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E as luzes do Natal Começam a Piscar




O vizinho, que mora em frente à minha casa, foi a primeira pessoa neste ano de 2014 que vi a colocar as luzes que anunciam a chegada do Natal. Fui tomado de uma alegria imensa quando vi as lâmpadas piscando sem parar. Há quem diga que o Natal não passa de uma festa comercial. Nem pensar! Nada podia estar mais longe da verdade, pois a posse indevida da data pelo comércio e seu consequente apelo ao consumo, não conseguem apagar o que de belo e verdadeiro a data aponta.

Natal, para mim, tem a ver com algumas das melhores lembranças de minha vida. Como, por exemplo, no longínquo ano de 1979, então, com 05 anos de idade, acordei no meio da noite, com o barulho de papel sobre minha cabeça e, ao abrir os olhos, deparei-me com um pequeno caminhão de brinquedo. Aos gritos de alegria, pulei de minha cama e acordei a casa toda, dizendo que o "Papai Noel" havia visitado-me. Ainda tenho, em minha memória, o rosto bonito de minha saudosa mãe. Sem dúvida, muito satisfeita pela alegria proporcionada! Hoje, como pai, ao ver a alegria de minha filhinha quando presenteada, entendo perfeitamente aquele ar de graça da minha querida D. Rose!

Natal, também, para mim, tem a ver com casa cheia; com meus pais e irmãos; mesa farta; com abacaxi regado no vinho; com rabanadas, muitas rabanadas! Iguaria que, aliás, jamais gostei, porém presente em todas as mesas de todos os meus natais, até hoje. Tem a ver também - que coisa linda! - com vizinhos se confraternizando, um saindo da casa do outro, passando alguns poucos minutos, com a “simples” missão de desejar “Um Feliz Natal” para a toda a família!

Natal, para mim, remete-me a pré - adolescência, na década de 80. Quando reunido com amigos jamais vistos novamente, ficava na rua até meia-noite, esperando a hora de confraternizarmos - nos. Na verdade, na época, era uma das raras ocasiões em que nossos pais deixavam ficar até tão tarde acordados!

Natal, para mim, tem a ver com Alex, Ninho, Leandro, Flavinho, Alan, Fabinho, Paulo Sérgio, Mauro, Maurício, mais um Alex, Bicudo e outros, meus primeiros amigos! Aos quais, depois de mais de 25 anos, pouca coisa sei. Na realidade, quase nada! Contudo, habitam em minha memória, com os rostos e sorrisos que estampavam e que hoje estão apenas em minhas lembranças dos meus caros tempos de menino!

Natal, para mim, também tem a ver com Wanderlei Junior, Carlos Eduardo Godoy, amigos da escola e da adolescência. Muitos e alegres foram os Natais passados juntos.

Natal, para mim, também tem a ver com cartões de Natal. Muitos cartões de Natal! Trocados pessoalmente ou pelos Correios com os amigos e as amigas de minha escola. E eram muitos: os amigos, as amigas e os cartões! Um deles, escrito por Marcelle Souza, em 1989, dizia: “Pensar na pessoa que você gostaria de ser é desperdiçar a pessoa que você é”. Eu tinha 15 anos de idade no Natal de 1989. Até hoje tenho a mensagem de Marcelle guardada comigo!

Hoje, para mim, Natal tem a ver com Sandra e Simone, esposa e filha, respectivamente. E, confesso, como é bom ver a alegria de minha filha! Ela diz que é a melhor data do ano! E ai de quem disser o contrário! Também, tem a ver com meus sogros, Dinho e Sueli, que dormem antes do romper da meia – noite, sendo motivo de gozação e piada em nossa casa.

Finalmente, Natal, para mim, tem a ver com Jesus Cristo e seu nascimento entre nós, evidenciando o grande amor de Deus, afinal, como nos ensina o Evangelho de João 3.16: "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho...". Tem a ver com as muitas, mas muitas cantatas assistidas nas minhas amadas igrejas congregacionais em Ponte Seca, Andorinhas e Niterói, onde, com muita emoção, fui lembrado do grande amor de Deus pelos homens, entre os quais, graças a Ele, sou um. Não foram poucas às vezes, em que, em meus vinte e um anos de jornada cristã, me emocionei ao ouvir a mensagem natalina em forma do canto coral. Em uma delas, terminei o culto quase aos prantos! Ainda tenho lembranças de algumas! Apresentadas nas vozes doces das crianças, ensaiadas por Sandra. Na época, namorada e noiva.

Meu vizinho não me conhece. Mudou para cá, há poucas semanas. Não sabemos sequer o nome um do outro. Entretanto, já exerceu uma influência enorme sobre mim. As tímidas e poucas lâmpadas piscando sobre o muro de sua casa e de frente à minha, despertou uma multidão de sentimentos, lembranças, emoções de ontem e hoje. Sem conhecê-lo sou-lhe grato. Caio Fábio D’Araújo Filho, em uma fase mais branda, disse que somos mais abençoadores quando não temos consciência da instrumentalidade. Quando somos usados por Deus, sem nenhuma percepção ou controle sobre o curso dos acontecimentos. Sem saber, portanto, meu vizinho, em seu gesto pioneiro, abençoou-me. Trazendo à memória lugares, cheiros, sabores, rostos, sorrisos e gestos de minha infância, juventude e maturidade. Sem saber, ele já tornou o meu Natal de 2014 muito feliz!

E como ele foi o primeiro a fazê-lo por mim, faço agora, sendo, talvez, o primeiro para você:

A ele (claro!) e a você, desde já, desejo: Um Feliz Natal!

"... Porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo: É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor".
Lucas 2. 10 -11.







Idauro Campos. Pastor Congregacional. Mestre em Ciências da Religião. Autor do livro “Desigrejados – teoria, história e contradições do niilismo eclesiástico”. É Colunista do Genizah

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