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Brasil Holandês: a primeira experiência de ampla liberdade religiosa das Américas




Eu ando quase obcecado com o Brasil Holandês, em especial com o ambiente de liberdade religiosa que Mauricio de Nassau possibilitou em pleno Nordeste do Brasil entre 1625-1692. É fascinante a experiência da primeira igreja reformada do Brasil, que colocou no mesmo nível social irmãos europeus e indígenas a ponto de termos, neste breve tempo, índios potiguares em posições de liderança. Algo impensável no cenário colonial português, no Brasil Holandês índios chegaram a postos de liderança civil, religiosa e militar e chegamos a ter –pasmem- um caso caso onde um índio, Poty, chegou a tal nível de liderança que até tinha um secretário europeu! Pedro Poty, o indígena reformado, também foi o primeiro protestante a ser martirizado pelos católicos nas Américas.

Entre tantos fatos surpreendentes e uma excelente aproximação do que seria a mente reformada daquele tempo – tão diferente da nossa- o livro da Jaquelini de Souza que me foi presenteado pelo meu pastor Davi Charles Gomes iniciou esta compulsão que me levou a tantos outros livros.

Mas o meu interesse não se limita a experiência reformada do Brasil Holandês, mas também a saga judaica na América holandesa. Reformados e judeus encontraram juntos no Recife do século XVII a oportunidade de exercer a sua fé com liberdade. Eu já tinha um bom conhecimento sobre o assunto a partir do meu convívio na comunidade judaica de Recife na década de 90. Conheci naquela cidade a primeira sinagoga das Américas. Pude visita-la antes e depois da fabulosa restauração.



Tão fascinante quanto a experiência reformada, a saga dos judeus na comunidade de liberdade religiosa no acolhedor Brasil Holandês permitiu situações impensáveis no ambiente Europeu. A aventura dos que deixaram a Europa em busca de um novo lar na América tropical, a sua experiência no nordeste e a sua posterior fuga do Recife, com o fim da experiência holandesa, e a sua chegada aos Estados Unidos para fundar a comunidade de Nova York é tema do fascinante e recém lançado livro de Paulo Carneiro, Caminhos Cruzados.

Recomendo fortemente os dois livros. Juntos irão criar uma dimensão histórica da religiosidade brasileira que se contrapõem ao que já recebemos do caldo de cultura dominantemente católico. A experiência os ajudará a perceber o evangelicalismo brasileiro de uma forma totalmente diferente. História produz na mente efeito semelhante ao de uma estada no exterior: Um mergulho em outra cultura nos faz ver a nossa realidade sobre outro prisma, mais aguçado, menos etnocêntrico, real.

O livro de Jaquelini de Souza A primeira Igreja Protestante do Brasil editado pelo Mackenzie pode ser encontrado na livraria da Universidade. Não pude encontrar link para a compra online, mas vocês podem ler a dissertação de mestrado na qual o livro se baseia no link a seguir:



Já o livro Caminhos Cruzados, você encontra no site da editora no link a seguir:










http://www.sefer.com.br/details/13780/caminhos-cruzados

Caminhos Cruzados

O livro tem prefácio de Reinaldo Azevedo 

O livro resgata saga dos judeus do Recife no século XVII, desde a expulsão da Espanha em 1492 à fundação da comunidade de Nova York

Autor destaca a conversão forçada em Portugal, a resistência à Inquisição, o oásis de liberdade no período de Nassau no Nordeste e as marcas culturais fincadas ao longo da jornada

Descendente de cristãos-novos, com influências negra, indígena e holandesa, o pernambucano Paulo Carneiro narra em “Caminhos Cruzados” a história dos judeus do Recife no século XVII, que construíram no Brasil a primeira sinagoga das Américas. A saga começa com a expulsão da Espanha, em 1492, e avança até 1654, quando 23 judeus oriundos de Pernambuco desembarcam na então colônia holandesa de Nova Amsterdã e fundaram o que viria a ser a comunidade judaica de Nova York, a segunda maior do mundo depois de Israel.

Carneiro recupera detalhes do ambiente em que se deu a diáspora espanhola, passando pelo abrigo em Portugal, a participação de cientistas judeus no projeto das explorações marítimas e a conversão forçada ao catolicismo, em 1497. Além disso, conta como foi a batalha movida pelo rei D. João III junto ao Vaticano para instalar a Inquisição no reino, marco da decadência do império marítimo português, segundo o historiador britânico David Landes.

Para o autor, “Caminhos Cruzados” recupera um capítulo importante da história do Brasil, geralmente ofuscado pelo brilho da Corte de Maurício de Nassau. No Recife, a sinagoga Zur Israel, hoje restaurada, é espelho dessa herança, assim como a Ponte Maurício de Nassau, originalmente construída pelo judeu Baltazar da Fonseca. Em Nova York, as lápides do primeiro cemitério ostentam nomes de judeus pernambucanos e a Estátua da Liberdade traz no pedestal um poema de Emma Lazarus, descendente dos pioneiros saídos do Brasil.

No cruzamento dos caminhos temporais e seculares, Carneiro revela que o ex-rabino do Recife, o erudito Isaac Aboab da Fonseca, presidiu o tribunal rabínico que excomungou Espinoza, em Amsterdã. Por ironia, os antepassados de ambos estiveram juntos na fatídica diáspora espanhola.



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