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Medievalices


Digão

Agostinho (354-430) nasceu em Tagaste, no norte da África, onde atualmente fica a Argélia. Teve uma vida dissoluta, mesmo para os padrões de seu tempo. Envolveu-se com várias mulheres, chegando a ser um pai “avulso”. Também envolveu-se com os maniqueístas, seita de seu tempo que entendia que o universo era regido por duas forças antagônicas (bem e mal) de igual força e potência. Tendo viajado à Itália, a contragosto de sua mãe cristã, Mônica, abandonou o maniqueísmo e abraçou o ceticismo neoplatônico, mas logo encontrou-se com Deus, ouvindo Sua voz enquanto passeava em um jardim.


Sua conversão influenciou não apenas sua geração (para usar um jargão da moda), mas também a nossa. Ele foi o responsável pela “dessatanização” da filosofia em seu tempo, especialmente Platão. Ajudou a formatar o pensamento ocidental, a teologia, a filosofia e o direito. Debateu contra a heresia de Pelágio, que afirmava que a salvação podia ser produzida por Deus com a ajuda do homem, e venceu a disputa. Foi o último dos chamados pais latinos da Igreja, e também o maior deles. Seu pensamento também ajudou grandemente a Reforma Protestante (Martinho Lutero era monge agostiniano), que brotou cerca de mil anos após sua morte. Se você entende que somente a graça de Deus é capaz de redimir o homem de maneira sobrenatural, ou que o homem é irremediavelmente corrompido pelo pecado, agradeça a Deus pela vida de Agostinho. 

Agostinho foi a “porta de entrada” da chamada Idade Média, assim como Tomás de Aquino foi sua “porta de saída”. A Idade Média viu florescer absurdos como o papado absolutista e a Inquisição, fruto direto desta, como também a sede desmedida por dinheiro através da venda de indulgências. Viu também o florescimento de crendices e superstições por parte de um povo que não era instruído na Palavra. Mas viu também homens e mulheres santos como João da Cruz, Teresa de Ávila, Jan Hus, Francisco de Assis, Girolamo Savonarola e John Wycliffe, além dos próprios citados Agostinho e Aquino. Foi na Idade Média que também surgiram centros de preservação do conhecimento, os mosteiros, que deram nascimento às universidades. 

Por tudo isso vejo como desonestidade histórica e intelectual a peroração de Ricardo Gondim ao afirmar que deveríamos rever o conceito “medieval” de salvação. A picaretagem teológica do arauto do teísmo aberto agora quer atingir o cerne da mensagem bíblica. Enfim, para quem afirmou carnavalescamente que não quer mais se identificar como evangélico, mas segue sendo pastor de uma igreja evangélica, ou questionando a influência dos estadunidenses no ethos evangélico brasileiro mesmo devendo sua formação teológica a uma instituição estadunidense, coerência não é mesmo um referencial. 



Digão gosta de história, mas não de sua manipulação, aqui no Genizah



 





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