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Espírito Santo, o Libertário

Braulia Ribeiro

Estudando Pneumatologia com Stanley Grenz (Theology for the Community of God), que me levou para um passeio na história da teologia sobre o Espírito Santo, cheguei a conclusão de que o Espírito no final das contas é a pessoa mais libertária da Trindade.

Deus é o Criador, o Pai, o mentor e sustentador da vida. Jesus é o Salvador, o Redentor, aquele que nos livra das garras de Satanás e nos redime do pecado, e o Espírito mais do que parakleto, aquele que consola ele é o Liberador, se é que posso chamá-lo assim me apropriando de um termo socio-político para definí-lo.

O que é libertarianismo? Na tradição de Locke, Hume, Tocquenville, Adam Smith, e mais recentemente F.Hayek, Milton Friedman e outros nomes hoje quase execrados por todos, o pensamento libertário exalta o poder do indivíduo. São nas decisões do indivíduo liberado que estão as chaves para uma sociedade melhor, para uma economia pulsante, para uma religião significativa.

A definição R. Long na wikpedia: “libertarianismo é qualquer posição política que advogue a radical redistribuição de poder, do estado coercivo a associações voluntárias de indivíduos livres.”

Grenz aponta para uma ação do Espírito que costura o Velho e o Novo Testamento demonstrando que ele está interessado em promover uma coisa, a livre expressão de indivíduos ou pequenos grupos dentro ou fora de instituições. O Espírito vez após vez nas escrituras liberta estas pessoas que buscam do poder hierárquico religioso. A profecia de Joel em Joel 2:28-29 aponta também para esta esperança escatológica do Espírito: a volta da humanidade a um relacionamento livre com Deus, como era no Eden. Cada indivíduo vai ter acesso imediato ao Espírito é o que Joel nos faz entender.

O Espírito Santo é libertário e igualitário. Ele não se compromete com o status quo religioso, ou a qualquer preconceito racial, socio-econômico ou barreira de gênero. Veja a história de Pedro e Cornélio que incrível bombardeio nos paradigmas religiosos e sociais que prendiam Pedro. (At 10:23-33)

Como missionária, tendo trabalhado por três décadas com inúmeras expressões evangélicas na igreja local ou no contexto de missões, reconheço que talvez seja esta a função menos entendida do Espírito, a mais contestada, a que mais nos causa estranheza e perplexidade…

Mas como? Deus fala com ele também?

O desejo humano de reinar, de dominar, tem nos guiado a todos os tipos de distorções possíveis da noção do que é liderança cristã, e da distribuição dos dons (carisma) do Espírito.

Só posso terminar orando para que ele nos traga mais de sua maneira de nos tratar com inusitada igualdade, com respeito pelo indivíduo mas não pelo cargo, abençoando grupos mas não o poder institucional que muitas vezes sufoca a própria razão de ser do Cristianismo.



 Braulia Ribeiro colabora com o  Genizah



 

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