto e bom som. 

Apenas para ilustrar a imensa repercussão das declarações de MacArthur sobre o pentecostalismo, destaco na blogosfera cristã brasileira, o comentário do blogueiro pentecostal Victor Leonardo Barbosa:



“A conferência Strange Fire é uma amostra do cessacionismo clássico apimentado de militância. É notável o talento de MacArthur para exposição bíblica; e em muitas áreas têm edificado a igreja. Todavia, em sua crítica à teologia pentecostal/carismática, MacArthur é tudo, menos um expositor. É evidente que sua exegese em textos bíblicos é submissa a um sistema teológico repleto de inferências descabidas e extrabíblicas.”

MacArthur não agrada a todo mundo. O que pra mim é evidência de possível  profetismo. E mesmo tendo restrições ao seu cessacionismo implacável e ojeriza a certas bobagens escatológicas que ele prega, nos encontrávamos firmemente nas suas influencias calvinistas e na sua militância conservadora em meio a uma sociedade em queda ética e moral acelerada. Sua audácia na militância contra o aborto e o gayzismo em meio à devassidão da sociedade californiana é inspiradora.



Não existe salvo do lado de cá do equador


Contudo, confesso que estou extremamente decepcionado com as declarações recentes de MacArthur em um vídeo que circula a internet no meio cristão hispânico. O vídeo é uma declaração feita por MacArthur objetivando informar ao seu público as razões pelas quais não mais iria participar da conferência "Por Su Causa 2016", a ser realizada neste mês de maio na República Dominicana. Evento, para o qual, MacArthur já havia confirmado a sua “excelsa” presença.





No vídeo, após uma explanação inicial, John MacArthur afirmou:

"Todos nós entendemos que as pessoas hispânicas em o mundo sabem sobre Jesus Cristo, sabem sobre Deus e conhecem a Salvação, ao menos em alguma medida dada a influencia da Igreja Católica Romana na América Latina. Contudo, não conhecem verdadeiramente a Cristo e nem o Evangelho da Graça, tão pouco a revelação plena das Escrituras."


Ou seja, para o Sr. MacArthur, os católicos estão inexoravelmente perdidos e não são cristãos. Há mesmo muita gente entre os protestantes que pense assim...

Contudo, MacArthur vai muito além da convicção teológica e demonstra ignorância, etnocentrismo e deletério preconceito racial. Parece crer que não há protestantes na América Latina. Deve imaginar  que o nauseante muro que divide o seu país do México são como as Muralhas de Jericó,  ainda intactas, a separar o povo de Deus estadunidense das hostes pagãs da América Latina; Ou ainda, em seu delírio xenófobo imagina que, para além do Rio Grande, o Jordão yankee,  não há alma remida em Cristo.

MacArthur, certamente, recebe os royalties de seus livros traduzidos para o espanhol e o português, mas deve pensar que os mesmos, tão logo impressos, são exportados de volta aos Estados Unidos para a alegria dos “cucarachas” salvos da Califórnia. 

E não duvide que ele pensa que somente nos Estados Unidos haverá arrebatados, como promove a sua crença escatológica tosca. E, aqui, eu concordo com ele! Pra mim, só serão arrebatados os crentes de Hollywood, aqueles dos filmes da série “Deixados para trás” (Deixados para trás das pregações expositivas sérias e das aulas da escola bíblica, risos.)

Triste e lamentável, Sr. MacArthur. Que demonstração de arrogância racista, xenófoba! 

Será mesmo que a maioria dos teólogos estadunidenses pensa que na América Latina só há índios convertidos por jesuítas? Eu sei que não! Tenho muitos amigos teólogos daquele país. Mas, vez por outra, nos decepcionamos com tamanha ignorância e etnocentrismo.


Protestos


Na internet, protestantes de diversos países hispânicos dispararam críticas ao extraordinário desconhecimento da presença de centenas de milhões de pessoas em comunidades presbiterianas, batistas, metodistas, congregacionais e centenas de outras confissões evangélicas em países latino-americanos. 

Com tantas decepções entre os pregadores estadunidenses da internet, vai ai mais uma. E que sirva de lição aos que gostam de convidar estrelas “importadas” para vir pregar no Brasil! Aos organizadores se recomenda, cautela e que deixem desta prática de ofertarem a estes reis da empáfia somas superiores às dadas aos pregadores brasileiros. Tanto mais, que a prática mostra que sempre se ouve mais do mesmo, recheado de algum preconceito. E vamos adiante: Que se exija alguma investigação ANTES de oferecer a destra da comunhão a estas estrelas do púlpito estrangeiro.



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