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Prefeitura de SP pagou R$ 136 mil por torneio de futebol da "igreja" Bola de Neve




ESTADÃO



Há pelo menos três meses, o blog tem pesquisado a respeito de convênios firmados pelas secretarias de Esportes municipal (SEME) e estadual (SELJ) de São Paulo. A partir desta quarta-feira, o leitor terá acesso a algumas dessas “barbaridades” dos repasses realizados pelas pastas que, nos últimos dois anos, foram controladas pelo PTB, com Celso Jatene na Prefeitura e José Auricchio Júnior no Estado.

Para começar, que tal um campeonato de futebol society entre integrantes de uma igreja evangélica ao custo de R$ 136 mil ao município, com jogos apenas em cinco noites de sextas-feira entre agosto e setembro do ano passado? A transferência foi feita de forma voluntária pela SEME, para o Instituto Paulista de Arte e Música (IPARTE) – caso o leitor quiser uma entidade sem fins lucrativos que organiza casamentos, eles também fazem esse trabalho.





A entidade tem seis dirigentes, apenas: Osmar Augusto Oliveira (pai), Cátia Machado Marcondes de Oliveira (mãe), Daniel Augusto Marcondes de Oliveira (filho), Marcus Vinicius Chebl, Diego Jovaneli Chebl (pai e filho) e Dirceu Soares Ribeiro, descrito por Osmar, o líder do IPARTE, como “um amigo”.

A entidade funciona na casa da família Marcondes Oliveira, no Butantã, e o telefone do IPARTE é o residencial. Osmar trabalhou por diversos anos na Câmara Municipal de São Paulo, passando pelos gabinetes dos vereadores Eder Jofre, Turco Loco e Baratão.

De lá veio a experiência em projetos, como o da Copa dos Bolas de Futebol Society: “Evento de confraternização esportiva, com caráter de competição, sem, contudo, levar ao extremo essas disputas, objetivando cada vez mais a integração entre jovens da capital paulistana (sic), com o intuito de motivá-los à pratica esportiva, de equipe e individual”.

O próprio Osmar conta o que não diz o plano de trabalho entregue à prefeitura: “‘Os Bolas’ é um pessoal ligado à igreja evangélica Bola de Neve. Como não podia fazer evento religioso, a gente mudou de nome. Pegamos as células deles”, contou o dirigente ao blog. Ele garante que dois times de fora da igreja também participaram do torneio.

Na prática, entretanto, o torneio nada mais foi do que um campeonato entre amigos em (prometidas) cinco rodadas de sextas-feiras à noite (jogos das 18h às 23h). Diferente da maior parte dos torneios amadores disputados nas quadras de futebol society espalhados pelo País, a Copa dos Bolas teve privilégios impensados, ainda que os preços não estejam MUITO acima do praticado em outros convênios. Afinal, contava com verba pública.

Foram comprados 40 troféus, apesar da expectativa de participação de 20 equipes. Cada um custou R$ 210. Outros R$ 5.400 foram gastos em medalhas. Só em árbitros e mesários, mais R$ 15 mil. A cada dia, duas ambulâncias (uma para cada quadra alugada, uma colada na outra), num total de R$ 19.500. O IPARTE ainda comprou 450 camisetas, gastando quase R$ 10 mil.

Não para por aí: o Copa dos Bolas ainda teve: gerador (R$ 4,2 mil), tendas de apoio (R$ 1,5 mil), vans para transporte dos atletas (R$ 4 mil), bolas (R$ 1.275), lanches para os atletas todos os dias (R$ 12,9 mil), kit de alimentação para árbitros (R$ 1,4 mil), água, isotônico e frutas (R$ 3,8 mil). Cada um dos 1.200 lanches (2 unidades de pão francês com “recheio proteico”, um suco e uma fruta) custou R$ 10,75 ao bolso do contribuinte. Isso sem contar o valor de locação das quadras: R$ 13,8 mil. Apesar de o evento ter acontecido no Clube Nacional (em frente aos CTs de São Paulo e Palmeiras), o dinheiro foi repassado à Book Brasil, uma empresa de fotografia que também forneceu fotos (R$ 8,5 mil) e filmagem (R$ 9 mil), valores utilizados como contrapartida do IPARTE à SEME pelo convênio. A Book também alugou as cinco vans.

Três orçamentos sambarilove






Chamam a atenção, ainda, os orçamentos de contabilidade apresentados à prefeitura. Mesmo sendo de três empresas diferentes, eles têm absolutamente o mesmo texto e a mesma diagramação. Tudo para não entrar numa fria.


Ou seja, mais uma vez, vemos o pessoal do Bola pisando na bola em questões éticas. Agora, participando de cambalachos com dinheiro público. 





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