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Dia do Músico – Homenagem de um “Não-Músico”

Fabrício Cunha


Ainda me lembro das primeiras melodias que ouvi quando criança. Ré, Sol e Dó Maior, reunidos numa levada balançada e alegre, formando, na viola de meu pai, um pagode caipira.

Cresci vendo meu pai e os amigos reunidos em casa. Violas, acordeons, violões e instrumentos de percussão montados em torno de um ou dois microfones que captavam aquela deliciosa quizumba e a enviavam para o gravador de quatro pistas e fita de rolo que meu pai guardava “a sete chaves” em casa.

Não virei músico, mas meus ouvidos foram educados em melodias, harmonias e ritmos desde muito cedo.

Minha mãe ouvia o Rei, os Incríveis, Beatles e Frank Sinatra. Até hoje, minhas mais tenras memórias trazem à mente o balbuciar de seu inglês inventado, cantando “We now is tow leron my hair. Say two now is power is to say, to me, to see…” (certo de que a Pity e o Fredy também lembrarão… rsrs), de Sinatra.

Na adolescência, fui iniciado nos rocks nacional (que geração a dos anos 80…) e internacional (heavy metal da “caveira doida”). Comprava discos escondido. Aprendi meus três únicos acordes (até hoje só sei esses) para tocar TODAS do Legião. Recitava o Cazuza, sabia de cór os Paralamas. Curtia o Green Day, decorava o Iron, idolatrava o Metallica (até hoje…).

Fui discipulado por Resgate, Oficina, White Cross e Bride. Chacoalhado pelo Mortification, Deliverance e Tourniquet. Vendi um carro para comprar a discografia inteira do Petra.

Mais velho um pouco, minha amizade com o Júnior Salvador, me modulou de status. Com ele, conheci as coisas mais rebuscadas na música. Coltrane, Miles Davis e Pastorius. Nico, Artur, Toninho Horta, João Alexandre e tantos outros músicos viscerais que me abriram um horizonte completamente desconhecido e irreversível.

Mas foi na MPB que me perdi. Chorei, sorri, decorei, declamei, cantarolei Caetano, Milton e Caymmi. Djavan foi meu conselheiro amoroso. Chico, meu guia vagabundo. Gil me cantou várias vezes. Viajei com a Gal, não entendi Bethânia. Fui invadido de Leila. Hipnotizado pela “Rosa”, de quem segui os “Passos”. Adormeci, encantado com Marisa.

E como foi bom ter gente que é “boa música” por perto. O coração do Bomilcar, a poesia do Jorge, a humanidade do Gérson. A inteligência do Gladir, a cultura do Carlinhos, a musicalidade do Sérgio.

Cerquei-me de amigos músicos. Morri de inveja de todos. Tentei tolamente imitá-los várias vezes em várias oportunidades que, pela amizade, me deram. Nunca consegui. Ser músico é ser escolhido, predestinado a pintar e repintar a vida de beleza. Sua estatura é inalcançável para gente normal como eu.

E é bonito ver que a música, imponente e incontível, segue seu rumo, escolhendo, predestinando e revelando seus novos arautos. É só ouvir o Palavrantiga, Tanlan, Foo Fighters, Incubus e ColdPlay. E o Hélvio, a Maria Rita, o Silva, a Gadu e a Céu. Os não tão novos mineiros do Skank e Jota Quest . Todos honrando o legado do Boca Livre, Capital, Novos Baianos, Milad, 14 Bis, Logos e Rebanhão. Titãs, Ira, Katsbarnéa, Atos 2. Ivan, Lulu, Renato Teixeira, Almir Sather, Lee Ritenour, Tim, BenJor, Elis…

Sou um mosaico de tantos sons e estilos, poesias e rimas, exemplos de perto e de longe, que não haveria como ser Fabricio sem cada um de vocês, músicos, artistas, que, sem saber, me pintaram com uma aquarela diversa, fazendo de mim, bem ou mal, quem sou.

Hoje, no dia do músico, esse “não-músico” os reverencia com respeito, afeto e admiração.



Obrigado.


[Do site do autor]  Fabrício Cunha escreve AQUI








 

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