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A fome e a pressa que definha a alma

Rubinho Pirola

"Mas eu esperarei continuamente, e te louvarei cada vez mais" Sl 71:14


Se há algo difícil na nossa existência, esse é o esperar.

Temos fome, já o disse e geralmente esse nosso apetite é ditador. Zomba das nossas tentativas de respeitar os momentos, os processos e princípios. Queremos ou, cremos que precisamos e pronto. Nada nos faz aquietar.

É assim como os crentes hoje em dia. Não aguentam esperar pelo germinar das sementes, queremos o fruto e pra já, afinal vivemos todos na era dos imediatismos - da comida, rápida (ainda que não seja sadia ou saborosa), às roupas, encontradas prontas e nas medidas certas... Dor de cabeça? Enxaqueca? Toma-se um comprimidozinho e... a dor sumiu! É a época dos disque-isso, disque-aquilo e já está, na nossa mão, pronto pra ser engolido ou consumido. Sem esforço, sem crise, nem demora.

Também é a época dos relacionamentos descartáveis. Incomodou, dificultou, não cumpriu-se com o prometido (ou o esperado) e, zás - procura-se por outro no mercado fácil das emoções e sensualidade, onde nem a corte já se faz necessária, uma vez que a oferta, é sempre maior que a procura.

E ai, vamos nós, cristãos imediatistas. Queremos agora e já.

Se a vida cristã era pra ser algo simples, tornamo-la difícil, pois não aguentamos o andar dia a dia com Deus, obedecer, se submetar ao que sabemos ser a vontade e o plano divino para cada um... queremos emoções, queremos livramentos, não suportamos os desertos, os caminhos ermos, o silêncio, as calmarias... a lentidão e a espera que as vezes as colheitas nos impõem até que vejamos os resultados no nosso trabalho.

Nem atentamos nós para o motivo daquelas extensas genealogias encontras das Escrituras (fulano gerou sicrano, que gerou beltrano...), que não é outro no meu entender senão o sinal de que o Deus na Palavra é o Senhor dos processos, nunca automáticos ou imediatos, segundo esperam, ou exigem os corações mimados dos mortais, criaturas suas.

A verdade é que... Deus tem um timming muito próprio.

O salmista sabia disso. Sabia que podia confiar e... esperar.
Se as coisas não andam na nossa vida, buscamos - ou inventamos atalhos que, pretensamente, encurtam caminhos ou aceleram processos.


Estamos na época do "molhar-a-mão" dos despachantes celestiais.
E dá-lhe quebra de maldições espirituais, cursos de batalha espiritual, truques e estratagemas que podem encurtar a fila pelas bênçãos e resultados. Muda-se de igreja, muda-se de pastor... tudo, para conseguir-se o que quer, na hora que queremos. É a cola ou cábula nas provas divinas.

E o resultado? Para além do momentâneo torpor que engana, da viagem alucinada e alucinógena das sugestões e ânimo passageiro, logo vem (pode crer que é questão de tempo - esse que pretenderam evitar) um tremendo vazio e amargor de alma. Com pressa, come-se crú, embotam-se os dentes por comer uvas verdes, colhidas antes da hora.

É o que em Salmos, ficou registrado como o resultado dessa pressa: "...Então creram nas suas palavras, e cantaram os seus louvores. Porém cedo se esqueceram das suas obras; não esperaram o seu conselho. Deixaram-se levar à cobiça no deserto, e tentaram a Deus na solidão. E ele satisfez-lhes o desejo, mas fez definhar-lhes a alma" (Sl 106:12-15).

Escrevam isso. E fujam dessa tentação de não esperar pelo Senhor. E o seu timming santo.



Rubinho Pirola arranca suspiros no Genizah





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