681818171876702
Loading...

Caetano Veloso aprendendo a dançar funk gospel com Tonzão e os Abençoados



Caetano Veloso e grupo evangélico Tonzão e os Abençoados no último dia 27/02 em um evento beneficente, aniversário de 50 anos de Celoso Athayde, fundador do CUFA na Favela do Sapo, no Rio.

A CUFA – Central Única das Favelas – é uma organização reconhecida nacionalmente pelas esferas políticas, sociais, esportivas e culturais. Foi criada a partir da união entre jovens de várias favelas do Rio de Janeiro – principalmente negros – que buscavam espaços para expressarem suas atitudes, questionamentos ou simplesmente sua vontade de viver.

Segundo a assessoria de Tonzão compareceu e ministrou no evento em reconhecimento pela ajuda recebida em sua infância pobre na cidade de Deus.

Caetano Veloso que também cantou no evento , assistiu toda a ministração do Tonzão e o chamou no camarim. Ouviu sua historia do porque largou o funk (com o grupo Os Hawaiannos no auge da carreira) e pediu para Tonzão ensinar uns passos para ele.

Rolou funk ungido e Caetano aprendeu o “Passinho do Abençoado”.




O vídeo a seguir é o Instagram do próprio Caetano:



@caetanoveloso aprendendo a fazer passinho com o grupo Tonzão e os Abençoados (@tonzaochagas) nos bastidores da festa de 50 anos de Celso Athayde, realizada na noite de ontem, na Favela do Sapo, no Rio de Janeiro.




 No Esquenta


Tonzão esteve recentemente no Programa Esquenta, da Regina Cazé. E fez sucesso. Ao que parece, o funk gospel caiu no gosto do público e da turma da TV Globo. "Tem muito pastor que faz cara feia", comenta Jessica Aguiar, fã do gênero, de Maceió, Alagoas "mas o importante é que Jesus está sendo glorificado e o resto é apenas preconceito só porque se trata de música de preto e favelado" (sic). 


Comentário tipo  "para tudo 1 minutinho"

Se houvesse vestibular para entrar no Céu e o emprego correto deste versículo caísse na prova, 85% dos pastores e 99% DA IGREJA iria tomar bomba. Quem empacou, segue por AQUI.  Já em relação ao preconceito musical-social,  Jéssica Aguiar apresentou um argumento bem válido. Muitos não suportam o ritmo simplesmente por conta da carga marginalizada que este carrega. Respeitosamente, não é o caso deste vosso servo-repórter,  que prefere a surdez total a uma vida com doses diárias de 15 minutos de funk. Gospel, mundano, de raiz e até proibidão. Me matem e enterrem meu corpo longe do batidão, pelo amor de Deus! Com todo o respeito, gente.

 




Cultura e Evangelho


Alguns  insistem que esta popularização da cultura dos evangélicos é meramente comercialização da fé evangélica e mundanização da igreja. Há quem discorde veementemente. Os papeis da fé e da cultura neste cenário são bem distintos. São fenômenos seguindo a sua própria dinâmica.

 A cultura evangélica, com a sua estética, a sua música, a sua tendência política, a sua mediana socio-econômica e até os seus heróis e bandidos são dissociados das bases da nossa fé. E são circunstanciais.  Na década de 70, ter uma TV era o caminho mais rápido que um crente das Assembleias de Deus podia tomar para ir para o inferno. Nas igrejas batistas, era proibido aparecer o rosto de quem interpretasse Jesus Cristo em filmes, hoje é outra coisa: o assembleiano Silas Malafaia anda dando glórias a Deus porque a TV Globo agora é de Jesus. Parece outra igreja.  Em dez anos serão outras tantas. 

Estes usos e costumes são um monte de penduricalhos presos na comunidade evangélica que pouco, ou nada, se relacionam com o real processo de mundanização vivido na igreja, este sim, muito perigoso, pois liquefaz dogmas. O que é  assunto para outra ocasião.

Todo este protagonismo que a maioria quer atribuir a efêmera  "cultura gospel comercial versão 2010's " sobre a verdadeira Igreja evangélica é fruto de dois enganos: 

(1) A falta de reconhecimento do óbvio dando conta de que o presente grande avivamento brasileiro é mais um fenômeno cultural do que espiritual e a  maioria que esta ai nas igrejas hoje vive uma fé vazia, pouco instruída, construída mais sobre estacas fincadas em terreno movediço de homens do que nos fundamentos do Autor e Consumador de nossa fé e Sua mensagem redentora. Ou seja, são consumidores de cultura evangélica e de consórcios de milagres vendidos na TV. Argumentos de natureza religiosa exasperados com a cultura gospel comercial invadindo as igrejas é chilique inútil.  Quem se apega em castelo de cartas sempre irá reclamar se alguém vem e muda a cor do baralho; e 

(2) E da falta de perspectiva histórica, com a qual, se desvendaria que todo  o resto é  entretenimento. E desde sempre esteve ai para ser vendido e comprado. Se a Missa latina de Johann Sebastian Bach é tocada durante o serviço de uma igreja, estão é louvor. Sacralizou. Se está no  iTunes por US$ 12,99 e tocando em filme do Scorseze é showbuzz. Se alguém colocar Bach para tocar em um culto de hoje em dia, pode contar que irão dizer que é coisa do demônio, mundanismo, e logo irão desplugar e colocar a Cassiane no som. Lutero e Calvino iriam pirar nas alturas, mas e dai?  A maioria nem sabe que são estes gringos...  É tudo cultura, só cultura hodierna.

O fato é que a Igreja tem uma certa dificuldade para aceitar novidades ao gosto dos mais jovens, mesmo quando a intenção é honesta e não comercial. O pessoal do Rock apanhou muito na década de 70-80. Houve um tempo que tocar guitarra e bateria na igreja era coisa de endemoniado (Bom, o Malafaia tocava bateria na AD da Penha... Mas isto, deixa quieto). Dava expulsão. Hoje, está tudo liberado e está difícil testemunhar um louvor unplugged.



"Se Jesus viesse hoje iria curtir funk", nos disse José Firmino, outro admirador do grupo de funk evangélico. "Pensa bem... Jesus iria procurar os pobres, iria nas favelas e na periferia, comer com os traficantes e as periguetes, tratar deles, ouvir deles e curtir com eles a música que eles curtem... E lá, o que toca é funk, doutor", conclui.

Não dá para discordar da premissa principal do pastor batista alagoano José Firmino. Jesus sempre buscou os mais pobres. Os perdidos. E ADORAVA sentar para comer e beber com quem os religiosos rejeitavam e odiavam. Com os marginalizados. Não creio que o Senhor tenha mudado as Suas escolhas e o Seu jeito de fazer Sua Obra. Ou seja, ia ser assim mesmo, como disse o jovem pastor. Quem quisesse comer com Jesus iria ter de subir o morro ou esperar por uma audiência VIP, na calada da noite, ao estilo de Nicodemos, do Sinédrio. 

Quanto ao eventual gosto musical de Jesus, prefiro pensar que Ele iria colocar uns escolhidos de mais talento na cena funk, a fim de garantir um mínimo de sossego aos tímpanos dos santos. Fora isto, acho que o Jesus das parábolas iria preferir o  RAP, o pagode e o grafite, como forma de expressão para falar com o povão.  E você, o que acha?



Vou aprender este passinho! 

Danilo Fernandes e Márcia Vianna para o  Genizah




 

Música 4652909772237559986

Postar um comentário

Página inicial item

Siga por e-mail