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Quem sou eu?



“Se não houvesse Deus, a consciência seria inútil.”   João Calvino


Um dos problemas da igreja contemporânea está em responder as perguntas que ninguém fez e deixar em branco as perguntas que realmente incomoda o mundo. Certo é que responder a qualquer pergunta num mundo estabelecido no niilismo é uma tarefa quase impossível. No entanto, mesmo em meio a toda confusão ideológica, relativismo e niilismo existem algumas perguntas, em especial quatro delas, que são perguntas existenciais pelas quais o mundo busca respostas. No entanto, estas respostas têm sido o motivo de muitos enveredarem por caminhos estranhos das seitas, vício e imoralidade sem nunca encontrarem uma resposta que realmente satisfaça suas buscas.

Iremos começar com a pergunta “Quem sou eu?” Esta não é uma pergunta simples, com uma resposta simples, como por exemplo: "Eu sou Luis Alexandre, filho de António e Vera". É uma pergunta profunda, é uma busca pelo sentido da vida. Na busca pelo real significado da vida, me pergunto: Quem sou eu? As respostas são as mais diversas, no entanto só uma fonte é capaz de me fornecer a resposta certa, e a fonte é a Palavra de Deus. Mesmo diante de todo disparate intelectual e toda confusão ideológica, creio que a Escritura Sagrada tem a resposta para o drama da humanidade.

O humanismo dirá: Você é um acidente. Você é um engano. Você é um primata glorificado. Você é o resultado do processo aleatório da evolução. Em última análise o homem não é nada, e não tem mais valor do que um rato no campo, e se o roedor do campo for uma espécie em extinção, que por acaso está na propriedade do homem, adivinhe: Quem terá que se mudar dali?[1]

Vivemos em uma era em que a vida humana perdeu seu valor. Hoje preocupa-se muito mais com animais de estimação, com a preservação das baleias nos oceanos, com as abelhas e obras de arte do que com as milhares de crianças que morrem todos os meses na África. Nós perdemos a sensibilidade, assistimos os noticiários falando da fome no mundo, com imagens de pessoas desnutridas e segundos depois estamos atirando ao lixo comida sem qualquer sentimento de culpa.

Os programas televisivos são cada vez mais macabros, cheios de violência, sangue e corpos dilacerados e o mais terrível é que estas imagens já não nos causam arrepios. A compaixão é a palavra menos usada em nossos meios nestes dias, aliás re-interpretamos a compaixão segundo nossos critérios. Só sentimos compaixão de quem escolhemos, o indefeso, o injustiçado, o ferido, o faminto, só terá minha compaixão se tiver alguma coisa que ver comigo.

Muito facilmente nos deixamos levar pelo populismo e nos unimos aos clamores racistas, preconceituosos e que desrespeitam a dignidade da vida. Apoiamos governos quando estes levantam muralhas nas fronteiras, para que os pobres continuem cada vez mais pobres e segregados. Nossa compaixão é muitas vezes pura demagogia, pois pouco nos importa a dignidade do outro, queremos é estar do lado da massa.

Quando não sabemos responder uma simples pergunta (Quem sou eu?), matamos milhões de judeus nos campos de concentrações, viramos as costas para os genocídios de Rwanda, ignoramos as diversas etnias dizimadas na África e Ásia por guerrinhas tribais bestas. Quando não sabemos responder uma simples pergunta (Quem sou eu?), apoiamos leis como a do aborto que assassinam milhares de crianças. Quando não sabemos responder uma simples pergunta (Quem sou eu?), começamos a considerar a eutanásia uma questão de justiça, o casamento homossexual uma questão de igualdade, e por ai vai. A ignorância nos leva ao estado de desumanização.

Dentre as mais variadas formas de responder a esta pergunta dentro do contexto bíblico teísta, gostei da resposta dada por Blanchard: "O homem é mais do que um animal altamente desenvolvido ou que um macaco aperfeiçoado. O homem é tão diferente dos animais como estes o são dos vegetais, e os vegetais o são dos minerais. Quanto ao tamanho, o homem, comparado com o sol, a lua e com as estrelas é diminuto, mas Deus lhe deu um lugar especial e honroso no universo.”[2]

Logo no início da Bíblia podemos ver a origem do homem: "Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1:27). Nossa origem é divina, não somos obras do acaso, nem resultado da evolução, somos seres criados à imagem e a semelhança do próprio Deus. Esta semelhança não está relacionada com tamanho ou a forma, nem que o homem seja uma miniatura de Deus. Segundo Blanchard: "Significa, sim, que o homem foi criado como um ser espiritual, racional, moral e imortal, com uma natureza que era perfeita. Noutras palavras, ele era um verdadeiro reflexo do caráter santo de Deus.”[3]

A Bíblia diz ainda que Deus deu ao homem autoridade sobre toda a criação (Gn 1:28-29). Portanto, quem sou eu? "Sou a glória que coroa a criação de Deus.”[4]

Não importam as circunstâncias que nos trouxeram ao mundo, nem mesmo as condições que envolvem a nossa vida, como já foi muito bem esclarecido. “[...] por causa da supremacia de Cristo na verdade, você é aquilo que o Criador do universo diz que você é. E, ao soprar em você o sopro de vida, ele diz que você tem valor, dignidade e importância, e afirma que devo reconhecer isto em sua vida, da mesma forma como reconheço em mim mesmo.”[5]

Eu sei quem sou, sei quem tu és, sei quem é aquele miúdo com fome que vi no telejornal, sei quem é aquele imigrante, aquela prostituta, aquele pobre, aquele preso e aquele solitário. Somos todos a glória que coroa a criação de Deus e não podemos aceitar as respostas enganosas do pós-modernismo humanista. Que Deus nos ajude a ver o homem, tal como ele nos vê!


Luis A R Branco é colunista do Genizah


[1] John Piper, Justin Taylor. A Supremacia de Cristo em um Mundo Pós-Moderno: Rio de Janeiro, CPAD, 2007, pág. 57.
[2] J. Blanchard. Perguntas Cruciais: São José dos Campos, Editora Fiel, 1992, pág. 12.
[3] Idem, pág. 13.
[4] Ibidem, pág. 62
[5] Ibidem, pág. 62-63




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