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Milagromania



Alan Brizotti



Um surto milagromaníaco alastrou-se pelas igrejas. É milagre pra todo lado! Tem gente "curada", gente que acha que foi curada, e gente quem nem sabe se estava doente. É tanto sinal que está virando moda e, como dizia Bernard Shaw, a moda é uma "epidemia induzida". Ops! Se é epidemia, então lá vem milagre!

Se você é pregador, mas não faz milagres, está com os dias contados. Seu mini(s)tério é isso mesmo, "mini" e "estéril", pequeno e improdutivo. Não serve para a espiritualidade das vitrines. Não cabe na agenda da celestialidade mercadológica dos vendedores de ilusões. Não tem o que oferecer para uma multidão de caçadores de mágica.

Se você não prega nada, mas faz milagres, você é o cara! Tem o dom. É especial. Iluminado. Nasceu pra brilhar. É um vitorioso. Sua falta de Bíblia é "compensada" com o que sobra de autoajuda. Sua falta de verdade é mascarada com a arte do ilusionismo, a malandragem da fé. Sua conta bancária vai "testemunhar" de seu progresso. Seu minis-TER-io é baseado no ter, jamais no ser. Velha máxima, contudo dolorosamente real.

Confesso, sofro de milagrofobia. Entretanto, prefiro minha milagrofobia a milagromania tresloucada que a máfia ilusionista impõe sobre a massa. Essa celestialidade bandida brinca com o sofrimento real das pessoas. Atropela necessidades verídicas. Esse estelionato das emoções - o mal de Absalão - que "roubava para si o coração do povo" (II Sm. 15.6), produz como efeito colateral, um exército de frustrados. Gente que entra e sai das igrejas em busca das dádivas de Deus, esquecendo-se do Deus das dádivas. Outra velha máxima...

Não suporto mais o charlatanismo religioso. Os espertalhões da fé. Esse ministério dos metralhas, "Ali Babá e os quarenta profetas", cansa, frustra, oprime, envergonha, ridiculariza, zomba do sagrado. O que me dói é saber que em nosso meio muitos ainda alimentam o discurso da fuga: "não adianta falar"; "preguemos 'apenas' o Evangelho"; "cada um vai dar conta de si mesmo". Esse fatalismo irresponsavelmente confortável coloca-nos no banco dos réus desse processo nojento.

Não me venham com milagres! Meu maior milagre é saber que Deus ainda me ama, apesar de mim!



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Alan Brizotti, se comprometendo cada dia mais no Genizah




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