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Dietas como religião




Em termos sociais, as dietas funcionam como uma religião.
Não, não é exagero.

Uma religião é um conjunto de crenças e dogmas em torno de um objeto de culto e que regulam a vida das pessoas.

Como objeto de culto, temos o corpo perfeito, ideal.

Como sistema de crenças, temos a ideia de que ser gordo é mau, feio, e ser magro é bom, belo e limpo, e que não há outra maneira de se perder peso a não ser fazendo dietas.

Essas, por seu lado, em vez de meros procedimentos alimentares, transformam-se em um ritual de expiação e ascensão espiritual, purificação. Se você está mal, perdeu o emprego, brigou com a namorada, está down, a mera decisão de fazer uma dieta já a deixa high.

A sensação de euforia e onipotência de quando se começa a emagrecer só tem paralelo no êxtase místico e substitui o sentimento de valor e virtude. Uma vez tomada a decisão de fazer uma dieta, é tão grande a liberação de energia que será mobilizada para regulá-la drasticamente, que haverá a sensação paralela de ser maravilhosa, pura, perfeita. Nada nos perturba até que a dieta seja rompida e comecem as recriminações.

A contrapartida da deificação da dieta é o estado tortuoso da compulsão de comer. Este é o “pecado” no qual os fiéis fatalmente incorrem, e a condenação do inferno da culpa leva a um novo ciclo de virtude–dieta até que tudo caia novamente na tentação.

Propomos, aqui, um sistema de valores mais consistente:

Começa pela autoaceitação, que absolutamente não significa resignar-se a ser gordo.
Passa pelo bom senso e por devolver às pessoas o direito de serem “médias”, de comer aquilo de que gostam e de que seus corpos precisam fazer exercícios pelo prazer do movimento, e de se relacionarem com seus corpos de forma tranquila.
Reaprender a comer pelo único motivo que justifica fazê-lo e assim livrar-se de uma ligação tirânica e atormentada com a comida e usar a energia antes aprisionada nessa ligação no que realmente importa em suas vidas.


Como religião mesmo, fique com a sua, se quiser se conectar com aspectos espirituais. Quase todas as religiões pregam valores, ação coerente, melhorar-se como pessoa, dedicar-se ao próximo, doar-se. Algumas práticas meditativas ajudam no domínio da ansiedade e a ficar no aqui e agora.

Quanto mais saudável a pessoa, mais responsável por seus atos ela é, tanto pelo que ela faz quanto pelo que ela fala e pelo que ela sente.

O que acontece se a pessoa ignora o aspecto espiritual? Ela aproveita a viagem (vida) e elimina as metas (espiritualidade).

O dr. Victor Frenkel fala que hoje em dia existe a repressão da espiritualidade, numa espécie de “anorexia espiritual”!

Dica:

Trabalho voluntário. Você determina os limites. Não importa quanto você pesa e todos ganham!

Lembretes espirituais:

Mais perigoso do que o que você come é o que come você.

Aprenda a lidar com a raiva, sua e dos outros.

Gula e prazer são sentimentos diferentes.

Gula é o prazer imediatamente seguido de culpa.

Prazer é um sentimento cumulativo, que integra prazeres sensoriais, nutrição adequada, compartilhamento e gratidão.

Em vez de sentir-se no exílio de si mesma, conecte-se com a sensação de relaxamento e abundância – essa não é a última festa, o último sorvete. Vivemos numa era de abundância. Senti-la significa poder desfrutar da confiança crucial de que, assim que tivermos fome, teremos comida; não é preciso temer.



Gostou? Este texto foi extraído do livro E foram magros e felizes para sempre, de Elisabeth Wajnryt. Conheça AQUI.





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