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Evangelização versus Proselitismo


Acredito que muitas pessoas confundem evangelização com proselitismo imaginando ser a mesma coisa ou apenas sinônimos. E por este motivo resolvi escrever este breve texto para explicar suas diferenças gramáticais e teológicas. E também observar como o entendimento errado entre estas duas ações podem influênciar a igreja.

O proselitismo é o ato de fazer com que a pessoa abrace uma religião diferente da sua. Então antes ele era católico, mas agora é protestante, antes era espírita, mas agora é budista, antes era protestante, mas agora é muçulmano. É possível inclusive outras formas de proselitismo, tipo antes ele era flamenguista, mas agora é vascaíno, antes era cliente do Mac Donalds, mas agora do Burger King.

A palavra prosélito aparece quatro vezes no Novo Testamento. Em Mateus 23:15: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!” Como podemos observar a palavra aparece de forma negativa. Nos dias de Jesus o prosélito era um não judeu que recebia a permissão para passava a viver numa comunidade judaica, através de alguns rituais de entrada na religião judaica, como a circuncisão e batismo, além de outras coisas, o prosélito precisava reunir três vizinhos que lhe serviriam de testemunhas de que ele abraçara os costumes judaicos e obedecia a lei e as tradições do judaísmo. Na perspectiva de Cristo, este ato era algo mecânico, uma decisão por conveniência, medo ou persuasão, mas não algo vindo do coração como uma atitude de fé.

A palavra aparece outras três vezes no Novo Testamento: Atos 2:10; Atos 6:5; Atos 13:43. Observamos portanto, que esta palavra nunca foi usada para descrever pessoas que haviam experimentado o novo nascimento através da fé em Cristo. Atos 6:5 refere-se a um certo Nicolau, que fora prosélito em Antioquia, isto é, antes de conhecer o evangelho e de ter nascido de novo, Nicolau, que era grego, havia se tornado um prosélito judeu. Daí a descrição usada por Lucas ao escrever o livro de Atos. A situação é semelhante em Atos 13:43 na forma como a palavra é usada.

A evangelização é o ato de pregar o evangelho, como podemos ver em Marcos 16:15: “E disse- lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” Neste caso, não é uma questão de conveniência, nem de uma mera mudança de religião, nem a aceitação de alguns padrões ou regras, é algo muito mais profundo, que penetra no íntimo do homem e todas as mudanças necessárias acontecerão de dentro para fora. Este “algo” chama-se “fé”, e as mudanças geradas por ela no ser humano têm apenas uma direção: “ser imitadores de Cristo Jesus através da sua natureza enxertada em nós.” O Novo Testamento chama esta experiência de “nascer de novo” (João 3:3). É uma diferença distinta do proselitismo, em especial no fato de que o proselitismo ainda que religioso, era na nação de Israel um ato civil, mas o novo nascimento um ato espiritual. Como bem explicou Jesus: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.” (João 3:6).

Chegamos a parte prática da nossa reflexão, o que vemos hoje acontecendo nas igrejas é muitas vezes proselitismo e não evangelização. As pessoas são convencidas e não convertidas, convidadas e não transformadas, entram na igreja, mas cristo não entra nelas. Aderem aos costumes protestantes, compram uma Bíblia, lêem três capítulos por dia, entregam dízimos, vão a igreja aos domingos, tocam, cantam e até pregam, mas não são nascidas de novo. Vejamos o que disse Jesus: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” (Mateus 7:21-23).

Esta real diferença entre prosélitos e evangelizados nos permite entender alguns dos comportamentos que vemos na igreja. Na verdade, é a velha e cansativa frase: “A igreja não cresceu, inchou.”

Resolvi não ir além em descrever aqui uma série de comportamentos que temos assistido por ai à fora, mas ao contrário, gostaria de concluir com alguns conselhos sobre como evangelizar ao invés de proselitizar. Eli Stanley Jones em seu livro “O Cristo de Todos os Caminhos, Estudo sobre o Pentecostes”, escreveu algo interessante sobre aqueles que nasceram de novo: “…nasceu a Nova Humanidade. Um novo tipo humano começou a existir, tão diferentes do ser humano ordinário, como este é diferente do animal.” [1] Esta é uma descrição profunda daquilo que deve acontecer com todo aquele que se torna um novo seguidor de Jesus. Estes são os meus conselhos no que diz respeito à evangelização. Seja qual for o método, modelos ou meios utilizados na evangelização, este deverá conter alguns elementos fundamentais:

1.Conscientização do estado pecaminoso do homem e seu destino final no pecado.
2.Conscientização sobre o sacrifício vicário de Cristo em lugar do pecador.
3.Conscientização do arrependimento do pecado e confissão.
4.Conscientização dos atos da graça de Deus na regeneração do pecador salvo.
5.Conscientização da obra santificadora no crente pelo Espírito Santo.
6.Conscientização sobre a segurança da salvação do crente em Jesus.

Deixo-lhes o desafio de refletir sobre cada uma destas conscientizações e aplicá-las nos seus projetos evangelísticos. Se assim fizermos, nossas igrejas serão comunidades saudáveis e empenhadas na causa de Cristo.




Luis A R Branco é colaborador do Genizah



[1] JONES, Eli Stanley. O Cristo de Todos os Caminhos, Estudo sobre o Pentecostes. São Paulo: Imprensa Metodista, 2005, página 18.



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