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Sacrifícios rituais moviam a economia da antiga Jerusalém


CONTORNO DA SOMBRA
Hélio Pariz

A edição de setembro/2013 do Journal of Archaeological Science traz os resultados de uma pesquisa feita com os ossos de animais encontrados nos limites externos da antiga muralha que protegia a cidade de Jerusalém nos tempos bíblicos.

Mais especificamente, os pesquisadores dataram os ossos entre o início do reinado de Herodes (ano 37 a.C.) e a revolta começada no ano 66 d. C., que terminou por destruir a cidade santa.

A conclusão básica a que chegaram foi a de que o grande motor econômico de Jerusalém era representado, naquela época, pelos sacrifícios rituais exigidos dos judeus pelas leis mosaicas e pelo Talmude rabínico.

Um dos co-autores da pesquisa, Gideon Hartman, da Universidade de Connecticut, diz que o achado mostra que havia um enorme mercado regional de animais que eram comercializados em todas as áreas do território judeu (e mais além) para atender as demandas do Templo, o centro da religiosidade hebraica tanto nos tempos de Salomão (Primeiro Templo) como no de Herodes (Segundo Templo).

Só assim - dizem os estudiosos - se justifica que Jerusalém tenha florescido ao longo dos séculos, já que a cidade estava no centro de uma região desértica, com parcos recursos naturais, longe dos portos e das principais rotas de comércio do mundo antigo.

Entendem os arqueólogos que Jerusalém só se sustentou como metrópole por todo aquele período porque havia uma maciça operação de troca, compra e venda de animais para os sacrifícios rituais previstos nas leis judaicas.

Peregrinos vinham de todas as partes do mundo nas datas festivas do calendário judaico e necessitavam comprar os animais específicos para cada ritual religioso que precisavam realizar. E não havia outro local para isso a não ser Jerusalém.

As fontes históricas e religiosas apontam o dedo para o massivo abate de animais. O Talmude chega a dizer que os sacerdotes, algumas vezes, realizavam seu trabalho com sangue até os joelhos, e o historiador judaico-romano Flávio Josefo relata a enorme operação de matadouro que havia em Jerusalém.

A descoberta de uma enorme quantidade de ossos animais em poços no exterior da antiga cidade murada confirmam, portanto, esses relatos históricos.

Como a carne era um item pouco comum na dieta judaica daquele tempo, e os ossos achados pertenciam a animais jovens, os arqueólogos concluíram que eles eram criados especificamente para atender as necessidades ritualísticas do povo judeu.

A pesquisa foi mais longe e comparou os isótopos de nitrogênio e carbono dos ossos encontrados em Jerusalém com aqueles da mesma época que foram descobertos em outras regiões do Oriente Médio.

Para surpresa dos arqueólogos, os resultados mostraram que em Jerusalém estavam enterrados ossos de animais que haviam vindo de muito longe, a centenas de quilômetros de distância, como da região da Jordânia e da Península Arábica.

Suspeita-se que uma das razões para essa gigantesca operação de compra e venda de animais foi o fato do primeiro Templo ter sido destruído em 586 a. C., o que levou com que os judeus se dispersassem por uma área muito maior do que o território que lhes era destinado.

Desta maneira, quando o segundo Templo foi construído, havia uma população judaica espalhada pelo mundo então conhecido, e que se deslocava até Jerusalém para cumprir suas obrigações ritualísticas para com sua religião, e, ao que tudo indica, traziam também animais para trocarem ou comercializarem quando chegassem a Jerusalém.

Toda essa operação econômica terminava enriquecendo não só os peregrinos, mas fortalecia sobretudo a capital do povo judeu.

Como você pode perceber, a relação entre religião e dinheiro é muito mais antiga do que você imaginava.



Com informações de LiveScience.






 

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