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Velozes, furiosos e sem limites: a lição deixada pela morte do ator Paul Walker


Hermes C. Fernandes

Cinéfilos como eu estão chocados com a notícia da morte repentina de Paul Walker, 40 anos, astro da franquia "Velozes e Furiosos". Apesar de não ser tão fã deste estilo de filme, confesso que o último me surpreendeu, com um enredo que cativou minha atenção desde o início, e cenas que fizeram o coração disparar. Todavia, como pai de dois filhos adolescentes, ansiosos por aprender a dirigir, fiquei um tanto quanto preocupado com o tipo de sensação que o filme pudesse despertar no público mais jovem.

Engana-se quem pensa que Paul Walker tenha sido a primeira vítima desse estilo frenético de encarar os desafios do trânsito. Jovens de todo o mundo deixaram-se contagiar pelo mesmo espírito aventureiro proposto pelo filme e acabaram vítimas dele, tendo suas vidas ceifadas precipitadamente, tal qual ocorreu ao astro.

Nos Estados Unidos, onde morei por alguns anos, pude constatar a veracidade das estatísticas que dizem que a principal causa de morte de adolescentes naquele país são os acidentes de trânsito. Em alguns estados americanos, uma criança de apenas treze anos pode dirigir desde que acompanhado de um responsável. Aos dezesseis já tem direito a tirar sua própria habilitação. Pois justamente deste público que vinham a maior parte dos fãs de "Velozes e Furiosos".

Através de rachas e pegas, jovens disputam entre si quem é o mais apto e corajoso. Sem contar a mistura fatal entre volante e bebida. Não é à toa que lá, na terra do Tio Sam, a violência no trânsito já matou 980 mil pessoas nos últimos 31 anos. São cerca de 90 mortes por dia, 32 mil por ano. E o índice cresce à galopadas. E isso, considerando que lá a segurança dos carros e das estradas é muito superior à daqui.

O Brasil não fica muito atrás. Lojas de conveniência dos postos de gasolina vendem bebida para jovens e adolescentes enquanto seus carros são abastecidos. Canso de vê-los com garrafas de vodca ou cerveja saindo do posto onde geralmente abasteço aos sábados e domingos à noite.

Aprendemos em Psicologia que é típico da adolescência o mito da invulnerabilidade. Eles acham que nunca vão morrer, não importa a que perigo se exponham.

Espero, sinceramente, que este lamentável episódio sirva para abrir os olhos de muitos. Ninguém está imune. Por mais habilidoso que seja o motorista, ou por mais seguro e potente que seja o automóvel, não vale a pena arriscar. Se morrer, vai causar o sofrimento de quem o amava. Se sobreviver, poderá carregar consigo as sequelas do acidente para sempre. Sem contar que sua imprudência poderá fazer vítimas inocentes.

Vejam em que estado ficou o carro do ator. É isso que nos espera em qualquer curva se não formos prudentes. E para os apressadinhos e estressados, lembrem-se: É melhor chegar atrasado em um compromisso neste mundo, do que chegar adiantado no outro mundo. Deus não tem a menor pressa em nos receber lá.

Viva e deixe viver. Ou como dizia meu velho pai: Não corra, não mate, não morra.


Hermes C. Fernandes é parceiro do




 

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