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O Liberalismo Teológico e o triunfo da Igreja



Assumi o desafio de escrever num artigo curto sobre um tema tão complexo, mas vou tentar fazer o meu melhor para chegarmos ao fim deste com uma noção ainda que pequena, mas clara o suficiente para evitar certos caminhos.

Em primeiro lugar acredito ser importante definir o que queremos dizer por liberalismo teológico. O Dr. Augustus Nicodemus definiu o liberalismo da seguinte forma em uma de suas entrevistas à Rádio Defesa da Fé, do Instituto Cristão de Pesquisas:

“O liberalismo é, de muitas maneiras, um fruto do Iluminismo, movimento surgido no início do século 18 que tinha em seu âmago uma revolta contra o poder da religião institucionalizada e contra a religião em geral. As pressuposições filosóficas do movimento eram, em primeiro lugar, o Racionalismo de Descartes, Spinoza e Leibniz, e o Empirismo de Locke, Berkeley e Hume. Os efeitos combinados dessas duas filosofias — que, mesmo sendo teoricamente contrárias entre si, concordavam que Deus tem de ficar de fora do conhecimento humano — produziu profundo impacto na teologia cristã. Como resultado da invasão do Racionalismo na teologia, chegou-se à conclusão de que o “sobrenatural não invade a história”. A história passou a ser vista como simplesmente uma relação natural de causas e efeitos. O conceito de que Deus se revela ao homem e de que intervém e atua na história humana foram logo excluídos.”[1]

Embora a definição do Dr. Augustus Nicodemus nos forneça uma noção histórica e conceitual do liberalismo teológico, ainda nos falta perceber um pouco mais na prática como o liberalismo teológico tem sido aplicado na vida prática das nossas igreja e permeado nossos púlpitos. Portanto, defino como liberalismo teológico, o processo hermenêutico não dogmático de compreensão, interpretação e aplicação das Escrituras Sagradas. Na prática, o liberalismo teológico utiliza-se de uma hermenêutica moderna ou pós-moderna, para compreender e aplicar os textos antigos sem seguir qualquer processo hermenêutico utilizado pelos apóstolos, pais da igreja e reformadores. Uma vez que o liberalismo teológico não surgiu de qualquer estrutura hermenêutica, também não utiliza-se de qualquer tipo de estrutura no seu processo de observação, interpretação e aplicação das Escrituras Sagradas. Uma vez assim, ganham força a experiência sensorial pessoal (Empirismo) e a centralidade do homem no culto e na prática religiosa (Humanismo Cósmico). A combinação destes dois elementos estabelece uma larga avenida que conduz o liberalismo teológico nas nossas igrejas transformando o cristianismo numa religião do espetáculo.

O liberalismo teológico não é uma realidade distante na vida de algumas igrejas e instituições teológicas do hemisfério norte, ao contrário, já é uma realidade visível, crescente e assustadora nas nossas igrejas outrora tidas como conservadoras. Quem diria que no Brasil as primeiras igrejas a abrirem suas portas para o livre acesso da homossexualidade como prática comum e aceitável seriam as igrejas pentecostais e neopentecostais? Quem diria que no Brasil as igrejas batistas, orgulhosamente conhecidas como “o povo do Livro”, foram umas das primeiras igrejas históricas a consagrar mulheres ao pastorado e a produzir uma igreja estilo Lagoinha, um rico berço de heresias? E assim poderíamos ir de denominação em denominação e veríamos que praticamente não sobra uma, onde há exista um forte foco de liberalismo teológico.

O liberalismo teológico tem introduzido na igreja uma serie de heresias, formado um significativo número de líderes sem caráter, e reduzido o cristianismo a uma religião cheia de fábulas, aberrações, insanidade e escândalo. Uma característica fundamental do liberalismo teológico é a falsa piedade, uma roupagem falsa de humildade e espiritualidade, para protagonizar diante das pessoas e assim atraí-las com suas mentiras. Outra característica da teologia liberal é que eles nunca cedem, mas insistem até que tenham contaminado toda a massa com suas mentiras satânicas. O liberalismo teológico conseguiu penetrar nas nossas igrejas, mesmo conservadoras, e semear uma falsa ideia de que o bom cristão tudo releva, tudo suporta, tudo deixa passar, “em prol da unidade e do avanço do reino.” Certamente que não conseguiriam ir tão longe se não fosse através do próprio espírito do demônio como nos advertiu Paulo ao escrever ao jovem Timóteo: “…nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios.” (1 Timóteo 4:1).

O que assistimos em nossas igrejas, como a ganância e apego pelos bens materiais, essa enxurrada de falsos apóstolos, bispos e pastores, essas heresias da negação da doutrina da graça, da autoridade das Escrituras, a prática da ordenação de mulheres ao pastorado e da homossexualidade, das influências de costumes judaicos nas igrejas e tantas outras coisas vem a ser exatamente o que Paulo falou, espíritos enganadores e doutrinas de demônios.

Ao terminar este artigo olho para o horizonte e tento avistar alguma esperança, e sou lembrado da promessa de Jesus: “…sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mateus 16:18). Não sei quantos serão os verdadeiros cristãos ou qual o tamanho da verdadeira igreja do Senhor nos últimos dias, não consigo visualizá-la muito grande, na verdade a vejo bem pequena, com base nas palavras de Jesus: “…Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8), mas mesmo diminuta, ela triunfará sobre as portas do inferno, portanto, você que ama o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças e que tem permanecido fiel a sã doutrina, continue firme e otimista, pois no final nos triunfamos.

Luis A R Branco é colunista do Genizah e editor do Verdade na Prática



[1] Augustus Nicodemus, “Liberalismo e Fundamentalismo Teológico,” Instituto Cristão de Pesquisas, March 31, 2014, accessed March 31, 2014, http://www.icp.com.br/86entrevista.asp.






 

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