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O Abominável Homossexual e a abominação que há em mim


Hermes C.Fernandes

Recentemente, chamou-me a atenção um dos comentários feitos no facebook acerca de um post meu chamado “Cristãos em defesa dos homossexuais”. De acordo com ele, estávamos defendendo algo abominável. Obviamente, em momento algum saímos em defesa da prática homossexual, assim como Cristo não defendeu o adultério ao impedir que aquela mulher adúltera fosse sumariamente executada a pedradas. Se fosse um gay no lugar de uma adúltera, Jesus teria permitido que fosse apedrejado? Seriam os homossexuais uma classe abominável aos olhos de Deus? Em que se baseiam os que defendem tal coisa? Eis o primeiro verso bíblico que trata da questão:

“Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles.” Levítico 20:13

Não me atreveria a remover este verso das Escrituras! Mas por que Deus classifica atos homoeróticos como abomináveis? Seria Deus um homofóbico? Antes de tirarmos conclusões precipitadas, vamos investigar outras passagens para entender o que significa ser “abominável”.

Em Deuteronômio 22:5 lemos que o homem não deve vestir-se com roupas femininas, nem a mulher vestir-se com trajes masculinos. “Qualquer que faz isto, abominação é ao Senhor teu Deus”. Baseadas nesta passagem, muitas igrejas mantiveram um regime rígido que proibia que as mulheres usassem calças. De um tempo para cá, a maior parte das igrejas aboliu tal regra. A razão pela qual Deus a estabeleceu não tinha nada a ver com moral, mas com higiene. Os hebreus estavam em trânsito pelo deserto, vivendo em tendas portáteis. Tão logo a nuvem que os conduzia se movia, eles tinham que desarmar suas tendas imediatamente para segui-la. Nesta pressa, alguns vestiam as roupas de suas mulheres justamente quando estas estavam em seus dias de menstruação. Não havia nada que distinguisse uma da outra. Tanto homens quanto mulheres usavam vestidos que não se distinguiam nem pelas cores, nem pelos modelos. Geralmente, as roupas sequer eram tingidas. A única maneira de se resolver isso era manter as roupas em lugares separados. Não faria sentido manter tal regra em nossos dias. Naquela época a mulher menstruada isolava-se, e caso se atrevesse a sair da tenda, poderia ser apedrejada. A lei a classificava como imunda e aquele em quem ela tocasse era igualmente imundo (Levítico 15:19). Teria Jesus ficado imundo ao deixar-se tocar por aquela mulher cuja ‘menstruação’ já durava doze anos?

Muito do que era considerado ‘absoluto’ pelos judeus contemporâneos de Jesus, Ele relativizou: "Ouviste o que fora dito, eu, porém, vos digo..." Outro exemplo é quando Ele toca o esquife onde estava um morto. De acordo com a Lei, isso o tornava imundo, isto é, abominável aos olhos de Deus. O mesmo se deu quando tocou no leproso. De todos os exemplos, provavelmente o mais radical foi o episódio em que Jesus aceitou a oferta de uma prostituta. A Lei era clara: “Não trarás o salário da prostituta nem preço de um sodomita à casa do SENHOR teu Deus por qualquer voto; porque ambos são igualmente abominação ao SENHOR teu Deus” (Deuteronômio 23:18). Por isso, seu anfitrião pôs em xeque o ministério de Jesus. “Se ele soubesse quem é esta mulher, de maneira alguma aceitaria sua oferta”. Ele preferiu chegar à conclusão de que Jesus não era quem dizia ser a simplesmente aceitar que a graça prevalecia sobre o juízo estabelecido pela lei.

Repare que o mandamento põe a prostituição e a prática homossexual em pé de igualdade. Portanto, o que se aplica às prostitutas, aplica-se também aos homossexuais. Logo, se Jesus aceitou a oferta daquela mulher, certamente a aceitaria das mãos de um homossexual. Se Ele aceitou a companhia dessas, certamente não recuaria a deles. E veja que os "sodomitas" em questão eram prostitutos cúlticos, e não meramente homossexuais por opção. Esses viviam de sua prática, como hoje vivem muitos travestis que se prostituem nas ruas de nossas cidades. Convém salientar que nem todo homossexual tem vida promíscua ou vive desta prática. Muitos cristãos preferem vê-los marginalizados, tendo que vender seus corpos para sobreviver, a dar-lhes o direito de constituir uma família ou mesmo viver numa relação monogâmica. Não estou aqui defendendo uma coisa ou outra, mas apenas expondo minha constatação.

Tenho sérias dificuldades para entender por que somos tão seletivos com as passagens bíblicas. Pinçamos as que parecem corroborar com nossos gostos e preferências, e fazemos vista grossa às demais. A mesma Bíblia que classifica a prática homossexual como abominável, também classifica como abomináveis as práticas apontadas abaixo:

  •  Líderes gananciosos que se aproveitam da boa fé das pessoas para se locupletarem - “Porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à avareza; e desde o profeta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade. E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. Porventura envergonham-se de cometer abominação? Pelo contrário, de maneira nenhuma se envergonham, nem tampouco sabem que coisa é envergonhar-se; portanto cairão entre os que caem; no tempo em que eu os visitar, tropeçarão, diz o SENHOR.” Jeremias 6:13-15
  • Políticos corruptos - “Abominação é aos reis praticarem impiedade, porque com justiça é que se estabelece o trono.” Provérbios 16:12.
  • O que se justifica a si mesmo, achando-se moralmente superior aos demais - “E disse-lhes: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações, porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.” Lucas 16:15

Quero ater-me, em especial, a este último caso. O fato de ser heterossexual não me dá o direito de sentir-me moralmente ou espiritualmente superior ao homossexual. Todo preconceito é abominável aos olhos de Deus. Somos todos farinha do mesmo saco. Repare no que diz a passagem abaixo:

“Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para ser justo? Eis que ele não confia nos seus santos, e nem os céus são puros aos seus olhos. Quanto mais abominável e corrupto é o homem que bebe a iniquidade como a água?” Jó 15:14-16

Esta passagem é um raio x de nossa condição humana. Não importa a cor de nossa pele, nossa condição social ou opção sexual. Ninguém escapa deste diagnóstico desesperador. Davi parece concordar com ele quando declara: “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, e cometido abominável iniquidade; não há ninguém que faça o bem” (Salmos 53:1). Nas palavras de Paulo, “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”(Rm.3:23). TODOS! Judeus e gentios. Homens e mulheres. Brancos e negros. Ricos e pobres. Héteros e gays!

Pena que os que querem colocar os gays numa classe distinta de pecadores só consigam enxergar o que Paulo diz no primeiro capítulo desta mesma epístola. Ali lemos que pelo fato de os homens terem mudado a verdade de Deus em mentira, honrando e servindo mais a criatura do que o Criador, “Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro” (Rm.1:25-26). Observe que foi o próprio Deus quem os entregou às suas próprias paixões. Tudo “por que não se importaram de ter conhecimento de Deus” (v.27). Portanto, a depravação humana, independente da maneira como se manifeste, é resultante do juízo de Deus sobre a humanidade por ela ter-lhe dado às costas.Todavia, isso não se limita à prática homossexual. Paulo adiciona algumas práticas que preferimos abafar ou relega-las a um segundo plano. Por que será?

“E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães;néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.” Romanos 1:25-32

Como somos tão hipócritas a ponto de condenarmos o homossexual e deixarmos impunes os “sem misericórdia”? Quem seriam estes senão os que hoje chamamos de preconceituosos? Não estariam entre eles os homofóbicos? Os que condenam os outros enquanto absolvem a si mesmos? Os duros quando julgam os semelhantes, mas condescendentes consigo mesmos?

Querem condenar os gays, condenem também os invejosos, os sonegadores de impostos, os desobedientes aos pais, os que quebram contratos, etc.

Convém, aqui, salientar que entre as coisas consideradas abomináveis por Deus está a prática dos dois pesos e duas medidas (Dt.25:15-16). Pau que dá em Chico, também dá em Francisco! Todos somos dignos de morte! Não fosse a graça redentora de Cristo estaríamos todos no mesmo inferno. Pertencemos a uma raça caída, entregue às suas paixões, suscetível a todo tipo de depravação e perversão. Só nos resta apelar à misericórdia divina. Foi a esta conclusão a que chegou Paulo:

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” Romanos 7:18-24

Antes de chamar um gay de abominável, eu deveria olhar para mim mesmo e encontrar em minha natureza as mesmas pulsões, ainda que nele se manifestem de maneira diferente de mim. “Miserável homem quem sou!” Como posso apontar o cisco no olho do outro quando trago uma trave atravessada no meu? Careço tanto da graça quanto qualquer outro ser humano.

Abominável sou eu, não eles! Eu com meus preconceitos travestidos de piedade, com minhas presunções travestidas de crença, e com minha mania de autojustificar-me apontando os pecados alheios. Só em pensar me dá nojo... nojo de mim mesmo. Nojo da minha pseudossantidade.

O pior travesti não é o que se veste como mulher, mas o que se traveste de religiosidade para esconder suas próprias misérias.

Que esperança haveria para um membro desta raça caída que somos nós?

Com a Palavra, o Deus de toda a misericórdia:

“Vinde então, e argui-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.” Isaías 1:18

Qualquer ser abominável como eu poderá ter os seus pecados purificados, tornando-se brancos como a neve. Lembrei até do “abominável homem da neve”...rs

Desarmemos nossos espíritos e acolhemo-nos uns aos outros da mesma maneira como Ele nos acolheu, perdoando-nos, fazendo-se “abominável” em nosso lugar para que fôssemos recebidos em Sua família como filhos amados.


Hermes Fernandes é camarada do Genizah






 

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