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Sem trotes, membros da ABU recebem 'bixos' com convite para estudos bíblicos na USP

G1
Piracicaba



Veteranos convidam os novatos para atividades religiosas em Piracicaba. Membros da Aliança Bíblica Universitária dizem 'tranquilizar' pais e alunos.


Família de caloura é recebida por grupo cristão que é contra trote na USP (Foto: Suzana Amyuni/G1)


Um grupo de estudantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), campus da USP em Piracicaba (SP), se mobilizou para dar aos 430 calouros uma recepção bem diferente dos famosos e temidos trotes realizados nos últimos anos. Integrantes da Aliança Bíblica Universitária (ABU) acolhem pais e alunos com convites para orações e estudos cristãos, além de oferecer um ‘manual do bixo’, que reúne dicas acadêmicas e informações úteis da cidade para os novatos. “Como família cristã, achamos que esse grupo foi enviado por Deus. Isso nos tranquilizou”, disse o programador Marcos Rodrigues Moreno, que acompanhava a filha durante a matrícula na manhã desta quinta-feira (12).

Grupo faz convite para orações e estudos bíblicos a calouros da USP
em Piracicaba  (Foto: Suzana Amyuni/G1)
Criada há cerca de sete anos, a ABU é um órgão nacional que existe em várias universidades e realiza grupos de orações e estudos bíblicos semanalmente dentro do campus. “Nossa proposta é evangelizar. Levar ajuda e uma palavra amiga tanto para quem já ouviu falar de Deus, como para quem não ouviu. E fazer o aluno ficar bem, porque quando estamos em paz, todo o resto dá certo, as provas, a moradia, o fato de ficar longe da família, tudo fica mais suave”, falou a aluna do terceiro ano de biologia Camila de Paiva Gomes.

A jovem é de São José dos Campos (SP) e decidiu ser voluntária porque sentiu na prática os benefícios do grupo. “Quando eu entrei na faculdade, eu fiquei com medo, era muita responsabilidade. E quando conheci pessoas que tinham a mesma fé, os mesmos princípios, eu percebi que não estava mais sozinha e isso me confortou”, lembrou Camila.
Questionada sobre preconceito, ela respondeu rápido. “Todos os dias. Porque estamos em um meio acadêmico, que só estimula a razão e o raciocínio. Mas isso não nos desanima. O grupo é justamente uma possibilidade de mostrar que, apesar de acreditar em Deus, de ter fé, nós conseguimos refletir e pensar racionalmente também”, afirmou a jovem que carrega a frase “Fé que pensa, razão que crê”, em uma camiseta.

Segundo ela, a ABU já tem muitos adeptos no campus. "Temos muitos professores e funcionários cristãos e isso nos dá força. Então, assim como há aqueles que têm preconceito, há aqueles que gostam e dão apoio", explicou.


Apesar de enfrentar preconceito, grupo religioso
ganha adeptos na USP (Foto: Suzana Amyuni/G1)

As palavras de Camila e o manual do bixo, que traz informações sobre moradias, horários de ônibus, restaurantes e contatos, deram alívio à família de Sara Giro Moreno, que vai cursar biologia na Esalq. “Eu achei muito legal, porque a gente fica perdido quando chega. Então, essas informações ajudam muito”, falou a jovem de 19 anos, que veio de Paulínia (SP).

A caloura é contra trotes violentos e já sabe a quem recorrer se precisar. "Eu até topo participar de brincadeiras saudáveis, mas sou contra esses trotes que abusam, que sempre ouvimos falar. Mas agora estou tranquila com tantas informações", falou.
O pai, todo orgulhoso, também ficou confiante. “É que apesar de tê-la orientado e de saber que ela é capaz, sempre dá uma apreensão por causa da mudança, então, encontrar um grupo assim traz algum conforto. Como eu disse, é um sinal de Deus mesmo”, falou o programador.


Caloura da Esalq, Mariana Raizer é recebida por
Natasha Valadares (Foto: Alessandro Meirelles/G1)

Acolhida

Natasha Valadares cursa o segundo ano de agronomia na Esalq e também é voluntária. Na quarta-feira (11), acompanhou de perto os passos da caloura Mariana Raizer no setor de matrícula. A novata tem 17 anos e veio de São Paulo (SP) estudar gestão ambiental em Piracicaba. As duas se conheceram na hora, mas pareciam amigas de longa data.

"Temos sim essa cultura de receber e 'cuidar' dos estudantes novos. Hoje conversei com alguns pais e os acalmei. Acho importante eles saberem que a Esalq não é trote e sim uma escola de excelência. Tudo que está acontecendo prejudicou a imagem da faculdade. Mas sempre lembro que o Cristianismo prega o livre-arbítrio. E aqui o importante é usar a liberdade com responsabilidade. É preciso fazer as escolhas certas", disse Natasha.

Ela contou que não se submeteu ao trote quando ingressou no curso. "Eu escolhi não receber (o trote). E tive orientação e apoio dos próprios alunos da ABU. Existem muitas coisas boas aqui", complementou.

Depois da boa conversa com Natasha, Mariana disse que já sabe como se prevenir. "Estou esperta", resumiu ela sobre um possível temor de brincadeiras de mau gosto. Ela tem um irmão que já estuda na Esalq e ainda não decidiu se ficará alojada em uma república.

"Estou decidindo, mas acho que tudo depende muito da cabeça de cada um. Não vou aceitar tomar pinga, por exemplo, só para ser aceita", comentou a jovem, que escolheu gestão ambiental por causa do sonho de realizar muitas pesquisas na área.

O início das aulas na Esalq será no dia 23 deste mês. A instituição informou que durante a primeira semana contará também a presença de promotores de Justiça no campus. A ação é fruto de um termo de conduta assinado nesta semana com o Ministério Público (MP-SP) para coibir e investigar os trotes. As atividades contarão também com entrega de donativos, mesa redonda sobre diversidade e intolerância, clínicas esportivas, oficinas sobre meio ambiente e apresentações sobre permanência, moradia e assistência médica, entre outros.

Alunos de Centros Acadêmicos da Esalq vendem souvenirs na matrícula (Foto: Alessandro Meirelles/G1)

CPI dos Trotes

Desde dezembro, estudantes estão sendo chamados para depor em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de São Paulo, que apura a violação dos direitos humanos em trotes de universidades brasileiras.

De acordo com os depoimentos, agressões, chibatadas, cuspe na cara, envenenamento e até ações de tortura fazem parte do ritual de entrada para os 'bichos', forma como os novatos são chamados. Durante os depoimentos à CPI, o estudante Felipe José Yarid afirmou que foi envenenado com um líquido agrícola que, jogado em seu corpo, tirou os movimentos e degradou a pele. Ele não conseguiu ir à faculdade por conta do efeito do veneno e trancou a matrícula durante um ano.


Estudantes relataram em CPI abusos e torturas
nos trotes da Esalq (Foto: Reprodução/EPTV)

O exame toxicológico apontou veneno no meu corpo. Eu não tinha movimento nenhum, não conseguia me mexer. Fui prejudicado, não conseguia fazer provas, não conseguia ir às aulas. Além disso, eu ainda fui suspenso por uma semana depois que tentei denunciar o caso para a diretoria da universidade", afirmou Yarid durante o depoimento.


Ritual de entrada

O ritual de entrada para os alunos no campus da USP em Piracicaba (SP) também conta com abusos, agressões que resultaram em fraturas e comida estragada. Em um depoimento prestado em sigilo aos deputados, uma aluna afirmou que quase foi abusada sexualmente em um dos trotes e que já ouviu muitos casos semelhantes ao dela na universidade.

"Eu escapei por pouco, mas sei que eles dopam as pessoas e abusam sexualmente delas em repúblicas. Eu também já vi muita gente ser agredida e quebrar braços e pernas", disse.

Comentário do Genizah


É grande alegria poder divulgar uma notícia destas. Um grupo fazendo a diferença! 

Estes calouros podem até não demonstrar grande interesse acerca das atividades da ABU ou, mesmo, estarem abertos a pregação do Evangelho no momento da abordagem, entretanto, estes jovens se lembrarão do cuidado e do respeito com o qual foram recebidos em um ambiente hostil e saberão reconhecer o caráter de Jesus nestes irmãos, assim, na prática, como deve ser.  Ao longo dos anos universitários, o Senhor fará a Obra nos Seus.

O ambiente universitário precisa muito de obreiros preparados para os seus desafios. É um campo atribulado, exige formação exemplar e estratégias únicas. Poucos se aventuram e, entre os que o fazem, raramente se encontra excelência. 



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