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2012: estamos vivendo os últimos dias? Acompanhe na integra


por Johnny Bernardo
matéria publicada originalmente na revista Apologética Cristã 

Em algum lugar do deserto de Mojave uma construção chama a atenção. Com a aparência de uma garagem, o local não despertaria a atenção não fosse pelo fato de que, a cinco metros de profundidade, abriga uma série de repartições. Após descer dois lances de escadas, o visitante se depara com uma porta de 3.000 quilos e é recebido por um senhor com um sorriso no rosto, que lhe pergunta: “Você tem família?” Ao adentrar o recinto, o visitante é conduzido por um corredor que o leva a um salão principal de onde é possível acessar alguns cubículos – pequenos cômodos mobiliados com que há de melhor no mercado de decoração e utilidades domésticas. Cozinha, quarto, banheiro – tudo que há numa casa convencional acrescida de uma série de outras comodidades, como ar – condicionado. O bunker conta também com posto médico, teatro e sala de ginástica. 

Projetado inicialmente como um centro de emergência do governo, a área de 13.000 mil metros quadrados foi adquirida da TSG Investimentos pelo empresário Robert Vicino. Objetivo: construir abrigos antiapocalipse. Para garantir um espaço, um casal tem de desembolsar cerca de 100 mil dólares e 25 mil para cada filho que tiver. Parece caro? Não é, se comparado com a promessa de “salvação”, oferecida pela Vivos – empresa que administra os bunkers. O tempo de permanência nos bunkers será de apenas um ano – período em que os associados permanecerão livres dos males que assolam a Terra. Também é o tempo previsto para duração do estoque de comida e bebida. Como sobreviverão depois? Somente Deus sabe, porque a empresa ainda não apresentou uma proposta viável – e não há. Se, digamos, a Terra for atingida por um meteoro e a luz do sol bloqueada por meses, dificilmente haverá condições de vida na superfície. Mas a empresa não dá bola para isso. Tanto é que está investindo pesado na exportação do modelo. Seu objetivo é criar uma rede mundial de bunkers. 

Foi nos anos 80 que Vicino passou a se interessar pelo assunto, após ter acesso a um exemplar do calendário maia. Conta que sentiu um pressentimento angustiante e que a sua primeira ação foi procurar uma mina que servisse como abrigo subterrâneo. Não conseguiu. Somente em 2008 daria inicio ao projeto, ao adquirir da TSG Investimentos o bunker de Bristow, Califórnia. Há outros em desenvolvimento, como os bunkers de Nebraska e Indiana e projetos para outros nos Estados Unidos e Europa. 

Questionado sobre suas crenças, Vicino declarou ser cristão e que ao criar a Vivos não tinha objetivos religiosos. “Não tem nada a ver com o Arrebatamento ou que virá após ele, a tribulação. Eu sou um cristão. Nasci católico e acredito firmemente em Deus, mas não creio nessas coisas”, declarou a um jornal de Nova York.  Vicino menciona ainda os evangélicos como seus maiores opositores. “Eles dizem não precisar de abrigos subterrâneos... que sua fé em Jesus lhes salvará.” Crente ou não, Vicino deu o ponta – pé inicial para uma corrida mundial rumo ao interior da Terra. Uma empresa espanhola entrou na onda e já possui cerca de duzentos sócios que aguardam a conclusão de projetos nas serras de Madri, Granada e Aragão. 

Dos bunkers para as crenças religiosas e a exploração mercadológica do tema, o fim do mundo está dando o que falar. Popularizada pelas superproduções de Hollywood, com filmes como Armagedom, Núcleo e 2012, o fim do mundo passou a integrar o cotidiano das pessoas, motivando discussões em redes sociais, grupos de estudo, igrejas e programas humorísticos. Até mesmo a cantora americana Britney Spears aproveitou a onda para ganhar mais alguns dólares. Gravado em Los Angeles, o vídeo "Till The World Ends" (Até o fim do mundo, em tradução livre) descreve um cenário apocalíptico e em meio a ele a pop star cantando. Se para a cantora o mais importante é curtir o fim do mundo, para a marca de desodorantes AXE é necessário também atravessá - lo em bom estilo – feliz fim do mundo, traz o comercial AXE 2012. Parece brincadeira? É, pode ser, mas e daí – o mundo hoje não é muito diferente de Sodoma e Gomorra. Maias, sumérios, nostradamus, seitas apocalípticas, oportunistas os mais diversos compõem o cardápio de opções que a humanidade tem acesso quase que diariamente. Veja agora as principais profecias e interpretações com base em 2012 e as devidas ressalvas bíblicas – lembrando que o fim do mundo não é um erro em si, mas um evento que pode ser encarado de diversas formas e maneiras. Boa viagem!





Assim diz o profeta

As profecias apocalípticas, comuns entre os séculos XVIII e XXI, primeiro na América e depois na Europa, e recentemente trazidas à discussão com as interpretações em torno do calendário maia, são ainda mais remotas do que se pensa. É na Antiguidade que começam a pipocar às primeiras tentativas de se conhecer o futuro. Os meios empregados eram numerosos e envolviam práticas comuns a várias culturas. Na Grécia, os oráculos. Em Roma, os Livros Sibilinos. Cada sociedade da época procurava, a sua maneira, conhecer seu próprio futuro e o futuro em geral. 

Na Idade Média nada menos que 140 profecias foram produzidas a partir de conventos e descreviam situações diversas, como pequenas calamidades e morte de personagens conhecidos. É entre os séculos XII e XVI, entretanto, que as profecias ganham um novo rumo ao incorporar temas como a vinda do Anticristo e o final dos tempos. Um jovem francês, de família pobre e dado aos estudos, viria a ser a bola da vez ao demonstrar poderes mediúnicos. Era Michel, passado à História como Nostradamus. Toda a histeria em torno dele começa a partir de uma análise mística de As Profecias – principal obra do vidente, publicada em 1554, e que foi organizada em quadras de cem (centuries).  Tais profecias são passíveis de críticas pela ocorrência de ambiguidades em suas linhas, além da inexistência de bases históricas e geográficas confiáveis. Vejamos o que diz a Quadra 26.
O grande homem será abatido durante o dia por um raioUma má ação, anunciada pelo portador de uma petição.De acordo com a previsão, outro cai durante a noite.Conflitos em Reims, Londres, e parte em Toscana. 
Para Erika Cheetham, “as primeiras três linhas podem ser aplicadas ao assassinato dos dois irmãos Kennedy.” Henry C. Roberts, por outro lado, associa a profecia à chegada de Hitler a Checoslováquia. “O assumir da Checoslováquia por Hitler, a renúncia do presidente Benes, as dissensões sobre a matéria entre a França e a Inglaterra, e o terrível aviso dessa traição, são todas extraordinariamente delineadas nestas profecias.” Semelhante ambiguidade ocorre em praticamente todas as quadras de As Profecias. Na 37, que alguns associam ao assassinato do presidente Kennedy, Roberts atribui a profecia a Luís XVI. São ambiguidades como essas, acrescidas de uma série de erros históricos e geográficos, que alguns autores, como o Dr. Robert Morrey, desfere ataques mortais a Nostradamus. “Quando se examina com cuidado as poucas previsões em que Nostradamus menciona datas especificas, na maior parte falha em prever eventos futuros.” [1] [2] [3]

A descoberta, em 1994, de um manuscrito datado de 1629 e atribuído a Nostradamus reacendeu o debate acerca das profecias apocalípticas. Há sete imagens que, segundo alguns, seriam chaves para a compreensão do fim do mundo. No entanto, se eventos simples, como menções a cidades, datas históricas, locais geográficos, não tiveram um cumprimento real ou preciso, o fim do mundo também não deve passar pelo crivo dos especialistas. Morrey foi certeiro ao numerar uma série de erros proféticos de Nostradamus, como a que indicava que em 1792 o Catolicismo Romano sofreria uma intensa perseguição. De que maneira, então, poderíamos associar o Livro Perdido de Nostradamus com o fim do mundo, quando boa parte de suas profecias não se cumpriram, e das poucas que parecem descrever situações históricas, as ambiguidades predominam? Quem não se lembra, por exemplo, da gafe profética da virada do milênio? Os discípulos de Nostradamus haviam previsto que o mundo acabaria entre agosto e dezembro de 1999. Nada aconteceu. O churrasco estava a salvo, bem como as férias na praia. Nada de cataclisma. Nada de bug do milênio. Nada de histeria em massa. 

O Calendário Maia

Depois de passarmos pela Antiguidade, Idade Média e princípios da Moderna, voltemos um pouco no tempo para conhecermos uma civilização antiguíssima, porém considerada uma das mais prósperas e sofisticadas da época: os maias. Conhecidos por sua capacidade de organização e desenvolvimento tecnológico, os maias continuam a fascinar historiadores, arqueólogos, filólogos e demais apaixonados por sua arte. Graças às recentes interpretações de um dos seus calendários (eles possuíam três), os maias reaparecem na História com uma nova configuração. Dos escombros e canteiros arqueológicos, chegaram às grandes cadeias televisivas e de Hollywood. Estão nas redes sociais, no samba, na boca do povo. Pessoas de renome, entre cientistas, historiadores, jornalistas dos EUA e da Europa engrossam o caldo de peregrinos que circulam pelas terras que outrora pertenciam aos maias. A confissão é a mesma: o mundo acabará em 2012 e os maias previram tal catástrofe e pandemia mundial. 

As especulações têm como base o monumento seis do sítio arqueológico de Tortuguero e uma placa com inscrições em hieróglifo localizada em Comalcalco, no sul do México. São as únicas referências ao término do calendário (longo) dos maias e têm sido alvos de inúmeras interpolações e erros grosseiros de interpretação. Pesquisadores mais apressadinhos conceberam a ideia de “fim do mundo”, baseados na tese de que o primeiro achado faz alusão ao retorno do deus Bolon Ajaw. Na mitologia maia, Bolon é descrito como o deus da mudança, da destruição e da criação, razão pela a qual se acredita que o dia 21 de dezembro de 2012 será marcado por uma “mudança” (renascimento?) ou “destruição” eminente da Terra. No entanto, pouquíssimos descendentes dos maias acreditam que o término do calendário trará mudanças radicais ao universo e a Terra. É o fim de um ciclo mesmo, para o começo de outro, lembra Salvador Nogueira em As 12 receitas para o fim do mundo. [4] De acordo com Rodrigo Liendo, do Instituto de Pesquisas Antropológicas da Universidade Autônoma do México (UNAM), os “maias nunca disseram que haveria uma grande tragédia ou o fim do mundo em 2012.” Durma bem em 21 de dezembro, recomenda Don Yeomans, gerente do programa Near – Earth da NASA. Apesar de discordar das interpretações com base no calendário maia, Yeomans ressalta que o fim do mundo é algo provável, mas que não possui data para ocorrer. “Certamente um dia o mundo sucumbira, e há eventos em curso que provam isto, mas estes eventos não possuem data, dia e hora marcada pela concepção humana de tempo, para ocorrer.” 

Seitas apocalípticas 

O fim do mundo é um conceito comum a várias culturas, povos e religiões. Como vimos, está presente nas civilizações antigas, nas profecias de Nostradamus, nas interpretações dos sítios maias, no ceticismo europeu do começo da Idade Moderna. A partir do século XIX uma nova onda mística e milenarista toma conta do mundo, começando pelos EUA. Coincide com o período descrito pelo historiador Sydeney Ahlstom em seu clássico A Religious History of the American People, como uma época de efervescência religiosa. Dos cinco grupos citados por Ahstom, três ganhariam dimensões continentais: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (1830), Adventista do Sétimo Dia (1863) e Testemunhas de Jeová (1875). Suas profecias sobre o fim do mundo, a batalha do Armagedom, o retorno de Cristo e dos patriarcas, influenciaram o atual movimento apocalíptico, caracterizado pelas seitas do mal ou destrutivas. Se bem que diferente em alguns aspectos, o tripé norte-americano possue características comuns às seitas do mal, como o exclusivismo, as novas revelações, a submissão como forma de salvação, o uso de uma linguagem apocalíptica e milenarista. Multidões foram perdidas, adeptos deixaram suas organizações, investimentos de uma vida inteira foram vendidos a preço de banana, novas interpretações e readaptações foram sugeridas. Dois casos em especial entrariam para o top das dez principais falsas profecias sobre o fim do mundo, divulgadas pela revista Time. 

Primeiro. Com base em uma interpretação de Daniel 8.14 Guilherme William Miller estabeleceu o ano de 1843 como a provável data do retorno de Cristo e o inicio do fim. O dia aprazado chegou, mas o tão esperado acontecimento não se deu. Revisando seus cálculos, Miller concluiu que havia errado por um ano, e anunciou que Cristo voltaria no dia 21 de março do ano seguinte, ou seja, 1844. Porém, ao chegar essa data, Miller e seus seguidores, em número aproximado de 100 mil, sofrem nova decepção. Uma vez mais Miller fez um novo cálculo segundo o qual Cristo voltaria no dia 22 de outubro daquele mesmo ano; porém essa previsão falhou também. [5] 

Segundo. Influenciado por John Aquila Brown, Charles Taze Russell anunciou que o retorno de Cristo aconteceria em 1914 e que neste ano teria início o “Fim dos Tempos dos Gentios” com a batalha do Armagedom. Russell dizia em suas publicações que se tratava de data estabelecida por Jeová. Falava em nome de Jeová e nada, absolutamente, se cumpriu. [6]

O século XX seria marcado por uma série de atrocidades cometidas por líderes de seitas destrutivas, consequência do fanatismo religioso e caracterizadas por crenças ufológicas e apocalípticas.  Uma das de maior repercussão ocorreu em novembro de 1998, quando 913 adeptos do Templo dos Povos (Peoples’s Temple) cometeram suicídio ao ingerir um veneno, num pequeno povoado de Jonestown, na Guiana. Liderados pelo missionário norte-americano James Warren Jones (mais conhecido como Jim Jones), os adeptos foram convencidos de que o Apocalipse estava chegando e que a única maneira de escapar dos juízos divinos seria por meio de um suicídio em massa (holocausto?). No Brasil, inúmeros sequestros, assassinatos e castrações foram cometidos entre 1992 e 1993 em Altamira do Pará e em outras regiões do Brasil, como na cidade de Guaratuba, no Paraná, quando uma criança de sete anos foi encontrada morta num matagal, sem cabelos, dedos dos pés e das mãos, e órgãos. Por trás do ritual macabro e de boa parte das atrocidades cometidas no período estava o Lineamento Universal Superior (LUS), presidido por Valentina de Andrade. Segundo Valentina, todas as crianças nascidas na década de 80 eram más e deveriam ser emasculadas. Outra crença é de que apenas os seguidores do LUS serão salvos do Apocalipse em resgates feitos por naves espaciais.     

De menor impacto, porém com consequências espirituais e sociais semelhantes, há inúmeros casos de profecias oriundas de grupos “evangélicos”, como da Family Radio, cujo fundador predisse que o mundo acabaria em 21 de maio de 2011. Envergonhado pelo não cumprimento da profecia, Harold Camping se retratou e marcou uma nova data para o fim do mundo: 21 de novembro de 2011. Nova decepção. O envolvimento de Harold com as profecias bíblicas e as primeiras tentativas de prever o fim do mundo começou em 1988, quando teve acesso aos livros de Edgar C. Whisenant. Engenheiro da NASA e estudante das Escrituras, Edgar anunciou que o arrebatamento da Igreja ocorreria entre os dias 13 e 15 de setembro de 1988. Em 1992 Harold publicou um livro no qual anunciava que o mundo estava para acabar, e dois anos depois seus seguidores se reuniram em um edifício para aguardar o retorno de Cristo. No Brasil, uma das figuras de maior destaque é Neusa Itioka. Fundadora do Ministério Ágape Reconciliação e Bacharel em Teologia pela Faculdade Metodista Livre, Nikita foi consagrada ao ministério apostólico em 2002 e é autora da tese de que a segunda vinda de Cristo ocorrerá entre 2017 e 2018, com base em textos do rabino Ben Samuel. Adepta de teorias da conspiração, Nikita acredita que 90% da população mundial será eliminada nos próximos anos. 

A Bíblia e o fim do mundo

O fim do mundo é algo praticamente certo. Apesar da existência de dados científicos e o apoio das Escrituras Sagradas, tal fenômeno deverá ocorrer num futuro desconhecido. Vai além da compreensão humana. Das escolas de profetas. Das aulas e consultas de astrologia. Há detalhes de como, porque tais cataclismas atingirão o mundo, os homens, os pecadores.  Não há, porém, períodos ou datas preestabelecidos para o fim do mundo e o retorno de Cristo. Encontramos apenas sinais, indícios pelos os quais seremos capazes de saber que Cristo está às portas e que o fim do mundo se aproxima. 

Questionado por seus discípulos sobre os sinais da sua vinda e o fim do mundo, Jesus passa a descrever uma série de eventos associados ao princípio das dores – período que antecede a sua segunda vinda e início da Grande Tribulação. Falsos cristos, guerras, rumores de guerras, fomes, pestes, terremotos em vários lugares, perseguição religiosa, traição, falsos profetas, aumento da iniquidade e esfriamento do amor etc. são alguns dos sinais preditos por Cristo. Apesar da abrangência de tais sinais e a consequente dor e tristeza causada aos homens, Jesus garante salvação aos que perseverarem até o fim (Mt. 24.13). Finalizando, Jesus condiciona a pregação do Evangelho em todo o mundo, ao início do fim. “E este Evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.” Cabe a nós, como Igreja de Cristo, antecipar a sua vinda e o início do fim por meio da pregação do Evangelho. Avante!


Referências Bibliográficas

1. HEETHAM, E. As Profecias de Nostradamus, pág. 33.
2. ROBERTS, Henry C. As Profecias Completas de Nostradamus. New York: Nostradamus, Inc., 1949, (XII impressão, 1962), pág. 17
3. MOREY, R. O Horóscopo e o Cristão, pág. 20
4.  NOGUEIRA, S. Apocalipse, o mundo tem data para acabar? SUPER, dez/ 2011, pág. 69
5. OLIVEIRA, Raimundo F. Seitas e Heresias, págs. 67 – 68, CPAD, 1994
6. SOARES, E. Manual de Apologética Cristã, pág. 254, CPAD



 

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