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O colhedor de frutos

Manoel dC


Havia na terra um servo que aproveitava todo o potencial do pomar de dimensões universais de seu senhor. Esse pomar era muito diversificado, contendo toda sorte de frutos sem que as plantações tivessem encerradas em jardins fechados e inacessíveis ou em áreas delimitadas. Ao contrário, aquele viticultor simples podia lançar mão de todos os frutos sem se preocupar se adentrava em áreas proibitivas ou exclusivistas. Assim, poderia colher dos seus inúmeros frutos, os melhores e mais bem escolhidos, o que tornava sua vida plena de alegria, ao bel prazer de suas próprias escolhas, que eram livres como os pássaros, só prestando contas ao seu Senhor e Dono do Pomar.

Esse lavradio de dimensões estupendas era um lugar aonde não havia marcos demarcando os terrenos, e o Pai Agricultor sempre atento, jamais permitia a proliferação dos cardos sutis da dicotomia, como se em Seu Pomar houvesse a hipótese longínqua da separação das coisas de forma departamentalizada em coisas de fora do pomar e as coisas de dentro do pomar e como se Ele não fosse O DONO ABSOLUTO DE TUDO.

Desse pomar cósmico, aquele homem, um pobre viticultor que se comprazia somente na companhia de seu Senhor, tentou extrair o máximo de seu potencial.

Nos campos do entretenimento, havia frutos dos mais variegados, então pode colher o cinema, a música, a arte de desenhar, pintar e de esculpir. Da dança, somente pode se apetecer em observar e admirar o movimento rítmico sinuoso, o rodopio do corpo livre, o equilíbrio impossível, a suavidade de uma leveza insustentável.

Mais adiante, estendeu as mãos e tomou os frutos da leitura prazerosa, pendendo de galhos baixos os romances, biografias, contos, clássicos da literatura e Histórias em Quadrinhos que tanto lhe ensinaram a voar na imaginação e a viajar por lugares fascinantes sem sair de lugar. E desses nunca mais dispensou nenhum gomo saboroso porque em cada naco que abocanhava defrontava-se com uma novidade de paladar único escorrendo pelos cantos da boca.

Daí voltou-se e viu no mesmo ambiente, as árvores frondosas de onde pendiam os frutos da devocionalidade. Mas para extrair estes, precisava-se um esforço maior, pois sua tessitura era mais espessa, mas depois da energia inicial depreendida, o sabor resultante se tornava dulcíssimo, mas que nunca causa fastio, ao contrário, cada mordida gerava grande prazer e uma nova experiência de revigoramento e renovo diário. É nessa região onde se cultivam os hábitos edificantes, as disciplina diárias que robustecem a alma, onde se desfruta a presença do Dono do Pomar sem esperar nada em troca, porque privar de Sua presença já é sorver o fruto mais suculento e saboroso jamais antes experimentado. Esse é o lugar onde se pode ler com liberdade e disponibilidade de tempo as narrativas poéticas do Dono do Pomar, sas aventuras épicas, um espaço reservado pode se podem desvendar os Seus desejos mais secretos, o lugar onde brotam Suas leis vontades, e onde também se se dão vasão livre para a elaboraração de composições espontâneas de músicas e poesias que divulguem Seu caráter e onde se pode conversar sem pressa e coloquialmente com Ele, como quem fala a um amigo íntimo, encostado lado ao lado.

Por fim, aquele homem se transportou para o terreno fértil da intelectualidade e do uso acertado da razão. Esse arvoredo frutífero especial é onde crescem os frutos que alimentam a mente, e onde somos convocados a exercitá-la visando a maturidade e o bom senso, por serem as raízes superficiais do coração humano corrompidas e os cipós da emotividade, frágeis e enganosos. Embora o Dono do Pomar investisse tempo e exaustivo cuidado no cultivo dessa área, quase ninguém usufruía ou se utilizava dela. John Stott, um dos mais assíduos frequentadores desse terreno adubado, depois de meditar debaixo da árvore da razão, asseverou que crer é também pensar. Então podemos adorar com a nossa mente! E descobrir que o propósito do Dono do Pomar é que a nossa mente sempre seja levada prisioneira da obediência ao Pai Agricultor. Na abrangência atmosférica desse pomar, todo nosso ser é envolvido e nada fica de fora.

“—E assim, a paz de Deus que excede todo entendimento, guardará nossas mentes e nosso coração em Cristo Jesus, nosso Senhor (e Dono do Pomar)”.





Manoel  escreve AQUI e é chapa do Genizah








 

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