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Salvos pela amizade


Manoel Silva

Cultivar relacionamentos significativos, sentir falta de uma boa companhia, o aconchego de um ombro amigo, o desejo latente de interagir com alguém são sentimentos que eclodem no íntimo humano revelando uma vocação ancestral imcorporada a natureza humana desde os primódios da humanidade.

O sábio Aristóteles disse em algum lugar que o homem é essencialmente um ser gregário , um animal politico, vocacionado para viver na polis com seus semelhantes. Deus soprou essa dimensão relacional no homem ao criá-lo e essa necessidade de interação plena se intensificou a partir do momento que viu que não era bom que o homem estivesse só.

O homem estava inserido em um lugar surreal, dominando a natureza, usando sua capacidade de administrar e gerenciando todas as coisas do Eden, dando nome aos animais que andavam ao seu redor em pares. Mas havia um vazio cósmico, uma falta de completude gigantesca latejando em seu peito solitário. Então, Deus “sacou” isso lhe presenteou com a criação de uma auxiliadora idônea, ou seja, alguém que lhe fosse compatível, igual e a ele. Depois que saiu de seu sono/anestesia, o homem viu diante de seus olhos estupefatos a silhueta de alguém igual a ele. Retirada de seu lado, como fruto da primeira operação cirúrgica da humanidade, a mulher seria sua perceira por toda a vida.

Interessante isso …apesar de Deus “passear” com Adão nas fantásticas trilhas de caminhada do Jardim do Eden, e comparecer todas às tardinhas na virada do dia pra bater papo com Adão lado a lado, Adão ainda não estava inteiro, faltava uma parte fundamental no quebra cabeça psicológico e comportamental de sua existência, e esse hiato era a necessidade de interagir com outro ser humano igualzinho a ele mesmo.

Aí Deus deu Eva de presente para o homem. No entanto, essa dimensão relacional perfeita que consistia em ter comunhão com Deus e consequentemente comunhão com o próximo, foi esfacelada na sua inteireza, devido a quebra do relacionamento com Deus, que derivou conseqüentemente na fragmentação no trato com Deus e no rompimento no trato com os outros seres humanos.

Ora, Isso eu ja sabia! você me diria, mas talvez o que você não saiba, é que um dia vamos ser redimidos e libertos das peias do pecado que nos prende e oprime, tão simples e tão somente através da amizade. Primeiro, dependerá de nosso relacionamento com Deus, depois, do nosso relacionamento com o próximo. Nessa ordem. Ame a Deus e ao próximo como a si mesmo, disse Jesus resumindo todos os mandamentos. Somente isso. Deus diz através Do apóstolo do amor, João, que se alguém não ama a seu irmão, não viu nem nunca conheceu a Deus “dos veras”, de verdade. Ora, então conhecer a Deus, ter relacionamento com Ele e amar os irmãos, é essencial para a salvação de alguém. Senão Jesus também não diria aos ativistas da religião, os que falavam em línguas, curavam enfermos e faziam muitos milagres em Seu próprio nome, NUNCA VOS CONHECI, afastai-vos vós os que praticais a iniquidade.

Conhecer a Deus e ser conhecido Dele é essencial.

Talvez passe na sua cabeça que não pode ser assim, que o que salva alguém é estar com o nome alencado no rol de membros de uma determinada igreja, é acumular um monte de cargos e ministérios, é garantir posição de status no staf da igreja, é levar um monte de gente pra aceitar Jesus “lá na frente”, é transpirar e suar a camisa pra obedecer todas as regras e leis comportamentais impostas pela igreja.

NÃO, e é aí que essa grande massa de desavisados que se aglomera dentro das igrejas se engana redondamente.

Vamos ser salvos pelo relacionamento que tivermos cultivado com Jesus e com nossos irmãos.

O fim dos tempos fará um retrocesso histórico que nos levará ao início de tudo, quando Deus andava e conversava com Adão na virada do dia. É isso que está no coração de Deus: um retorno a velha amizade que nos fará tão íntimos, que nos assentaremos com ele à mesa, recostados ao aconchego de seus ombros, comendo e bebendo na Sua presença. Nessa hora, seremos fundindos com o coração de Deus e nossos corações pulsarão numa só batida, vasados pela Glória Dele.

E infelizmente, os igrejeiros religiosos permanecerão do lado de fora, só chupando os dedos, como o pobre rico da parábola.


Do Manuel DC para o Genizah
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