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A simplicidade da Graça


Rev. Luis Alexandre Ribeiro Branco


"Ontem aconteceu uma coisa interessante, estava sentado na sala quando o telefone tocou, era do Brasil, da minha igreja mãe, na verdade meu pastor, querendo conversar comigo e saber mais sobre algumas das lutas pelas quais temos passado, a fim de orar por nós. Como não dava para conversar na sala, pois as meninas estavam aqui fazendo as suas algazarras diárias, fui para o quarto. Enquanto abria o coração e fazia a exposição das minhas lutas, percebi os olhinhos da minha filha de cinco anos a me observar, até que sumiram dali, e continuei a narrar a minha saga dolorida. Foi quando recebo um abraço forte nas pernas, dado por esta mesma filha.

Sem perceber o que se passava e com aquela insensibilidade de pai ocupado a mandei embora dali, mas ela voltou e agarrou-se mais forte ainda e me encarava olhando nos olhos com o sorriso mais lindo do mundo, mesmo assim não percebi o que se passava, e absorvido pela conversa ao telefone, narrava a minha dor com a bravura de um soldado ferido. Quando senti aqueles bracinhos magrelos enrolarem-se mais uma vez nas minhas pernas e o mesmo olhar e sorriso, foi quando percebi que ela também percebeu a minha dor. Ela estava ali, apertando a minha perna com o abraço mais forte que lhe era capaz e me encarava com um olhar e um sorriso que me comunicava uma esperança que já não sentia a dias.

Naqueles segundos entre um abraço na perna e uma palavra ao telefone descobri uma porta invisível que me levou diretamente a presença de Deus onde consegui compreender um pouquinho mais, só um pouquinho da sua graça. O abraço da minha filha e o seu sorriso lindo penetraram a minha alma, soltaram cadeias que me prendiam, esbofetearam os carrascos que me maltratavam. Naquela hora minha filha, com toda a sua simplicidade, era uma mensageira do Deus eterno que me dizia: “Não tenha medo, conheço as tuas lutas, eu tenho a solução que você precisa.”

Não é isto que diz as Escrituras Sagradas: “Dos lábios das crianças... firmaste o teu nome como fortaleza...” (Sl 8:2). Naquela hora senti que aquele sorriso era uma demonstração da graça de Deus, era a afirmação da sua força e seu poder. A graça de Deus é tão poderosa que nem precisa de armas nem sofisticações para impressionar, a sua simplicidade é mais poderosa do que principados e potestades. O olhar e sorriso da minha filha me levaram a lembrar daquele escárnio infantil em que dizíamos: “Lá, lá, lá, lá, lá, você não é de nada!” Senti como se a graça e poder de Deus escarnecessem com a força da simplicidade na cara dos meus problemas opressores:

“Lá, lá, lá, lá, lá, você não é de nada, sou infinitamente mais forte do que você!”

Senti que aquele abraço dado nas minhas pernas com todo o seu vigor, como a dizer: Pai estou aqui, vai dar tudo certo!” fosse na realidade um cafuné de Deus a dizer-me: “Não tenha medo...” (Lc 12:32). Quando me aproximei dela para dar-lhe um beijinho ouvi sua voz doce e suave a dizer-me: “Papai, eu te amo!” Estas palavras trouxeram uma tranqüilidade indizível ao meu coração. É impressionante quando Deus resolve nos mostrar o seu poder, sua graça e seu amor, ele não usa a figura do “HE-MAN”, mas a simplicidade de uma criança (Sl 8:2), ou a calmaria de uma brisa suave (1 Rs 19:12).

Logo minha filha se foi, encontrei a porta de retorno para conversa que se desenvolvia ao telefone, mas que logo foi concluída com uma oração e meu coração descansava em paz."







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