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Igreja Maranata possuia guarda armada. Fiéis relatam constrangimento




GAZETA
VILMARA FERNANDES
VINÍCIUS VALFRÉ




Policiais militares chegavam a ganhar R$ 50 por dia para fazer a segurança nos Maanains – locais de retiro espiritual – da Igreja Cristã Maranata. Lá alguns deles trabalhavam, em seus dias de folga, fardados e com arma que pertence à Polícia Militar. Essa é uma das muitas revelações das testemunhas que prestaram depoimentos ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga desvios de recursos do dízimo doado pelos fiéis da igreja.

Em depoimento, uma testemunha relata que as “armas eram utilizadas em caráter pessoal”. E mais: que os policiais respeitavam nos setores da Maranata “a mesma hierarquia obedecida na Polícia Militar”. Disse, ainda, que “o Comando da PM já tinha sido informado”. O pagamento dos policiais, segundo outra testemunha, eram viabilizado com notas fiscais frias.

Cheques


Outro detalhe é que os pagamentos eram feitos, inicialmente em dinheiro. Mas, como aumentou o número de policiais trabalhando na igreja, a quitação dos valores passou a ser feita em cheques.

A presença de militares que atuavam na igreja chegou a intimidar até algumas testemunhas. Uma delas relata que emitiu notas fiscais frias a pedido dos pastores, ação que continuou mantendo porque temia a reação dos militares. “Havia muitos policiais, não sei se trabalhavam para o Presbitério. Um deles, convertido há pouco tempo, já havia praticado vários homicídios em Vila Velha”, segundo o relato em um depoimento.

Polícia Militar


O corregedor da Polícia Militar, coronel Marcos Celante, informou que policiais não podem usar farda nem as armas em trabalhos particulares. O uso da arma em dias de folga só pode ocorrer – acrescentou ele – em situações que ponham em risco a vida do policial.

Celante desconhecia o fato de que PMs atuavam, em suas folgas, fazendo a segurança de unidades da Maranata, como os Manaains. O coronel avaliou que, nesse tipo de situação, pode haver indícios de irregularidades, mas que precisam ser apurados “caso a caso”.


Pastores recebiam salário de R$ 8 mil


Nos depoimentos prestados ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), há pastores que afirmam receber até R$ 8 mil por mês. A informação contradiz os relatos de pastores e da própria Maranata, que afirmam não ser remunerada a atividade de pastor na igreja.

Um deles, em seu depoimento, diz que atuou em várias regiões no interior de um estado brasileiro e lá chegou a “receber R$ 8 mil por mês”, pagos pelo Presbitério de Vila Velha, a sede administrativa da igreja.

Fraudes


Os depoimentos das testemunhas reforçam que as supostas fraudes praticadas no caixa da igreja eram feitas por intermédio de notas fiscais frias, e que as ações tinham o propósito “de ajudar irmãos no exterior”.

Há ainda relatos de que alguns pastores tinham a função de viabilizar contatos no meio político. Há citações, inclusive, de que um deles “indicava candidatos a serem apoiados nas eleições”.

Outras informações dão conta de que alguns pastores chegaram a receber R$ 30 mil por mês por serviços prestados à Igreja, como assessoria jurídica. Um desses pastores teria, inclusive, articulado as irregularidades, postas em prática com notas fiscais frias.

Outro ponto frisado por várias testemunhas é que todas as decisões precisavam do aval do líder da igreja, afastado pela Justiça no final do ano passado.

Há relatos de pessoas que, ao discordarem das irregularidades que supostamente foram praticadas na igreja, acabaram sendo perseguidas ou demitidas. “Nas reuniões falavam mal dos que foram excluídos da igreja por deficiência espiritual”, relata uma testemunha.


A Igreja Cristã Maranata, por intermédio de sua assessoria de imprensa, informou que a contratação de policiais militares para atuar na segurança dos Maanains foi feita por um ex-integrante da igreja, o pastor Mário Moraes.

Garante ainda que a contratação do serviço não está sendo mais utilizado pela igreja, assinalando que “foi extinto logo após identificadas as irregularidades por ele cometidas”, se referindo ao pastor Moraes.

Hoje, a segurança dos Maanains é feita por uma empresa privada. Por isto não seria mais necessária a contratação de policiais militares que faziam, em sua folga, a segurança destes locais.

Remuneração

A Maranata informou ainda que pastores da igreja não recebem remunerações. Porém, algumas pessoas, além de pastores, também prestam serviços ao Presbitério de Vila Velha, a sede administrativa da igreja. Citam como exemplo os advogados, que recebem pelos serviços prestados, não pelo pastoreio.

O pastor Mário Moraes informou, ontem, que a contratação dos policiais militares foi feita há muitos anos por ordem direta do ex-presidente da igreja, Gedelti Gueiros, afastado pela Justiça no final do ano passado. “Havia policiais, inclusive, que faziam a segurança pessoal dele e de sua família”, pontuou Mário.

Moraes, que deixou a Maranata e fundou uma nova igreja, a Louvai, afirma ter sido ele o responsável pela contratação da empresa de segurança privada. “Minha assinatura está no contrato feito com a empresa. Desafio a provarem o contrário”.

Prisão

Os quatro pastores da Maranata presos na última terça-feira continuam presos. O ex-presidente Gedelti Gueiros está em prisão domiciliar, em sua casa. O atual presidente, Elson Pedro dos Reis, e Amadeu Loureiro Lopes estão no Centro de Detenção Provisória de Viana II. Carlos Itamar Coelho Pimenta teve o pedido de habeas corpus negado ontem.









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