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E LITERATURA ERÓTICA, PODE?




Dani Marques



Certa vez me perguntaram em qual categoria o livro Cinquenta tons de cinza, de E L James - sucesso absoluto de vendas entre as mulheres- se encaixaria: literatura erótica ou material pornográfico? Bom, segundo o professor Sebastião Costa Andrade, pesquisador sobre a sexualidade, o erotismo não se vincula diretamente ao sexo, enquanto que a pornografia encontra no sexo e na sexualidade seu espaço privilegiado. Dessa forma, o erotismo estaria mais próximo do sexo implícito (portanto “aceitável”) e a pornografia do sexo obsceno, direto, explícito e comercializável.

Para chegarmos a uma conclusão definitiva, acho interessante analisarmos algumas definições de pornografia:

"Representação, por quaisquer meios, de práticas sexuais diversas, com o intuito de despertar desejo sexual no observador"

Outra definição interessante é a encontrada no dicionário Michaelis:

“1.Arte ou literatura obscena. 2 Tratado acerca da prostituição. 3 Coleção de pinturas ou gravuras obscenas. 4 Caráter obsceno de uma publicação. 5 Devassidão”.

Podemos concluir então, que o livro Cinquenta tons de cinza, além de um romance envolvente, é também mais um item diferenciado no mercado da indústria pornográfica. Creio que autora não teve a intenção de publicá-lo especificamente para este segmento, mas diante das definições acima, não temos para onde correr.

Outra pergunta comum entre os cristãos é, se podemos rotular de pecado a leitura de um material como este. Penso da seguinte forma, se houver curiosidade por conta do sucesso, não vejo razão para não lê-lo. Assisti documentários, li alguns artigos sobre o livro e ouvi descrições de pessoas que leram, mas não senti interesse algum em ler, mas caso surgisse a curiosidade ou necessidade por conta da profissão, leria, sem neura alguma. Estou certa de que não alteraria em nada a minha fé e convicções. Mas temos que concordar que seria no mínimo insensato uma pessoa que está em processo de abstinência, lutando vorazmente contra o seu vício, resolver experimentar uma nova droga só por curiosidade. O mesmo acontece com uma pessoa que enfrenta problemas na área sexual, ou seja, que luta contra o vício da pornografia ou do sexo “doente”.

Ao decidir ler um conteúdo como este, a pessoa em questão precisa ter total consciência do terreno perigoso que está pisando, ser madura suficiente para assimilar as informações e lidar com seu desejo de forma saudável. A real preocupação deve ser com a substituição do prazer na relação com o parceiro por qualquer material do tipo. Se o casal (ou um dos parceiros) necessita de pornografia, um sexo “doente” ou conteúdo erótico para se satisfazer sexualmente, é porque algo não está bem. Aliás, nada bem. Com o que você anda ocupando sua mente e o seu tempo? “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” Filipenses 4:8

A pornografia é um problema comum na vida dos cristãos, não podemos negar os fatos. Uma pesquisa realizada pelo BEPEC, entre casais evangélicos, revela que 32,03% dos entrevistados possuí o hábito de acessar algum tipo de pornografia com frequência. Já entre os jovens solteiros, a porcentagem sobe para 67,21%! Sem contar os que se omitiram. Assim como o cigarro, o álcool ou a fofoca, a pornografia (inclusive através da literatura) é um vício que traz prazer momentâneo e imediato. E como isso afeta um relacionamento? Um casal que tem um sexo satisfatório e saudável, não precisa de mais nada além do cônjuge para satisfazer-se. Como disse anteriormente, se existe a necessidade de algum tipo de material erótico/pornográfico é porque algo está errado. O sexo foi criado por Deus para o casamento, como forma de expressão de amor genuíno entre homem e mulher (e para a procriação, obviamente). O que sai disso é pecado, não posso dar outro nome.

Sim, existem milhares de mulheres presas ao vício da pornografia e os motivos são os mais variados: curiosidade, desejo, vício, abuso na infância, a pedido do marido... Muitas vivem completamente aprisionadas a este tipo de material e buscam ardentemente desvencilhar-se. Tive a oportunidade de testemunhar alguns casos. É uma luta árdua e dolorida. Antigamente a pornografia era um pecado associado aos homens, mas com a chegada do feminismo, muita coisa mudou. As mulheres passaram a ter acesso a coisas antes proibidas, como a literatura erótica (que também traz estímulos sexuais) e material pornográfico, por exemplo. Nos dias de hoje, é muito difícil dizer “este pecado é mais cometido por homens e este mais por mulheres”. Se colocarmos a pornografia na balança, acho que ela ainda pesa mais para o lado dos homens, mas não está tão longe de ficar equilibrada.

E a pergunta que fica é: Qual o segredo de tamanho sucesso nas vendas do livro Cinquenta tons de cinza? Bom, apesar das descrições detalhadas de um sexo selvagem e doente - que reflete enigmas do passado - o material inclui cenas intensas de romantismo. E para a maioria esmagadora das mulheres, a mistura de romance e sexo é perfeita! Quando pensam em sexo, as cenas são sempre recheadas de detalhes e romantismo. Para nós, o sexo está intrinsecamente ligado a emoção, por isso a mistura é excitante. O sucesso do livro está totalmente relacionado aos estímulos que ele traz durante a sua leitura, tanto pelo sexo, quanto pelo romance e ar dominador do protagonista. Mesmo que neguem até o fim, as mulheres também anseiam por um homem seguro e que sabe o que quer na cama. Quantas esposas frustradas sexualmente não se realizaram lendo o livro imaginando-se no lugar da mocinha? Quantas não tentaram um sexo diferente com seus maridos após a leitura? Não podemos negar, esse tipo de literatura excita, e muito!

Mas Dani, e a literatura erótica? Penso da mesma forma. A dependência a este tipo de material é doentia, e acho primordial que os casais tenham consciência de que não há necessidade de pornografia ou literatura erótica para chegarem ao clímax ou realizarem seus desejos mais íntimos. Isso pode (e deve) acontecer com o seu próprio cônjuge. O conselho que deixo às esposas é, realize os seus desejos e fantasias com seu marido, não tenha medo! Pecado mesmo é colocar a máscara de casal modelo na igreja e ao sair do culto/missa ter que buscar material erótico ou pornográfico para se satisfazer. Sexo nunca é pecado se feito com amor e sem egoísmo dentro da união de uma só carne. Conversem sobre o assunto, conquistem intimidade e nunca privem um ao outro (a não ser por mútuo consentimento). O corpo do seu cônjuge é seu e o seu é dele, satisfaçam-se! “A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio.” 1 Coríntios 7:4-5

E aos maridos, eu repito: o sexo na mulher está diretamente ligado à emoção, por isso, não espere que ela esteja sexualmente disposta se você a feriu com palavras e atitudes. Se deseja que sua esposa esteja mais aberta na cama, misture na panela atenção, auxilio nos serviços domésticos e de educação dos filhos, afeto e muito romantismo. E prepare-se para provar o melhor dos banquetes!

O meu amado é meu, e eu sou dele...¹ Desfrutem juntos desse amor!



Notas:
¹Cânticos 2:16

Dani Marques é colaboradora do  Genizah




 

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