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Orfãos de Mães Vivas

Sou mãe, esposa e dona de casa em tempo integral por opção. 

Sim, por opção!


“Mas o que é isso? Nos dias de hoje, onde as meninas entram na escola já se preparando para o vestibular? Como alguém em sã consciência poderia optar por ficar em casa cuidando dos filhos? E pior, sem receber nada? Você é louca!”

Sim, podem me chamar de louca, desequilibrada, ultrapassada, insensata, careta… Essa foi uma decisão que meu esposo e eu tomamos em conjunto. Pesquisamos, lemos, conversamos, oramos, estudamos e chegamos a conclusão de que nossos filhos precisariam de uma mãe por perto em tempo integral. Estamos felizes assim, muito felizes! Para nossa família esta é a dinâmica ideal para o desenvolvimento sadio de uma criança. O dinheiro ficou curto? Sim, mas salário nenhum pagaria a alegria de poder acompanhar cada detalhes dos primeiros anos de vida dos nossos filhos, podendo dessa forma ajudá-los a se tornarem seres humanos mais equilibrados, seguros e centrados. Minha vida profissional pode esperar, a infância deles não. Entendo que muitas mães PRECISAM trabalhar, não tem a opção de decidir ficar em casa, seja pelo baixo salário do marido ou perda do cônjuge (morte/divórcio). Nesses casos, é compreensível que a esposa vá a luta (e que luta!). Admiro mulheres que PRECISAM ajudar no sustento do lar e ainda administram filhos, casa, compras, escola, saúde, reuniões, manutenção do carro e tudo mais, sim, porque poucos homens tem esta habilidade e senso de proatividade. Tenho muitas amigas queridas e familiares nessa situação. Oro para que o Senhor as fortaleça! Mas sei da angústia de muitas mães que sofrem com o peso dessa responsabilidade. Chegam ao final do dia exaustas, e poucas conseguem ter disposição para investir tempo em seus filhos. E digo investir não no sentido de presentes, mas de conversas, olho no olho, brincadeiras, contação de histórias, risadas, jogos e etc. Tempo! Isso é presente de verdade!

Nesses oito anos em casa já escutei de tudo. Fui criticada e elogiada várias vezes. Criticada pela abnegação e elogiada pela coragem. Comentários como os a seguir escutei diversas vezes. Compartilho já com resposta:

– Mas você SÓ fica em casa com as crianças? Não trabalha não? (Fique um dia inteiro no meu lugar e você vai ter noção do que é trabalho!) – Depois você não vai se sentir frustrada por não ter seguido uma carreira? O que você vai fazer quando eles crescerem? (A formação de dois seres humanos pra mim é mais importante do que qualquer carreira. Depois que eles crescerem penso nisso. Se decidi ser mãe, não faz sentido delegar esta função a terceiros, a não ser em casos de extrema necessidade.)
– E você não sente saudades de conversar com outros adultos? (Nunca conversei tanto com outros adultos como hoje! Faço amizades em parques, mercados, hospitais, escolas… Meus filhos transformaram minha vida social completamente, e pra melhor!)
– Ah! Prefiro trabalhar! Melhor do que ter que pedir dinheiro pro marido até para comprar calcinha! (Pedir dinheiro? Isso é coisa de casal que não aprendeu a viver “uma só carne” na vida financeira. O dinheiro é nosso, assim como os filhos, a casa, comida e roupa. Ele não me pede comida só porque eu cozinho. Não tem lógica.)
- Mas seu filho precisa conviver com outras pessoas, ele vai ficar muito apegado a você! (Crianças que passam os primeiros anos de vida com a mãe realmente ficam mais apegados, mas você resolve isso som os amiguinhos de rua, do prédio, priminhos… Ele vai ter a vida inteira para se socializar. Com 3 ou 4 anos vai para escola e este problema estará resolvido!)

Lares sem mães. Crianças órfãs de mães vivas. No meu ponto de vista esta é a explicação para a desordem que nossa sociedade se encontra. Filhos sendo criados por professoras e babás. Passam mais horas com terceiros do que com seus próprios pais.

Olhem pra trás e vejam que há não muito tempo, na geração dos nossos avós, os jovens e crianças não eram tão desequilibrados como nos dias de hoje. Ter a mãe por perto quando voltam da escola e presente nos primeiros anos de vida faz toda a diferença! E não, esta não são palavras minhas, mas de profissionais da área. As livrarias e internet estão repletas de materiais que comprovam esta afirmação. Sei que muitas mães não tem esse instinto natural de ficar em casa cuidando dos filhos. Perdem a paciência, brigam o tempo todo, sentem-se frustradas e cansadas. O motivo? Um leque de opções de cursos, carreiras e vida fora de casa (o que não existia no tempo dos nossos avós e bisavós). E, entre satisfazer seu ego ou se doar para a formação de outro ser humano, muitas mulheres optam em colocar o seu “eu” em primeiro lugar: “Estudei tanto pra que?”, “Não vou abandonar minha carreira”, “Não nasci pra ficar em casa cuidando de filhos!”, “Ele vai crescer logo, preciso pensar em mim!” . Mas eu te convido a pensar: Se você fosse criança, escolheria passar o dia ao lado da sua mãe ou de uma professora ou babá? Por que acha que seu filho pensaria diferente? E outra, se está tão preocupada com sua carreira e vida pessoal, então porque teve filhos?

Sim, temos ótimas médicas, advogadas, veterinárias, administradoras, professoras e etc. Mas a que custo? Quantas vezes entrei em consultórios médicos e tive que escutar profissionais frustradas por terem que deixar seus filhos em casa. Algumas chegaram até chorar enquanto desabafavam (tenho ímã para essas coisas). Mas entendo também que, entre ter uma mãe frustrada em casa e ficar numa escolinha, muitas crianças optariam pela escolinha. Talvez uma saída para a mulher atual seja um emprego de meio período ou home office. Depois que meu caçula foi para a escola, com 3 anos, passei a trabalhar meio período em casa. É uma saída. Mas o fato é que nossos filhos precisam de mães! Mães que os acompanhe em tempo integral nos primeiros anos de vida e mais tarde estejam em casa quando voltam da escola. Mães que olham a agenda, frequentam reuniões, levam ao médico, ficam ao lado no dia da enfermidade, auxiliam nas tarefas de casa, ensinam receitinhas, levam ao parque para andar de bicicleta, aproveitam as tarde chuvosas para o bolinho de chuva, sentam para fazer a unha da filha ou brincar de carrinho com o filho, gastam tempo lendo histórias ou contando estórias e estão com os ouvidos e olhos atentos nos momentos das refeições. Nossas crianças precisam que suas progenitoras deem continuidade a função de mãe depois do parto.

Nenhuma professora, tia ou babá terá o amor e cuidado que só você, mãe, pode dar. O caráter de uma criança é formado nos primeiros anos de vida. O que ele será no futuro está sendo formado agora, através das influências formativas que os cercam. Se quer um adolescentes/adulto companheiro, aberto ao diálogo e presente, esta é a hora do investimento! Repense suas responsabilidades, rotina, finanças, faça adaptações e curta esse tempo que é valioso e não volta nunca mais! Ouso dizer que o nosso mundo não estaria nessa desordem se não tivéssemos tantas mães ausentes.

Esses dias, uma profissional de uma grande empresa, com um alto cargo e salário decidiu largar tudo para ficar com seu filho. A ficha caiu: “Ele está crescendo“, ela disse, “e eu perdi boa parte dos seus primeiros anos de vida. Nossa renda cairá pela metade, mas ele não vai lembrar dos presentes, roupas ou passeios caros quando for adulto. Quero que ele tenha boas lembranças de uma infância com a mamãe…”

Sou proselitista quanto a essa questão, mas respeito a posição de amigos e familiares que pensam diferente. Amo cada um deles! Mas preciso deixar o alerta. Se Deus te deu o dom de ser mãe, assuma essa missão da forma mais intensa e doadora que sua dinâmica familiar permitir. Os tesouros que colherá não são deste mundo, o investimento é para a eternidade! Falo com conhecimento de causa.


Dani Marques é colunista do Genizah


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