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Entre o cristianismo e a astrologia


EDIÇÃO 66 -  ESPECIAL CAPA
Jóice Almeida


O que vai acontecer amanhã?

O que o futuro preparou para mim? Será que é hora de tomar aquela decisão importante? Alguém que eu não vejo há muito tempo vai me procurar? Estes são questionamentos, dúvidas comuns à maioria das pessoas, e achar respostas para eles é a espinha dorsal da astrologia. Decifrar o futuro das pessoas por meio da observação do movimento dos planetas e estrelas como se fosse uma ciência é questionável até mesmo por quem estuda e acredita em horóscopo.

No entanto, há polêmicos estudos estatísticos que demonstram uma correlação entre a data de nascimento e as características pessoais e aptidões profissionais das pessoas. Os signos do zodíaco não estão na Bíblia e nenhuma igreja concorda com a consulta ao horóscopo, mas é no dia-a-dia, quando estamos lendo um jornal, conversando com amigos ou até ouvindo rádio, que o assunto vem à tona.

Como os signos são definidos pela data de nascimento, é comum que as pessoas saibam qual é o seu, independentemente de acreditarem ou não. Mas até que ponto a curiosidade sobre o horóscopo pode comprometer a crença religiosa de alguém? Para o pastor Joaquim de Andrade, do Centro de Estudos e Informações Apologéticas, o horóscopo, a astrologia, a numerologia, assim como outras adivinhações, são perigosas e desvirtuam o verdadeiro sentimento cristão. “Não somos vítimas dos astros. Deus nos deu o livre-arbítrio, e usamos nossa vida como desejamos. Somos responsáveis por nossas decisões”, afirma. Ele também detecta alguns aspectos da astrologia que dão motivos para desconfiar da sua eficácia. “A astrologia não é uma ciência. Não possui objetividade. Lida com especulações. Não possui uma metodologia lógica e científica. Prova disso é o fato de que suas predições são genéricas, e a concretização delas depende mais do cálculo das probabilidades do que outra coisa. A astrologia é adivinhação, e não ciência. É aleatória, e não lógica. É mero sortilégio, e não um desvendar objetivo dos fatos”, comenta.

Enfático, o pastor acredita que essas práticas são uma imensa rede, tecida para despertar o interesse das pessoas. “Uns se interessam pela numerologia, outros pela cabala, outros pela previsão dos horóscopos, e por aí vai. E muitos de nossos irmãos têm se envolvido nessa rede por meio de práticas consideradas ‘ingênuas’, mas que firmam ‘alianças’ com o inimigo”.

Olavo de Carvalho é filósofo, astrólogo,
blogueiro e editor do Mídia Sem Máscara:
“A própria contraposição entre ‘ciência’ e
 ‘misticismo’ é um estereótipo sem sentido”
A secretária Patrícia Santos Sousa, de 23 anos, começou a se interessar por horóscopo e astrologia aos onze anos de idade, lendo revistas para adolescentes. Para ela, ler as previsões era um modo de se proteger dos imprevistos, como revela: “Eu podia entender meu estado emocional, a relação que tinha com as pessoas conforme seus signos, podia prever os dias que viriam. Enfim, queria a sensação de nunca ter surpresas e saber como agir”.

A leitura das previsões foi, aos poucos, se tornando uma paranóia obsessiva para a secretária. “Cheguei a fazer horóscopo chinês, zodíaco, numerologia, mapa astral, simpatias, brincadeira do copo, quiromancia, tarô e toda forma de adivinhação que se podia fazer em casa ou pela internet”, lembra Patrícia, que é paulistana e hoje se diz liberta de todas essas práticas. “Resolvi mudar quando fui convencida pelo Espírito Santo de que meu futuro pertence a Deus, e que todo tipo de adivinhação é pecado, uma prática que Deus abomina. A partir daí, comecei a me esforçar para mudar e pude experimentar Deus atuando no meu destino sem que eu precisasse agir segundo adivinhações”.

O músico e produtor fonográfico Roberto Magalhães, de 52 anos, lê muito sobre astrologia e se interessa pelo assunto. “Na minha vida, por exemplo, a astrologia teve sua importância. Certa vez, um amigo astrólogo me perguntou se eu estava pensando em aumentar a família. Eu disse que adoraria, mas que não tinha planos. E ele disse: ‘Vai nascer um aquariano com fortíssimas ligações com a sua mãe’. E nasceu, em 15 de fevereiro, o meu filho, em um período em que minha mãe estava entre a vida e a morte, no hospital. E, de fato, não só ele a trouxe de volta pra vida, pela felicidade do nascimento do neto, como ambos foram apegadíssimos até o ano de 2000, quando ela morreu”. Roberto não acha que astrologia seja uma influência. “Acredito que seja como uma caixa de ferramentas. A astrologia te dá a chave de parafuso, o alicate, o ferro de soldar e diz o quê e onde está quebrado. A astrologia não mata nem salva. Agora, você tem que saber com que tipo de astrólogo está lidando”, opina.

João Bidu é um dos nomes mais conhecidos
 na astrologia brasileira: “Acredito que é muito forte
 o poder que os astros exercem
 sobre a vida das pessoas.
 Afinal, a todo minuto, estamos sujeitos a
 energias astrais que se modificam rapidamente”

ASTROLOGIA: MISTICISMO x CIÊNCIA

O radialista e jornalista João Carlos de Almeida, 59 anos, mais conhecido como João Bidu, é um dos nomes mais respeitados na astrologia brasileira. Ele é o editor das três revistas mais vendidas sobre o assunto: Guia Astral, Boa Sorte! e Astral Dia-a-Dia. “Acredito que é muito forte o poder que os astros exercem sobre a vida das pessoas. Afinal, a todo dia, toda hora, todo minuto, estamos sujeitos a energias astrais que se modificam rapidamente. Para se fazer o horóscopo, é preciso saber a posição dos planetas, principalmente Marte, Vênus, Mercúrio, Marte e Júpiter, além do Sol e da Lua. Aí você vê que tipo de energia está influindo em cada signo, pois cada planeta tem a sua simbologia, bem como as Casas Astrais. Elas também são 12, e cada uma, ocupada por um signo, governa alguns assuntos. São muitas informações, e é por isso que, muitas vezes, temos previsões diferentes para um mesmo dia. A astrologia é um trabalho sério”, diz o jornalista que atua no ramo desde 1986.

Para o escritor, filósofo e colunista do Jornal do Brasil (RJ) e do Diário do Comércio (SP) Olavo de Carvalho, 59, que atualmente reside nos Estados Unidos, não há uma só civilização antiga que não tenha alguma forma de astrologia. As origens são múltiplas e sem conexão entre si. A idéia de uma relação qualquer entre os astros e a vida humana parece ser uma constante universal.

Olavo – que também dedica parte do seu tempo ao estudo de práticas ligadas à astrologia – ao ser questionado sobre o que pode ser considerado ciência e o que é oriundo apenas do misticismo, diz que a astrologia não é nem uma ciência nem uma pseudociência. “É um dado civilizacional que coloca um problema científico ainda não estudado de maneira apropriada. Os debates usuais a respeito são pateticamente estereotipados e não podem levar a nada de positivo. A própria contraposição entre ‘ciência’ e ‘misticismo’ é um estereótipo sem sentido”, declara à Enfoque.

A astrologia, ele enfatiza, também não deve ser vista como religião, já que o simbolismo astrológico aparece em religiões diversas, com funções diferentes e importâncias distintas em cada uma. “O próprio universo cristão da Idade Média é incompreensível sem um bom conhecimento do simbolismo astrológico, que está subentendido em toda a arte sacra e em toda a cosmovisão da época”.

Sobre a presença da astrologia no universo bíblico, Joaquim de Andrade lembra, por exemplo, do trecho de 2 Crônicas 33:3-5, em que Manassés adorava estrelas e fazia adivinhações. A passagem bíblica diz que ele entristeceu muito a Deus, perdeu a batalha, tornou-se prisioneiro na Babilônia e arrependeu-se muito porque sabia que havia pecado muito mais do que os que o antecederam. Mas Deus ouviu sua oração, fez com que retornasse para Jerusalém, e Manassés tornou-se novamente rei, adorando dessa vez somente ao seu Deus. Andrade ressalta que os astros, segundo a Bíblia, foram descritos com a finalidade apenas de iluminar.

Joaquim de Andrade, do Centro de Estudos
e Informações Apologéticas, acha que
horóscopo, astrologia e outras adivinhações
são perigosas: “Não somos vítimas dos astros,
 mas responsáveis por nossas decisões”

APENAS LUMINARES?

Sobre o tipo de influência que os astros podem vir a ter na vida de uma pessoa, a opinião de Olavo é cautelosa. “Ninguém sabe isso com exatidão. A ignorância geral é tão grande quanto a profusão de opiniões taxativas que circulam a respeito. As pesquisas estatísticas de Michel Gauquelin mostraram que há alguma correspondência entre as posições dos astros no céu e os destinos humanos, especialmente a distribuição dos grupos profissionais. O que se sabe dessa correspondência é menos do que os astrólogos juram saber, porém mais do que os detratores da astrologia imaginam. É uma vergonha que tanta gente perca tempo em bate-bocas idiotas em vez de fazer um esforço sério para elucidar o assunto”, critica.

Considerando que o horóscopo seja o mapa do sistema solar no instante do nascimento de um indivíduo ou no instante de um acontecimento qualquer, Olavo supõe que seja bem possível tirar dele alguma indicação psicológica, mas afirma que até hoje não se sabe direito quais os limites e as possibilidades desse estudo.

“A única ocupação dos interessados no assunto é afirmar tudo ou negar tudo dogmaticamente. Eu mesmo andei tentando criar um método para resolver o problema, mas não encontrei boa acolhida nem entre os astrólogos nem entre os inimigos da astrologia”, conta. Diante de tanta confusão, Olavo recomenda: “Não procure fazer esse trabalho, a não ser que o faça por pura curiosidade científica e sem grandes expectativas”.

FUGIR DA APARÊNCIA DO MAL

Certo de suas convicções, Andrade afirma que não existe maior segurança do que confiar a direção da própria vida a Deus. “Quando reconhecemos Cristo como Salvador e Senhor, temos um futuro garantido. Jesus Cristo nos oferece tamanha segurança que as preocupações com o futuro são desnecessárias”. E lembra o trecho de Mateus 6:31-34: “Não vos inquieteis, dizendo: que havemos de comer? Ou que havemos de beber? Ou com que nos havemos de vestir? Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal”.

Patrícia, depois de muito sofrer na dependência do que os astros lhe diriam, concorda que o melhor é não perder tempo com astrologia ou qualquer outro tipo de consulta para prever o futuro ou justificar ações de quem quer que seja. Em meio a metodologias, estudos, publicações, críticas e achismos, ela e outras milhares de pessoas preferem não especular sobre o destino e o caráter de quem nasce em determinado período do ano. Outros já escolheram aceitar as probabilidades, os mapas e o poder das luzes do céu. Acima de qualquer análise, porém, a realidade é que somente Deus sabe sobre o destino de cada um, independentemente do dia em que tenha nascido.


ABC ESOTÉRICO

“Guarda-te e não levantes os olhos para os céus, e vendo o sol, a luz e as estrelas, a saber, todo o exército dos céus, não sejas seduzido a inclinar-te perante eles, e dês cultos àqueles, coisas que o Senhor teu Deus repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus” (Dt 4.19).

Astrologia: A palavra astrologia é formada por duas palavras gregas: astron (astro) e logos (palavra, dissertação). Estudo ou conhecimento da influência dos astros, especialmente dos signos do Zodíaco, no destino e no comportamento dos homens.

Horóscopo: A palavra horóscopo, também grega, é formada por dois vocábulos: hora (hora) e skopéo (observar). É o mapa natal, indicador de uma dinâmica interna e reflexo da correspondência simbólica entre o posicionamento dos astros e o momento do evento (nascimento, acontecimento).

Horóscopo chinês: A astrologia chinesa é conhecida e praticada há milhares de anos no Oriente. A data de seu aparecimento é incerta e varia de 1.600 a.C. até 214 a.C. Ela se baseia no ano lunar, que dura doze meses e vinte e nove dias. Cada ano lunar é regido por um signo, representado por um animal, e a ele são atribuídos os principais traços do seu caráter. Segundo a tradição chinesa, os seres humanos herdam as características do animal que corresponde ao signo regente no seu ano de nascimento.

Zodíaco: Do grego odiákos e kyklos, “círculo de animais”. Denomina a faixa da esfera celeste que é dividida em doze constelações (os signos) e que serve de base para os estudos da astrologia.

Signo: Cada uma das doze constelações que se localizam na faixa do Zodíaco. Acredita-se que cada uma dessas constelações influencia o destino e o caráter daqueles que nascem em cada período do ano correspondente a um signo.

Mapa astral: É um “retrato” do céu no momento em que a pessoa nasceu. É traçado a partir de dados como dia, local e horário em que a pessoa nasce. Interpretando os desenhos do mapa, o astrólogo traça o perfil psicológico e comportamental do cliente, seja ele uma pessoa ou uma empresa.

Numerologia: É o estudo das influências e qualidades místicas dos números. Segundo a numerologia, cada número ou valor numérico é dotado de uma vibração ou essência individual que indicaria tendências de acontecimentos ou de personalidade. Não há qualquer evidência científica de que os números apresentem tais propriedades.

Quiromancia ou quirologia: A quiromancia ou quirologia se baseia no estudo pseudocientífico das linhas e marcas da palma da mão que supostamente revelam o perfil psicológico e fisiológico de uma pessoa.

Tarô: A palavra não possui uma tradução específica. Seus jogos e estudos se propõem a revelar “um novo caminho ou postura perante os objetivos”. Ele é considerado um alfabeto simbólico composto por imagens arquetípicas que estão baseadas na vida humana em seu complexo sentido de começo-meio-fim. Há os que o consideram como um diagrama da vida, uma mensagem do inconsciente ou até a ponte entre o plano terrestre e o espiritual.

OS RISCOS DA ASTROLOGIA

Para Joaquim Andrade, signos e consultas aos astros só trazem perigos e influências negativas. Ele enumera o que, na sua opinião, são os principais perigos dessas práticas:

1) Confusão – embora muita gente pense que se trata de um jogo, existe um perigo real na astrologia (já que esta brinca com a vida das pessoas que acreditam nela) sobre fundamentos que não são reais, e sim mentirosos, correndo o risco de sofrer grandes danos.

2) Enfermidade – a medicina reconhece os danos ocasionados pela astrologia. Os efeitos da superstição são perigosos, pois em pessoas sensíveis se observam sérios distúrbios psíquicos, temor à vida, desespero e anomalias. A astrologia paralisa a iniciativa e a faculdade de discernimento.

3) Possessão demoníaca – a predição do futuro ou adivinhação genuína supõe a existência e intervenção de seres espirituais sobre humanos. Também supõe que estes seres possuem conhecimentos que o homem não tem e que estão dispostos a transmiti-los ao homem sob certas condições com que estão familiarizados os adivinhos.


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