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Iniciado o processo para canonizar uma santa carioca que pulava carnaval

À espera de um milagre


Arquidiocese do Rio de Janeiro reúne documentos e depoimentos para termos a primeira santa carioca


Mauro de Bias

REVISTA HISTÓRIA


Uma santa que vestia fantasia e ia para a rua pular carnaval na década de 1930. Parece até uma personagem de ficção, mas a história é real. Ou quase. A Arquidiocese do Rio de Janeiro iniciou, no começo desse ano, o processo de beatificação para transformar em santa uma de suas fiéis, Odette Vidal de Oliveira. Popularmente conhecida como Odetinha, ela morreu aos 9 anos de idade em 1939, e agora pode ser declarada Venerável pelo Vaticano.

Exaltada por ser muito humilde, caridosa e religiosa, a menina Odetinha ainda precisa ter, pelo menos, dois milagres comprovados para ser chamada de santa. É aí que a antiga batalha entre razão e fé volta à cena. Médicos e cientistas precisam atestar que um fato não pode ser explicado pela ciência para que a Igreja Católica o considere milagroso.

Rodrigo Coppe Caldeira, professor de Ciências da Religião da PUC-Minas, explica o trabalho que a Igreja faz em parceria com os céticos. “A Igreja precisa do médico, do biólogo, de toda uma gama de cientistas para provar que não existe o milagre. Se a ciência encontrar uma determinada causa para aquele efeito, então o milagre não existe”, conta o historiador.

O problema é que, com o desenvolvimento da medicina, alguns ditos milagres podem simplesmente deixar de valer, o que mostra que até mesmo os critérios religiosos mudam ao longo do tempo, o que é próprio da História. “Algumas curas de câncer que antes eram vistas como milagres hoje não são mais”, afirma o especialista. Enquanto a Igreja trabalha no processo de Odetinha, os fiéis já rezam para que a menina opere em favor deles.

A aposentada Maria Luiza Hansen, 62 anos, conheceu a história da menina por meio de sua mãe, Rosa, que visitava quase semanalmente o túmulo da menina no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Há mais de 40 anos ela repete o gesto aprendido em família, e, com voz embargada, agradece a influência da criança em sua vida. “Ela me trouxe paz. Não tenho nenhuma dúvida de que ela é santa. Desde que eu era criança já ouvia muita gente falar e acreditar nela”, lembra Maria.

Para Caldeira, é exatamente para isso que servem os santos. “Saindo do plano teológico e entrando no político, a abertura desse processo vem responder também a uma necessidade da Igreja brasileira de mostrar que ela ainda diz algo plausível, que ainda tem força simbólica muito grande, para além da política e da economia. E é preciso ter modelos contemporâneos de santos”, comenta o professor.

O padre João Cláudio Loureiro do Nascimento, responsável pela pesquisa do processo de Odette, confirma que o atual momento do Rio de Janeiro, com a Jornada Mundial da Juventude na cidade esse ano, é ideal para se encontrar um santo carioca. “Procuramos modelos cariocas de jovens por ocasião da Jornada e encontramos a Odette. Agora as pessoas estão começando a tomar consciência da história dela”, afirma o religioso. Seja com fé ou com política, a primeira santa do Rio de Janeiro pode estar perto de ganhar o altar.





 
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