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50 TONS DE PALPITE…


Dani Marques


A essa altura do campeonato você já deve ter escutado no mínimo umas 50 opiniões a respeito do filme mais polêmico e esperado dos últimos tempos: 50 Tons de cinza. Faz um tempo que venho ensaiando um artigo a respeito. Cheguei a pensar em silenciar e apenas observar, afinal, o que seria mais uma gota num oceano de artigos, comentários e opiniões? Mas como alguns leitores que acompanham meu trabalho solicitaram uma orientação, resolvi me posicionar. Senti-me honrada pela confiança, mas ao mesmo tempo receosa, pois a responsabilidade é grande. Não posso abrir a boca e dizer o que me vem a mente, preciso antes analisar e ser criteriosa com minhas palavras, afinal, estamos lidando com vidas.

Não, não acho que seja ético, edificante e saudável artigos em tom de ameaça: “Se assistir vai trazer maldição para sua vida!” ou “Isso é armadilha de Satanás, cuidado para não cair!”. Mas por outro lado, entendo que seja sensato filtrar e selecionar aquilo que assistimos ou escutamos. Ninguém em sã consciência se alimentaria de fezes, não é mesmo? Por isso estou aqui para, junto com você, analisar o conteúdo do filme e quem sabe chegar a uma conclusão sadia.

Sem meias palavras – e quem me acompanha sabe que costumo usar palavras inteiras – é óbvio que o filme é capaz de dar o maior tesão até no monge mais santo! O romance, os encontros, os olhares, a sedução, a sensualidade… A mocinha virgem e ingênua sendo seduzida por um charmoso e abastado predador. Oras bolas, somos seres humanos! A nossa carne deseja isso, temos essa inclinação natural. Entendo que para uma análise saudável seja necessário admitir este fato e também trazer à tona algumas verdades:

– Você assiste BBB, minisséries e novelas da globo e condena quem assiste 50 tons de cinza? Ah! Faça-me o favor! Isso se chama hipocrisia.

- “Mas Dani, o filme contém cenas de violência física!” E o Datena, UFC, seriados, jogos e filmes recheados de tiros, mortes e sangue? Violência na mesma medida. Por que tanto alarde?

- “Mas isso é pornografia escancarada!” Sim, concordo. É o mesmo tipo de material que muitos padres, pastores, líderes de ministério, esposas, maridos e bispos acessam semanalmente… às escondidas. A única diferença é que, os que assistem 50 tons de cinza, não tem vergonha de mostrar a cara.

Também não podemos esquecer que o prazer na violência física sexual está na mesma prateleira da falta de respeito, da promiscuidade, mentira, dependência química, roubo, intrigas, estimulo a vaidade, consumismo, adultério e manipulação religiosa. Produtos estes apresentados diariamente em novelas, filmes, seriados, jogos de videogame, desenhos de classificação livre e até (pasmem) em programas religiosos! O filme 50 tons de cinza é apenas mais um produto diferenciado no mercado da degradação do ser humano e desvalorização da família.

Uma pessoa madura mental e espiritualmente – sem problemas ou distúrbios em sua sexualidade – que decide assistir o filme, seja por curiosidade ou necessidade profissional, pode até sentir tesão em algumas cenas, mas o conteúdo não fará nem cócegas em seu cotidiano ou relacionamentos. Será apenas mais um título na lista do seu catálogo de filmes já assistidos. O sujeito vai voltar para casa com uma opinião a respeito da produção e continuar desfrutando de seu relacionamento saudável. Sua fé e valores permanecerão intactos.

Mas é preciso deixar o alerta: tomar um copo de cerveja quando se luta contra o vício do alcoolismo é dar um passo em direção ao abismo. Pessoas com distúrbios em sua sexualidade, desejos reprimidos, que sofrem com traumas do passado, viciadas em pornografia, vítimas do sexo doentio, com problemas no casamento ou jovens imaturos não deveriam assistir por um único e importante motivo: preservação da sua saúde física, espiritual e emocional. Se você é fraco nessa área (e é preciso muita coragem e maturidade para admiti-lo) é bem provável que se sinta fortemente tentado a trazer as cenas surreais para a vida real.

Um casal que chegou ao ponto de optar por um sexo violento como tentativa de apimentar a relação é porque se perdeu há muito tempo. É como, em meio a fome, recorrer a um prato de frituras quando se sofre de colesterol. O prato gorduroso (e talvez delicioso!) será apenas um paliativo para amenizar o problema, que não vai desaparecer, muito pelo contrário. Uma pessoa que opta por práticas como essas, passa a nítida mensagem de um grande vazio interior e traumas psicológicos causados por experiências passadas (e o filme vem revelar esta verdade na vida Christian Grey, o protagonista). Ninguém acorda da noite para o dia com vontade de praticar um ménage ou sadomasoquismo. A fantasia, seja ela qual for, só chega a se concretizar depois de ter sido muito bem alimentada. Neste caso, 50 Tons de Cinza seria apenas um empurrãozinho a mais para o sujeito cair de cabeça na fantasia doentia.

Toda atitude que eleve a autoridade do corpo sobre a mente é destrutiva, por mais inocente que pareça ser. Ou seja, domine seu desejo antes que ele domine sua mente e em seguida, devaste a sua vida. Ceder a todo e qualquer tipo de desejo, passando inclusive por cima dos valores morais, leva o indivíduo a um caminho sombrio, perigoso e muitas vezes sem volta. Jovens são imaturos em suas escolhas, tem prazer no perigo e no desconhecido. São mentes vulneráveis, mesmo que neguem até o fim. Costumam arriscar a própria vida em troca de aventura e prazer. Veja por exemplo o caso do estudante norte-americano que, após assistir o filme, repetiu as cenas de violência com sua namorada. A atitude acabou sendo caracterizada como estupro e agressão física, e o rapaz terminou atrás das grades. E este é apenas um dos casos divulgados. Imagine quantos outros não estão ocultos pelos quartos e motéis deste mundão de Deus? O filme é um prato cheio para as mentes fracas e vulneráveis.

Assim como em qualquer outro filme hollywoodiano, a história apresentada é fantasiosa. O glamour e o romance vividos por Christian Grey e Anatasia são surreais. Machucar alguém não é legal e nem tampouco aceitável, seja qual for o cenário e o contexto. E a indústria cinematográfica não está nem um pouco preocupada em repassar este alerta. O que eles querem mesmo é dinheiro às custas da sua degradação moral. Te ensinariam a matar se fosse preciso! (ops! isso eles já fazem…).

Circula na internet a carta de uma psiquiatra a respeito do filme. Aqui está um trecho que vale a pena ser compartilhado:

“Christian Grey foi terrivelmente negligenciado quando era uma criança. Ele está confuso sobre o amor, porque nunca experimentou a coisa real. Em sua mente, o amor está emaranhado com sentimentos ruins como dor e o constrangimento. Christian gosta de machucar mulheres de formas bizarras. Anastasia é uma menina imatura que se apaixona pelos olhares e pela riqueza de Christian, e tolamente segue seus desejos. No mundo real essa história iria acabar mal, com Christian na cadeia e Ana em um abrigo – ou morgue. Ou Christian continuaria batendo em Ana, e ela sofreria como nunca. De qualquer maneira, as suas vidas não seriam um conto de fadas. Confie em mim.“

É o caso do garoto norte-americano que citei anteriormente. O final “feliz” terminou dentro de uma cela.

A psiquiatra continua: “Uma mulher psicologicamente saudável evita a dor. Ela quer se sentir segura, respeitada e cuidada por um homem que ela pode confiar. Ela sonha com vestidos de casamento, não algemas; Um homem psicologicamente saudável quer uma mulher que sabe se defender por si mesma. Ele quer uma mulher que o corrija quando ele sair da linha; A decisão autodestrutiva é uma má decisão; Álcool, sexo e manipulação norteiam a relação – sadomasoquismo dificilmente seria uma decisão racional; Se Anastasia quisesse ajudar pessoas emocionalmente perturbadas, ela deveria ter se tornado uma psiquiatra ou uma psicóloga (e não vítima do ser humano doente). O filme borra as diferenças entre o que é saudável e o que não é, de modo que você começa a se perguntar: o que é saudável em um relacionamento? O que é doentio? Há tantos tons de cinza … Eu não tenho certeza […] Não há margem para dúvidas: uma relação íntima que inclui violência, consensual ou não, é completamente inaceitável.“

Se mesmo depois de todas essas informações decidir por assistir 50 tons de cinza, então entre no cinema com a consciência de que o enredo é surreal, maléfico e degradante. Não tome como exemplo a ser seguido e não tente copiar, a não ser que tenha prazer em se autodestruir. Outro conselho: evite expor sua mente a esse tipo de informação. Por que? Quando o fazemos com certa frequencia, aquilo que antes nos trazia repúdio, passa a não parecer mais tão ruim assim. Os profissionais chamam este processo de anestesiamento. Os nazistas, durante a segunda guerra, recorriam a esse método para que pais de família chegassem ao ponto de matar crianças e grávidas sem remorso algum. Expunham o indivíduo a cenas fortes de violência, até que fossem capazes de matar filhotes de cachorros sem dificuldades. Depois disso era só uma questão de tempo para que estivessem matando bebês com naturalidade e até prazer.

Em outras palavras: “…tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. Fp 4:8

Sim, precisamos filtrar o que assistimos e escolher a dedo o que entrará ou não em nossa mente. Os olhos são a lâmpada do corpo, se eles absorvem trevas, todo o nosso corpo estará trevas. Deixar o seu cérebro exposto ao lixo que é oferecido pela mídia é tapar os ouvidos para o conselho de Paulo, uma escolha consciente e igualmente insensata. Se optar por continuar caminhando nesta direção, em pouco tempo comportamentos como a poligamia, adultério, mentira, desrespeito, violência, fornicação, roubo, fofoca, maledicência, corrupção e inimizades não parecerão mais tão prejudiciais assim. Talvez até passem a fazer parte de sua rotina sem que perceba. É o tal do anestesiamento que citei anteriormente. E não, isso não é uma ameaça, mas constatação de fatos.

Se você é ateu e não está nem um pouco preocupado com o que Deus nos ensina, no mínimo (no mínimo!) dê ouvidos a psiquiatra (que até onde sei, não é cristã). Agora, se o sujeito professa a fé cristã não pode viver de qualquer jeito e assistir o que bem entende. Temos um modelo a ser seguido, Jesus Cristo, o Deus que se fez homem para ensinar a humanidade o jeito certo de ser gente. Ou assume de corpo e alma a sua fé ou a renega e vá realizar todas as suas fantasias. O que não vale é a hipocrisia:

“Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.” Apocalipse 3:15-16

Existem milhares de fontes seguras dispostas a te orientar a desenvolver um sexo deliciosamente saudável com o(a) amado(a) de sua alma. O blog Salve Meu Casamento é uma delas. Use e abuse dessa ferramenta! O sexo pode ser extraordinariamente bom dentro do casamento e com o seu cônjuge, eu garanto! Um homem que ama sua esposa a protege de seus devaneios sexuais, e vice-versa. Aqui o negócio é preto no branco. Se tiver que investir forças, tempo e dinheiro, que seja para tornar seu cônjuge um ser humano melhor!


Dani Marques é colaboradora do Genizah



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