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Narciso se converteu e escreve música gospel!




A história de Narciso é conhecida pelo homem que por admirar a própria beleza acabou morrendo por tamanha vaidade ao contemplar seu reflexo na água. A partir de então, tornou-se um paradigma de vaidade, derivando do seu nome uma terminologia comum a nossa época que é o Narcisismo, ou seja, a qualidade de se apaixonar demasiadamente pela própria imagem.

Algumas características são provenientes do Narcisismo, tais como a vaidade excessiva, a auto promoção, individualismo, egoísmo, uma equivocada auto imagem, a sensação de ser o supra sumo de todas as coisas e por fim a exacerbação do eu. Essas características são notáveis no cotidiano, vivemos em uma sociedade que valoriza muito a imagem, como se diz por aí: “Imagem é tudo”.

O mundo gospel, principalmente o mundo das músicas de grande sucesso também foi entorpecido por essas características. Não vamos nem falar da questão das performances e publicidades; vamos focar nas músicas que cantamos e como elas nos incentivam cada dia mais a alimentar essas péssimas características.

“Eu”, “para mim”, “meu” são termos comuns nas canções que cantamos em nossas igrejas. Está se perdendo cada vez mais o senso do “nós” e “nosso”. Vamos nos individualizando no louvor e perdendo o senso de comunidade. Faça um teste no próximo culto, veja quantas músicas são cantadas na primeira pessoa do singular e quantas são cantadas na primeira pessoa do plural.

Prosperidade, benção, presentes de Deus, nada de dificuldades, provações e nem lutas, isso tudo cansa a nossa beleza. Muitas canções que cantamos são permeadas por um viés materialista, do qual pedimos e pedimos a Deus como se Ele fosse um serviçal à nossa disposição, pronto para nos atender. Nos comportamos como aquele cliente que sempre tem razão. Esse espírito narcisista nos impulsiona a acharmos que somos o centro da adoração.

“Sou mais que vencedor”, “vou vencer”, “esmagar o inimigo”. Nossas canções deixaram de exaltar o nome de Cristo e a obra de Deus e passaram a exaltar nossos atos. Mudamos o alvo da adoração: antes adorava-se a Cristo, hoje cantamos como se fosse para Cristo, mas exaltando as nossas obras ou o que podemos fazer. Muitas canções falam do que podemos fazer e do poder que nos foi dado, mas ignoram quem nos deu esse poder e quem, de fato, é importante nessa história.

É por essas e outras que penso que o Narciso da mitologia grega se “converteu” e agora escreve a maioria das canções cantadas por nós, formando assim um imenso número de “adoradores” narcisistas que trocam o “nós” pelo “eu” e o “nosso” pelo “meu”. Ao contrário de Cristo, eles não chamam mais Deus de “Deus Nosso”, e sim de “Deus meu”.


• Calebe Ribeiro é um dos pastores de jovens da Igreja Presbiteriana do Recreio, no Rio de Janeiro (RJ). É também missionário da Missão Jovens da Verdade.




Publicado originalmente na Ultimato




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