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O encontro secreto de Marina com os evangélicos e o fuzuê de Dilma nas Igrejas.




POR Danilo Fernandes

Na última sexta-feira (26-09) a candidata a Presidente da República Marina Silva se reuniu com lideranças evangélicas de todos os matizes a fim de expor o seu plano de governo e agradecer o apoio recebido. O acontecimento foi pouquíssimo divulgado e não fazia parte da agenda oficial da campanha. A imprensa chamou o evento de “o encontro secreto” de Marina Silva com os evangélicos. “Secreto”? Hum..

E como foi?


Debaixo do mesmo teto, as personas evangélicas mais improváveis dividiram o mesmo espaço. Alguns disseram que se tratava da encenação daquela anedota famosa que compara a igreja evangélica à arca de Noé, função da sua diversidade teológica, cultural, etc. Era isto mesmo. Com um agravante: Parecia que tinham dado a encenação do Barco do Amor de Noah ao diretor Frederico Fellini.

No auditório, personas de um espectro variando de Rene Terra Nova à Ed Rene Kivitz; Ricardo Gondim ao Lelis Washinton Marinhos da CGADB; Valnice Milhomens a Ziel Machado; Eu e o apóstolo Agenor Duque da “plenitude”; Presbiterianos e metodistas; neopentecostais e desigrejados; pentecostais e calvinistas; adventistas e batistas; esquerda e direita. E, por mais incrível que possa parecer, tudo transcorreu na maior paz, sem o menor vestígio de mal estar, desarmonia e nem sinal de alerta ou esforços cerimoniais a fim de separar desafetos. Nada! Paz celestial. Sem qualquer organização e no melhor espirito republicano desfilavam os encontros mais improváveis. No fim das contas, gente de paz, representantes de um segmento importante da sociedade brasileira querendo exercer os seus direitos políticos com qualquer cidadão brasileiro e que, como tantos outros grupos, organizou um encontro com um candidato a fim de ouvir suas propostas.

Porem, todavia, contudo, é preciso pontuar algumas diferenças notáveis acerca deste encontro, as quais, certamente, não serão destacadas pela imprensa brasileira. Diferenças estas, mui evidentes para qualquer um que esteja acompanhando as reportagens televisivas das agendas dos candidatos. Ao contrário do que se vê em todo encontro político de candidatos com lideranças de qualquer segmento econômico, classe profissional, artística ou movimentos sociais, neste encontro com os evangélicos: (1) A candidata discursou livremente; (2) não foi sabatinada; (3) não recebeu nenhuma pauta de reivindicações; (4) não assinou documento algum; (4) não se comprometeu com agenda de qualquer tipo, até porque, nenhum manifesto, agenda, pauta de reivindicações ou qualquer coisa que o valha lhe foi entregue; e, tão pouco, (5) atendeu a qualquer pedido do segmento. E, por não ter recebido qualquer pedido especial, a candidata também (6) não fez nenhuma promessa.

O que aconteceu, então? -Os presentes oraram por Marina a fim de que ela governasse com justiça para todos, espirito público, correção e honestidade, como, aliais, sempre agiu na sua vida pública. E foi só.


E como foi o encontro?

Em outro post, Genizah irá reportar mais detalhes. Por hora, é necessário um desabafo-denuncia acerca da forma como a imprensa tem explorado a questão da confissão religiosa de Marina Silva e este “encontro secreto” foi sintomático desta aberração preconceituosa da imprensa brasileira.

Para os que não sabem, esta foi a PRIMEIRA vez nesta campanha que Marina Silva participa de um evento voltado aos evangélicos. Isto mesmo: O único encontro da candidata com um grupo de lideranças evangélicas. Incrivelmente, a única candidata, entre os que estão na liderança da disputa, que que jamais instrumentalizou a sua fé politicamente é aquela a quem se quer colar o rótulo de fundamentalista evangélica. A única candidata cuja presença em uma igreja evangélica é fato corriqueiro a qualquer época do ano, é aquela que jamais será vista transformando púlpito em palanque ou  visita a igrejas em eventos de campanha. Ela até poderia, afinal, estaria se reunindo com pessoas que sempre a apoiaram. Contudo, Marina não o faz. 

Se Marina Silva fosse uma ex-metalurgica alguém estranharia ou a criticaria se ela pedisse votos nas portas de fábricas? Creio que não. Contudo, Marina, não pede votos em igrejas, não visitou igrejas nesta campanha eleitoral e, ainda assim, é para a imprensa brasileira a candidata fundamentalista evangélica. Fala sério! 

E, como não bastasse, no dia que Marina aceita se encontrar com líderes da Igreja, ainda que em um local neutro, sem invadir cultos, sem misturar política e religião, os pasquins nacionais sapecam a manchete: “Encontro secreto de Marina com os evangélicos”. 

Duro, não? Mas não se vangloriem detratores! O encontro foi “low profile” porque se queria evitar isto mesmo. Exploração preconceituosa. Na falta de uma única macula no seu currículo a merecer a crítica da oposição, cria-se boatos, mente-se em profusão. Aguça-se o preconceito religioso.

Marina é a primeira a respeitar a própria confissão de fé, ela sabe que púlpito não é palanque e permeia o seu atuar político nos padrões mais elevados. Já o governo...

E a imprensa não se interessa pela confissão religiosa dos demais candidatos?

Alguém pode nos informar se já foi feita alguma entrevista com um padre amigo da família Neves? Alguém pode nos dizer o que aquele pastor famoso que apoiou Dilma pensa sobre o superávit primário? Hum... Sei não, acho que Edir Macedo tem tudo para ser nomeado ministro do Supremo, afinal o camarada já é Supremo Sacerdote! (risos!). E aquele pai de Santo que declarou apoio a Dilma na Bahia, fará parte de seu ministério? Estão dizendo por ai que foi ele quem recheou o frango de macumba com o programa de governo de Dilma, sabe aquele? Que ninguém viu? E Frei Beto ocupará ministério no próximo governo da Dilma? Sim, porque no governo Lula ele trabalhou no Planalto

Nada disto parece relevante, não é mesmo? Afinal, o fato de Dilma receber o apoio do religioso A ou de B não significa que a presidenta se submeta, concorde com -ou até conheça!- a cosmovisão de seus apoiadores. No entanto, incrivelmente (novamente, risos.), embora a imprensa não se preocupe em entrevistar os apoios de religiosos à presidenta Dilma, tão pouco submete-los a uma sabatina acerca de economia, direitos de minorias, segurança nacional, etc. insiste em fazê-lo com qualquer pastor que já tenha passado 15 minutos com Marina. Está achando que é exagero? Não é não. Ao final do tal encontro dos evangélicos com Marina Silva uns seis repórteres cercaram (pasmem!) Valnice Milhomens a fim de entrevistá-la sobre temas como direitos de minorias, programa de saúde, economia, autonomia do Banco Central. Incrível, né não?! E lá estavam Walter Feldman e outros capazes de responder tais perguntas. Mas os nossos brilhantes repórteres queriam saber a opinião da ministra-chefe Milhomens, representante da pastora-presidente Marina Silva! Socorro!!!

E pouco importa que Marina, em todo discurso público, de viva voz, reafirme o seu programa de governo, real, público, impresso em tinta e o seu currículo de administradora pública e legisladora. Isto não basta para estes repórteres preconceituosos. É preciso o escrutínio das opiniões do pastor A ou B que a apoie publicamente. Insólito, não?

Enquanto Marina é pressionada pela imprensa quanto aos apoios evangélicos que recebe, como se fosse distribuir ministérios a pastores, Dilma passeia por igrejas de líderes suspeitos, envolvidos em escândalos de corrupção, inaugura templos com irregularidades, cita versículos bíblicos que desconhece e confessa coisas que não acredita.

Incrivelmente (de novo!), no exame da história recente são, justamente, Dilma e Lula os governantes que mais embolaram  os seus apoios de líderes religiosos com política e governo. Lula e Dilma rechearam o Planalto de pastores e padres em cargos estratégicos, além de manter o poderoso ministro Gilberto de Carvalho na marcação cerrada dos movimentos religiosos. Não fosse o bastante, além de fazer vistas grossas a denominações religiosas envolvidas em prática suspeitas, Dilma entregou diversos cargos em estatais a líderes religiosos e até o Ministério da Pesca foi parar nas mãos do patético Marcelo Crivella, sobrinho e herdeiro presumido do império religioso da Igreja Universal. Dilma tem “padres” porta-vozes de seu plano de governo (Boff e Frei Beto), transito livre entre cardeais católicos, pinta e borda com fé que não tem, instrumentalizando-a para seu ganho político e o faz sob o manto complacente e hipócrita da imprensa.

Já Marina Silva, em suas mais de duas décadas de vida pública, jamais levou para a sua vida pública qualquer agenda religiosa. Não se encontra peça legislativa orientada por agenda evangélica e nem se tem noticia que qualquer trem da alegria tenha feito trajeto “parador” entre igrejas evangélicas e o ministério que ocupou durante anos.

Bem assim, a mulher que quase foi freira, se converteu a Igreja Assembleia de Deus, é das figuras mais admiradas e conhecidas em toda a Igreja Evangélica, não vai a igrejas durante a campanha eleitoral, não tem pastor oficial porta-voz, não produz material de campanha com apelo religiosos, não sobe em púlpitos para pedir votos e nem nomeia quem o faça por ela... Está, ela própria, obrigada a justificar qualquer apoio religioso espontâneo que receba e a repetir, a cada discurso seu, no seu já diminuto tempo da propaganda eleitoral gratuita, que governará para todos os brasileiros.

Imprensazinha de meleca esta nossa!

E Dilma deita e rola...




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