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A pobreza intelectual e o erro doutrinário nos púlpitos brasileiros -em números quase confiáveis.





Somos 42 milhões de evangélicos no Brasil. Se assumirmos a média de 300 membros por congregação chegamos a estimativa de 140.000 igrejas em funcionamento no país, aproximadamente.

Se admitirmos a hipótese de que em cada igreja há 1,3 pastores (educated guess). Podemos presumir algo em torno de 182.000 pastores evangélicos atuando no país. 

Segundo pesquisa realizada por Oswaldo Paião (editor e jornalista da Abba Press -Sociedade Bíblica Ibero-Americana), 50,68% dos pastores confessaram nunca ter lido a Bíblia Sagrada em sua totalidade. 

Ou seja, apenas 92.237 pastores assumem conhecer a totalidade do objeto direto de seu proselitismo. Todos os outros são como papagaios dos ensinos de outros. Errados, ou não.

Segundo o IBGE, 18% dos brasileiros são analfabetos funcionais. Vai daí que, extrapolando ironicamente, apenas 75.634 destes pastores foram capazes de, realmente, terem feito aquilo que declararam na tal pesquisa (ler a Bíblia na totalidade). 

Há quem afirme que nas denominações históricas a esmagadora maioria dos pastores possui formação em seminários ou cursos de teologia (75%, talvez?). Já nas denominações pentecostais e neopentecostais apenas uma minoria estudou teologia (10%, será?). 

Aplicando regra de três simples e considerando que 18% dos evangélicos são de denominações de missão (IBGE em Censo 2010) e 82% (Ibidem) são de outras origens temos, aproximadamente, 10.380 pastores de igrejas históricas e 6.150 de outras confissões, totalizando algo em torno de 16.500 pastores com algum verniz teológico. 


Cortei muito? 


Segundo dados da Mission Network News 62% dos pastores não possuem qualquer treinamento formal! A esmagadora maioria não possui nem mesmo a sexta série do ensino fundamental completa.

Seguindo

Sabemos que  93% dos cursos de teologia, seminários e similares não possuem reconhecimento do MEC. Concedendo que isto não significa muita coisa, para o bem ou para o mal, os leitores, ao menos,  haverão de concordar que a esmagadora maioria destes cursos é de quinta categoria, caça-níqueis por correspondência. Sendo assim, será que entre estes pastores diplomados sobram ao menos 25% qualificados para o ensino das Escrituras? Servidores da Palavra possuidores de ferramental hermêutico mínimo a fim de  interpretar as Escrituras e instruir o rebanho? 

 É melhor reduzir  as expectativas  para o susto não ser tão grande...

Ou seja, na última linha, temos algo em torno de 4.640 pastores atuando no Brasil com qualificação minimamente necessária para o ensino das Sagradas Escrituras a 42 milhões de evangélicos. O que vale dizer, refazendo a conta e admitindo os 1,3 pastores por igreja, supostamente, temos apenas 3.569 congregações com um pastor qualificado no púlpito. Consequentemente, considerando o número médio de crentes por congregação (300), temos aproximadamente um milhão e setenta mil evangélicos sujeitos ao ensino minimamente aceitável do esteio de suas confissões de fé.

Concluindo, pasmem: São apenas 2,5% privilegiados entre os restantes 40 milhões de brasileiros que gostariam de ser evangélicos, mas, de fato, não o são. Afinal, confessam aquilo que não conhecem...

Consequentemente,  meu caro leitor, quando você for a prestar culto ao Senhor, mantenha a sua Bíblia aberta, o coração esperançoso e a mente sedenta da Palavra, mas sem esquecer que você pode até imaginar estar entre aqueles evangélicos que estão sendo alimentados com a boa semente, mas as chances de isto ser verdade são mínimas. 

Faça algo por você e se certifique que você está entre os 2,5%! 



A esta altura, haverá quem queria disputar o centro do argumento defendendo o não-saber, quando poderia partir para o ad hominem (para o qual já estou acostumado! Risos!) ou, até mesmo, tentar refutar a ironia construída sobre a estatística ladina*, o que eu, sarcasticamente, incentivaria com força! Risos. 

Mas, não...

Envergando o estandarte da ignorância, ousadamente, citarão “a letra mata e o espírito vivifica” em 2 Coríntios 3:1-6. A passagem favorita dos intérpretes mambembes das Escrituras, que sobejam falsa espiritualidade e ódio aos que se dedicam ao estudo da Palavra que lhes carece coragem para seguir, ou sobra preguiça para aprender.

A estes, imploro para o seu próprio bem que leiam:

http://www.genizahvirtual.com/2011/10/comentario-ce-tu-uma-benca-14-o-pinguim.html


* E eis aqui Danilo Fernandes sofismando levemente com dados estatísticos ligeiramente confiáveis a fim de chegar ao óbvio, que mesmo sendo ululante, carece de demonstração científica. CQD









 


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