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Dois Franciscos e a visão cristã sobre o meio ambiente e o pensamento conservador


Os ensinamentos cristãos do Papa sobre criação e meio ambiente não são nenhuma novidade para os fãs de Francis Schaeffer

Quarenta e cinco anos separam os dois trabalhos mostrando a convergência entre católicos e protestantes sobre o tema ambiental

John Murdock
Para CT USA
Tradução, adaptação 
e notas de Danilo Fernandes



Começa assim: 

“O que eles fizeram com a nossa formosa irmã?”.

Se você teve a chance de examinar a mais recente encíclica papal, a segunda do papa Francisco, "Laudato si (Louvado Seja) - sobre o cuidado da casa comum” (1) você, provavelmente, imagina de onde procede esta citação. Afinal de contas, já na segunda frase este nos introduz a “nossa irmã, mãe terra”, e, adiante, já se lê: “Esta irmã nos grita em dores de parto por conta do mal que infligimos a ela”.

Contudo, para surpresa de muitos, apesar da semelhança, estas primeiras frases não procedem do Vaticano, tão pouco do papa Francisco, mas de um OUTRO Francisco —o protestante Francis Schaeffer. Estas são as frases que iniciam o que bem poderíamos chamar de encíclica evangélica sobre o cuidado com a nossa casa comum (nosso planeta): Pollution and the Death of Man (Poluição e morte do homem), livro publicado em 1970 e que segue sendo reimpresso até hoje. E que agora, sob a luz da recente encíclica papal sobre o meio ambiente, merece uma nova leitura.

No início de sua longa exploração da relação da humanidade com (e na) criação de Deus, o papa Francisco buscou citações e inspiração no Cântico das Criaturas , escrito do século 13 por seu xará de Assis, na Itália, o São Francisco, de quem este tomou seu nome papal. Já o outro Francisco, o ministro presbiteriano de Germantown, Pensilvânia, sempre fiel à sua propensão para se envolver com a cultura contemporânea de seu tempo, citou até The Doors no seu livro ambientalista (2).


Os evangélicos, naturalmente, não reconhecem papas entre os seus pares, tão pouco conferem louros espirituais oficiais (3!?). Contudo, pouco mais de dez anos depois de sua morte a revista Christianity Today (edição americana) meio que “canonizou” Francis Schaeffer estampando em sua capa ( de 1997): Schaeffer ," Nosso São Francisco ".


Já em seu livro de 2008 , o biógrafo Barry Hankins disse que Schaeffer foi "o evangélico americano mais popular e influente de seu tempo na reformulação atitudes evangélicas para com a cultura, ajudando a mover os evangélicos do seu habitual sectarismo na direção do engajamento político”.

Francis Schaeffer popularizou a ideia de uma cosmovisão que não tem medo de olhar o mundo como este de fato é; sendo capaz de elogiar o que é bom, diagnosticar o que é mal; sempre direcionando a sua audiência à plenitude cultural que há em Cristo.


Durante décadas, Francis e sua esposa, Edith, receberam andarilhos espirituais no famoso retiro L'Abri (4) nos Alpes suíços. E a partir deste sitio improvável, com seu indefectível cavanhaque e vestindo knickerbockers (5), Schaeffer escreveu, lecionou e filmou pavimentando o seu caminho na construção de uma influência cultural sem paralelo no evangelicalismo americano. Apenas Billy Graham teve um impacto global maior sobre esta subcultura, do que FS, isto já na segunda metade do século 20. Mas no reino da política, Schaeffer, provavelmente, fez mais do que Graham para moldar as coligações partidárias que ainda são relevantes hoje em dia.

No final dos anos 1970 e início dos anos 80, Schaeffer foi a figura-chave na organização evangélica de oposição ao aborto e à interferência abusiva do judiciário e do governo na vida das pessoas (6). Jerry Falwell Sr., cuja organização Maioria Moral foi amplamente creditada nos esforços para eleger o presidente Ronald Reagan, afirmou que Schaeffer "me mandou colocar as luvas de boxe e me empurrou para o ringue." Schaeffer também convenceu Falwell e aliados a superar a cultura de isolamento típica dos evangélicos e dar as mãos aos católicos e outros "co-beligerantes" na luta pelos valores conservadores. Obviamente, Schaeffer não organizou sozinho a direita religiosa, mas é improvável que esta não tivesse surgido com a importância e a força que surgiu, não fosse a sua preciosa influencia.

Com Edit Schaeffer, esposa de Francis Schaeffer veio a tornar-se também ela uma autora com seu próprio mérito.

Cuidar de nossas criaturas companheiras

Dada a atual tendência dos religiosos conservadores religiosos – tanto mais os evangélicos conservadores brancos que, em geral, não demonstram a menor preocupação com as questões ambientais – muitos irão se chocar ao saber que o “padrinho” do movimento da Direita Religiosa focou uma de suas primeiras obras publicadas fortemente na questão verde. Schaeffer adorava passar tempo ao ar livre; sempre lamentou muito as ações humanas que degradavam a beleza da natureza e, para se ter uma ideia do seu ativismo, nos seus últimos 36 anos de sua vida recusou-se a possuir um carro.

Schaeffer era um crítico ácido dos elementos filosóficos dentro do movimento ambientalista, nascente naquele momento, defendendo que a solução NÃO era o ostracismo, praticado regularmente hoje, mas, ao invés disto, exultava a igreja a liderar pelo exemplo, colocando-se diante do mundo como um "projeto-piloto" capaz de demonstrar que a "cura substancial" da Criação é algo possível aqui e agora.












Notas do Tradutor


(1) Recomendo fortemente a leitura de Louvado Seja diretamente no site do Vaticano, onde se acha o texto completo. Um primor: http://w2.vatican.va/content/dam/francesco/pdf/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si_po.pdf

(2) The Doors, o conjunto de Rock de Jim Morrison. Francis Schaeffer ganhou notoriedade no meio evangélico, sendo a base intelectual do meio mais conservador nos EUA. Por outro lado, em L'Abri dialogou dialeticamente questões sociais, religiosas e espirituais com mães solteiras, hippies e homossexuais. Sua filosofia atraiu gente de várias tribos. Não era incomum que letras de standarts da cultura moderna como o The Doors e os Beatles fossem usados para exemplificar questões em discussão. Schaeffer era conservador, mais muito “antenado”. Um camarada no espirito do Aerópago.

(3) Obviamente o autor estadunidense desconhece o evangelicalismo tupiniquim, com seus papas, apóstolos e semi-deuses.

(4) Criou a comunidade L’Abri (do francês, "O Abrigo"), na Suíça. Opondo-se ao modernismo teológico, à chamada neo-ortodoxia, Schaeffer defendia uma fé baseada na tradição protestante e um enfoque pressuposicional na apologética cristã. Alguns teóricos creditam às ideias de Schaeffer o despertamento das Direita cristã.


(5) São calças largas e curtas até acima da canela. Em geral usadas para andar de bicicleta ou jogar golf. Acima há uma foto de FS com vestindo um par.

(6) Uma visão ampliada do tradutor para o termo “judicial overreach” o goverment overreach.



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