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A Graça da Generosidade



Éverton Vidal

Todos gostamos de receber presentes. Apreciamos aquele simples agrado, aquela ajuda inesperada, que veio em boa hora e nos tirou de um sufoco, aqueles pequenos atos de gentileza no cotidiano, coisas simples, que, no entanto, demonstram o valor que temos para alguém. Mas e com respeito ao inverso? Dar, presentear, ajudar, ofertar... Neste caso, talvez nem sempre sejamos tão liberais ou prestimosos como poderíamos, deveríamos ou gostaríamos de ser.

Encontramos na Bíblia muitos exemplos de pessoas que deram de si e de seus bens em favor de outros. O exemplo do Cristo é o maior dentre todos, não apenas na Cruz, mas em toda sua vida o Mestre se dedicou a aproximar-nos do Pai, sem mérito algum de nossa parte. Dentre tantos exemplos encontramos na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios o dos irmãos da igreja da Macedônia, que fizeram uma coleta para ajudar os que sofriam de fome em Jerusalém. Tal atitude faz com que o Apóstolo escreva emocionado:

Irmãos, agora damos a conhecer a vocês a graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia. Em meio às muitas tribulações que puseram à prova essas igrejas, a grande alegria e a extrema pobreza delas transbordaram em riquezas de generosidade. Eu sou testemunha de que eles, conforme seus meios e até além de seus meios, com toda a espontaneidade e com muita insistência, nos rogaram a graça de tomarem parte nesse serviço em favor dos cristãos. Ultrapassando qualquer de nossas expectativas, eles se entregaram primeiramente ao Senhor, e pela vontade de Deus, também a nós. Por isso, insistimos junto a Tito para que termine essa obra de generosidade, que ele já havia começado entre vocês.II Coríntios 8.1-6 (Bíblia Pastoral)

Nessa carta direcionada aos irmãos da igreja em Corinto, São Paulo faz questão de dar a conhecer a graça concedida por Deus aos de Macedônia. É importante notar que o Apóstolo considera a capacidade e disposição para dar como uma graça, dom-poder provindo de Deus. Cristo certa vez disse que “mais bem-aventurado é dar do que receber”. Os macedônios haviam aprendido isso. Estava, cheios da graça, o Amor gerado pelo Pai independente de merecimentos, e esse Amor, transbordando entre eles originou o desejo de servir aos irmãos de Jerusalém, de forma que eles insistiram a São Paulo para que tomassem parte no serviço em favor dos irmãos de Jerusalém.

Ora, os macedônios não eram abastados. O texto diz que eles sofriam muitas tribulações e eram extremamente pobres, mas tais adversidades não impediram que eles transbordassem em riquezas de generosidade, e se tornassem exemplo eterno para nós.

Existem diversas maneiras de sermos bênçãos na vida de alguém. Podemos, por exemplo, imitar os macedônios e ajudar os que passam necessidades em outras localidades. Podemos presentear as pessoas especiais de nossa vida sem esperar dia de comemoração “oficial”. Podemos servir aos desconhecidos que passam pela nossa vida diariamente, até mesmo com um sorriso. O essencial, todavia, é permitir que a Graça que se derrama sobre nós, alcance o nosso coração e se transforme em atos de bondade e generosidade. E que esses atos não se prendam à ação automática de depositar valores nos gasofiláceos de igrejas. Nada contra. Porém, ofertar é mais que isso, é se entregar de alguma forma, em alguma medida pelo outro. Não é somente um ritual distante, feito muitas vezes tendo como causa o medo de Deus, a barganha ou a mera obrigação.

Dar, presentear, ofertar e demais ações dessa natureza faz bem ao ser. Mais bem-aventurado, mais feliz e causador de felicidade é dar do que receber. Não perdemos ao retirar daquilo que nos pertence algo para abençoar uma pessoa, um projeto ou instituição que faz um trabalho no qual acreditamos. Antes, plantamos sementes que ao seu tempo brotarão e frutificarão e os seus frutos alimentarão a nós e aqueles que amamos. Conquanto que seja feito sem a opressão do medo, ou compulsão de obrigação imposta (como se fosse um imposto), como produto espontâneo da graça duradoura derramada por Deus em nossos corações.

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Fonte: Re-Novidade
Imagem: "En la Cena ecológica del Reino" de Cerezo Barredo.


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