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A sutileza dos ídolos

Rev. Luis A R Branco


Quando cheguei a Índia fiquei assustado com a quantidade de deuses no panteão hindu, aproximadamente trezentos e trinta milhões, e além destes ainda existem os avatares, considerados uma manifestação corporal de um ser superior, e os sadhus, uma categoria de homens santos geralmente caracterizados por suas bizarras formas de vida. Na teologia hindu, deuses estão em outra esfera de vida, enquanto os avatares e sadhus são figuras contemporâneas no mundo dos homens. No entanto todos eles são adorados de uma forma ou de outra.

Na linguagem bíblica e também ocidental o termo que mais se aproxima do termo avatar é ídolo. Um ídolo é uma imagem ou qualquer coisa que seja objeto de adoração em lugar do Deus Verdadeiro. Os perigos que envolvem a idolatria são tão grandes que o Senhor incluiu o dever de nos afastarmos da idolatria como o primeiro mandamento: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.” (Êxodo 20:4-5).

Uma das características da pós-modernidade é o retrocesso à costumes pagãos de séculos e até milénios atrás, e a busca desesperada por ídolos é uma destas características. O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo sobre este tempo: “E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” (2 Timóteo 4:4). No cristianismo contemporâneo os ídolos sutilmente tomam o lugar do Deus Verdadeiro, e eles não são mais aqueles ídolos de madeira, ferro, barro ou ouro retirados da igreja pelos reformadores, eles são avatares, figuras humanas, que são adoradas e veneradas numa espécie de sadhusismo cristão.

A sutileza dos ídolos pode ser observada na diferença entre eles e Jesus, a começar pelo mais importante, a autenticidade, pois só o Senhor é Deus (Sl 86:10). Tudo o mais que tenta usurpar Sua glória é fraudulento! Mas quero completar este aforismo teológico com uma simples comparação entre Jesus e os ídolos, como se segue.

Os ídolos colocam o homem na plateia, como um mero espectador que assiste inerte as bizarrices de seus objecto de devoção. Enquanto Jesus nos convida para um relacionamento com ele que se desenvolve a partir da Palavra de Deus (Lc 11:27-28). Os ídolos paralisam o homem numa letargia nefasta impedindo-o de agir diante de todas as injustiças e corrupções infringidas pelos abusadores dos poderes espirituais e temporais. Enquanto Jesus estabelece um padrão claro a ser seguido pelos seus, confrontando toda forma de abuso e colocando sobre os seus a responsabilidade do agir (Mt 5:6, Rm 6:18). Os ídolos levam o homem a acreditar que a espiritualidade e serviço a Deus se resumem na histeria emocional, no choro, no balançar do corpo, no elevar da voz, etc. Enquanto Jesus nos envia adiante de si (Mt 28:19-20; At 1:8), como partes fundamentais no estabelecimento do seu reino. Os ídolos em nome de uma pseudo profundidade espiritual leva o homem a cauterização da sua mente impedindo-o de pensar de forma implicativa, enquanto Jesus liberta nossa mente dos cativeiros da mentira e nos conduz ao culto racional (Jo 8:36; Rm 12:1).


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