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O diabo veio para ficar



Sandro Vaia
Blog do Noblat

Numa campanha eleitoral “a gente faz o diabo”, mas o que não contaram é que, depois da campanha, já eleitos, o diabo continuaria sendo feito.

Dois dias depois da apuração o Banco Central aumentou a taxa Selic, o que tiraria o pão da boca das crianças, segundo a propaganda eleitoral, os combustíveis aumentaram, a presidente reconheceu que a inflação que estava “sob controle” na campanha virou um problema no dia seguinte, e várias outras surpresas que podem ser resumidas assim: todo o saco de maldades que a oposição executaria se eleita foi aberta pela presidente reeleita.

Ou seja: se reeleito, faça tudo aquilo que você dizia que a oposição ia fazer. Não descansarei na luta contra a corrupção, dizia a candidata, mas a base governista da reeleita no parlamento opera os velhos truques regimentais para que a CPI da Petrobrás morra de senilidade precoce.

Da cartola do mágico saltaram notícias que estavam represadas para não sobressaltar as urnas: o desmatamento da Amazônia avançou 122% (na campanha a candidata insinuou que estava caindo), a miséria parou de cair, o desequilíbrio fiscal passou das medidas, as montadoras demitem mil por mês, e o crescimento do PIB de 2014 aproxima-se vertiginosamente do zero e o paradoxo do pleno emprego enquanto os gastos com seguro desemprego não param de crescer indica claramente que falta um parafuso estatístico para dar sentido a essa equação.

O truque dos truques, porém, estava reservado para alguns dias mais tarde: se a bola que você chuta contra o gol não entra de jeito nenhum, trate de aumentar o tamanho das traves, até a bola entrar, o governo mandou para o Congresso um projeto de lei que o autoriza a descumprir a Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO - e as metas de superávit primário que ele mesmo, governo, tinha fixado.

Com alguns malabarismos contábeis o déficit se transforma em superávit e estamos conversados. Isso disfarça, mas não elimina o problema principal: o governo está gastando muito mais do que arrecada. Cada vez mais.

À carranca da oposição (agora vitaminada por 51 milhões de votos) no Congresso junta-se a sede de vingança de certa base aliada ma non troppo que considera ter sido maltratada pelo governo na campanha eleitoral, e corre-se o risco de uma nova hecatombe, como a do decreto 8.243, esmagado na Câmara e correndo o mesmo risco no Senado.

Enquanto a presidente, a caminho da reunião do G20 na Austrália fazia uma parada técnica no Catar, o fogo amigo disparado por Gilberto Carvalho, que a acusou de não saber dialogar com a sociedade, e Marta Suplicy, que se demitia com uma carta fazendo votos que a presidente escolha uma “equipe econômica independente, experiente e comprovada” capaz de resgatar a confiança e credibilidade de seu governo” (nem Aécio Neves seria mais contundente),fazia ressoar na alma de petistas históricos, como o professor Eugênio Bucci, a sensação de que sangra em público “um sonho que não mais se reconhece”.

Parece que o diabo resolveu prolongar indefinidamente a sua estadia, saindo da campanha para instalar-se no mundo real.

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