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o Contorcionismo Teológico do Bifano

Danilo Fernandes


Eu tentei. Cheguei mesmo a me esforçar. Mas não adiantou. É preciso acompanhar a imprecisão interpretativa de uma dose cavalar de má fé para seguir o raciocínio falacioso do pastor Gilson Bifano em seu esforço (daquele tipo em que a gente faz até careta!) para distorcer as palavras do deputado Carlos Bezerra Jr.

Modismos gospel, heresias sortidas, profetadas, enfim, a fauna dos picaretólogos a que o Genizah sempre abriu espaço – com muito bom humor, diga-se – não poderia deixar de incluir uma expressão tão genuína de autopromoção disfarçada de “defesa da Lei Divina”. Farisaísmo? Não! Eu não falei nada... Vocês é que estão pensando.

Vamos aos fatos (são poucos, não tá difícil). Há pouco mais de um mês, o deputado Carlos Bezerra Jr. publicou em seu blog pessoal um texto sobre a polêmica presença evangélica na Comissão de Direitos Humanos. O artigo do parlamentar não trazia críticas pessoais, não citava o nome de ninguém e propunha uma reflexão simples: será que a agenda da Igreja deve se restringir aos temas morais? Ou deve envolver também outros, como os sociais, os ambientais etc.?

Será que devemos nos preocupar com os pobres, com os portadores de necessidades especiais, com o estímulo a uma economia sustentável, com as péssimas condições de saúde, com o combate à corrupção ou com a alta no preço do busão? Ou devemos, única e exclusivamente, nos dedicar a questão homossexual, por exemplo? Do ponto de vista do deputado, a Igreja de Jesus deve priorizar o que seu mestre prioriza. Deve cuidar de uma coisa sem esquecer as outras. Simples assim.

Outras personalidades se manifestaram de modo semelhante. Ariovaldo Ramos, em seu “Pelo direito de discordar”, por exemplo. A Revista Ultimato, em carta aberta com centenas de lideranças evangélicas entre os signatários (o próprio Bezerra entre eles, inclusive).

Mas não teve jeito. O tal Bifano não quis entender. Informações obtidas por fontes heterodoxas - leia-se, mais Severas -  indicam que, diante da oportunidade de puxar pra si a imagem de “defensor da família” entre seus pares, o nosso pastor não pensou duas vezes. Sacrificou a lógica no Altar e pôs os dedinhos pra trabalhar (pra honra e glória do Senhor Jesus, amém?)

Produziu um texto que fica entre um estudante de teologia tentando ser Gondim e um membro do Partido Integralista querendo ser progressista. No artigo, ele contesta o deputado. Diz que o parlamentar é “atuante” (note-se que Bezerra Jr. é o único evangélico a ser apontado como o mais bem avaliado político paulistano por instituição independente de fiscalização da atividade pública), mas sugere que tenha mais cuidado com suas afirmações. Primeiro diz que entendeu o que o parlamentar afirmou, depois que não entendeu mais. Usa trechos do artigo de Bezerra Jr. sem completar o raciocínio desenvolvido pelo deputado. E por aí vai... Uma bagunça.

O problema é que a bagunça ficou séria. Bifano usou “O Jornal Batista” – publicação oficial da Convenção Batista Brasileira – para acomodar seu texto destrambelhado. Usou um veículo institucional como plataforma para divulgação de posição pessoal. Valeu-se de um espaço coletivo para autopromoção. É grave. Pelo que conheço dos batistas então, mais grave ainda...

Pegou mal o oportunismo barato. Pegou mal a falta de lógica argumentativa. E pegou mal a falta de clareza histórica. Em momentos como o que vivemos, tudo o que não se quer é que autoridades evangélicas estejam fechadas ao debate e ao diálogo. É um desserviço criar antagonismos quando a postura deveria ser de contribuição, de reflexão. Afinal, quando somos percebidos como intolerantes, agressivos, irascivos e racistas e, ao mesmo tempo, nos afirmamos seguidores de Jesus, há algo errado, não?

Por fim, Bifano, no meio dessa salada mista gospel, quis contestar a hermenêutica do texto de Bezerra Jr. Chegou ao cúmulo de propor que o deputado procurasse inclusive a Teológica Batista, para ter aulas de hermenêutica. Pra quê...

Seu texto foi respondido por nada menos que o pastor Paulo Eduardo, presidente da Primeira Igreja Batista de São Paulo e, agora, presidente da Convenção Batista do Estado de São Paulo – que defendeu o deputado e, como não poderia deixar de ser, contestou o Bifano (com um texto sensato e equilibrado). A cereja do bolo de sua resposta publicada na edição atual de “O Jornal Batista” vem no final: o último parágrafo é assinado pelo pastor Marcelo Santos. Ou seja, é um professor da Teológica Batista que sustenta a hermenêutica de Bezerra Jr., apressadamente criticada por Bifano.

Ficou chato, né? É... tem horas que até o tolo se faz passar por sábio quando fica calado. Salomão avisou. Mas o Bifano não escutou...




Danilo Fernandes para o Genizah






 

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