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Alunos evangélicos que se recusaram abordar cultura afro, alegando satanismo e homossexualismo, são obrigados a fazer trabalho


Alunos evangélicos devem apresentar trabalho para confirmar nota


Janaína Andrade 



Manaus - Representantes da Seduc se reuniram com a direção da Escola Estadual Senador João Bosco, localizada na Avenida Noel Nutels, zona norte de Manaus, para discutir a ação de alunos evangélicos que se negaram a apresentar projeto sobre a cultura africana, onde tiveram que ler a obra Jubiabá de Jorge Amado.

O diretor de Programas e Políticas Pedagógicas da Secretaria de Educação do Estado (Seduc), Edson Melo, informou que ainda não ficou definido como os alunos vão ser avaliados, mas que eles provavelmente terão que apresentar o trabalho proposto para receberem a nota.  “Não podemos passar uma borracha da história brasileira, e a cultural afro-brasileira está inclusa nela”, disse ele.

Edson Melo afirmou que desde 2003 existe a lei 10.635, que trata da obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nas escolas. "Essa lei existe e é aplicada em todas as escolas brasileiras, há sete anos esta escola realiza uma feira cultural que objetiva ensinar os alunos sobre a contribuição das diversas culturas para a formação da identidade brasileira e isso nunca ocorreu", explicou o diretor.

Segundo Edson, a feira tratou da cultura,  arte, música, dança e culinária dos afro-brasileiros. O professor propôs um trabalho sobre o candomblé, entretanto quando chegou no dia da apresentação do trabalho os alunos quiseram apresentar sobre as missões evangélicas na África, o professor não aceitou. "O espaço de toda e qualquer escola não existe para formar mentes intolerantes, que passam um borracha na história cultural do Brasil", declarou o diretor, dizendo que a sociedade em geral, independente da religião, não pode se tornar um povo sem memória.

"A Seduc não está aqui para punir, essa não é a nossa função, estamos aqui para construir educação e contribuir para a formação de cidadãos, mas a secretaria, enquanto Estado, não permite o esquecimento da cultura brasileira", disse o diretor, falando que hoje ainda serão discutidos alguns pontos. "É preciso ter discernimento, as ideias serão apresentadas, e vamos evoluir nos embates, sem retroceder nos argumentos”.

A professora de História e coordenadora de projetos da Escola Estadual Senador João Bosco de Ramos Lima, Raimunda Nonata Freitas, disse ter ficado surpresa com o comportamento dos alunos. "Já realizamos há sete anos essa feira e nunca tivemos esse tipo de problema, sempre existirá diversidade de pensamentos religiosos, mas não divergência, nem discriminação " falou a professora.

Os 13 alunos envolvidos no caso estão indo às aulas normalmente e, segundo Edson, prometeram encaminhar a Presidência da República um ato de repúdio, alegando que sofreram bullying e que não houve espaço para a religião evangélica na feira, além de não terem aprovado a escolha da obra de Jorge Amado, onde um dos personagens é amigo de um pai de santo.






 

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